A eliminação involuntária da urina em crianças de mais de três anos denomina-se enurese e pode ocorrer durante o dia ou, com maior freqüência, à noite. A falta de controle pode estar associada a causas patológicas ou a problemas emocionais. Segundo informações do site Psiqweb, o hábito de fazer xixi na cama é um dos sintomas mais comuns de problemas emocionais na infância, porém ocorre em crianças com pouca ou nenhuma dificuldade emocional, podendo desempenhar papel importante devido a ambientes desfavoráveis à criança, estados irritativos, malformações do aparelho genital e fatores constitucionais.
Ao contrário da imaginação dos pais (prazer erótico e sexual), fazer xixi na cama dá à criança uma gratificação primitiva do corpo, uma sensação de calor e umidade, que lembra a imersão na placenta. Cerca de 10it dos casos são devidos a causas físicas e 90% a causas emocionais. As crianças, em sua maioria, molham-se na cama à noite, durante o sono, ou algumas se molham apenas durante o dia. Não podemos considerar crianças como enuréticas antes dos quatro ou cinco anos, pois ainda estão controlando sua micção.
As causas físicas mais comuns são infecções da bexiga ou dos rins, ou então um defeito no desenvolvimento anatômico do aparelho urinário. Se a causa não for detectada e tratada adequadamente, o problema tende a se agravar. Obrigações, castigos e repreensões só despertam na criança sentimento de vergonha, sensações de inferioridade e insegurança.
A mãe que trata a criança de três anos ou mais como se fosse um bebê de oito meses reforça um comportamento de dependência afetiva e de insegurança. Assim, a criança obriga os pais a lidar com ela como se fosse um bebê. Outras vezes, algumas situações geram carência afetiva e fazem com que a criança regrida emocionalmente, voltando a agir como um bebê só para chamar a atenção dos pais e obter mais carinho. Exemplos: separação dos pais, chegada de um irmãozinho, ingresso escolar e situações de insegurança.
A ansiedade dos pais e o excesso de preocupação com o desempenho das crianças podem torná-las inseguras, pois não se sentem preparadas para atender às expectativas dos pais. Há casos em que os pais é que precisam de terapia para saber lidar com a criança.
O tratamento da enurese é estabelecido de acordo com o aspecto psicológico. O pediatra tem condições de oferecer orientações, esclarecendo paciente e familiares sobre a origem do sintoma, lembrando sobre as possibilidades de cura, sem necessidade de utilização de medicamentos. Quando o pediatra consegue transmitir tranqüilidade à família e à criança, a melhora é nítida e rápida, logo nos primeiros meses.
Fortalecer a personalidade da criança, respeitando suas opiniões, reconstruindo sua autoconfiança, além do apoio do médico, são passos decisivos para superar o "problema" e alcançar sucesso. Denominamos encoprese a fase em que, na maioria das vezes, a criança já havia alcançado o controle esfincteriano e que, por alguma causa, retorna à fase anterior, deixando escapar as fezes na roupa.
É evidente que essa situação exigirá por parte dos pais e /ou responsáveis muita paciência e carinho, até que a causa seja diagnosticada. A encoprese (nome científico do problema) pode ser considerada como uma procura de segurança e afeto, como também uma forma de agredir os pais e o mundo externo. Geralmente, são crianças dóceis e tímidas que têm "dificuldade" em se relacionar com companheiros da mesma idade.
As fezes são para a criança os únicos objetos sobre os quais ela tem poder, que ela pode manipular, além de torná-la superior. Infecções agudas, doenças na espinha e cérebro, anomalias do reto e ânus são distúrbios que podem causar a encoprese, mas quando se confirma que nenhum desses fatores existe e as fezes são normais, as causas serão psicológicas.
Pode acontecer também a encoprese parcial; a criança reprime a necessidade de evacuar, principalmente longe dos pais, sentindo vergonha de suas fezes ou está tão envolvida em determinada atividade que inibe o máximo a vontade, sujando apenas as calças. Nesses casos, atenção, carinho e muito diálogo dos pais, esclarecendo à criança que ela deve interromper a atividade ou que não precisa reprimir a vontade, são suficientes para sanar essa situação.
Fortalecer a personalidade da criança, respeitando sua opinião, reconstruindo sua auto-confiança, além do apoio do médico, são passos decisivos para superar o "problema" e alcançar sucesso.
. Tentativa muito precoce de treinamento de micção;
. Ênfase excessiva no treinamento e controle da micção;
. Timidez acentuada;
. Imaturidade emocional;
. Rivalidade entre irmãos e imãs;
. Conflito entre pais;
. Conflito entre pais e a criança;
. Atenção insuficiente por parte dos pais;
. Insegurança;
. Problemas de relacionamento escolar.
domingo, 25 de outubro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
Criança com agenda cheia não é sinônimo de adulto bem sucedido
Excesso de funções e papéis pode fazer com que o prazer pelas coisas desapareça
Por Minha Vida
Em tempos de tantas dúvidas sobre a educação dos filhos, o inglês Carl Honoré, também pai, reflete sobre os perigos de se manter um comportamento obsessivo em relação à educação das crianças. No livro Sob Pressão (Editora Record), que acaba de chegar às livrarias brasileiras, ele mostra, por meio de pesquisas e opiniões de especialistas, como a preocupação excessiva dos pais com o desempenho dos filhos coloca as crianças numa posição de opressão.
"Na busca por um futuro brilhante para os filhos, muitos pais sobrecarregam as crianças que ficam com a agenda cheia de atividades, e isso faz com que elas percam a oportunidade de encontrar seu próprio caminho", explica o autor. A obra Sob Pressão traz dicas de como planejar uma rotina saudável e mostra que nem sempre excesso de atividades, cursos e informação faz com que o jovem se torne um adulto bem sucedido.
Para o autor, o excesso de funções e papéis a exercer pode causar o efeito contrário, fazendo com que a criatividade e o prazer pelas coisas desapareçam. O autor acredita ainda que a ocupação exagerada dos filhos é na verdade uma tentativa dos pais de compensar a ausência, quando eles não têm tempo de ficar com os filhos. "Tentei mostrar no livro que educar é equilibrar ações e afetos e que o futuro dos filhos deve ser construído com cautela. Não adianta pagar cursos e passeios se você não está presente para ensinar valores e disciplina", explica Carl.
Gostou desta matéria?Aproveite e receba o nosso conteúdo em seu email. São dicas, matérias, testes, receitas, guias e muito mais!Clique aqui para receber o nosso conteúdo.
Por Minha Vida
Em tempos de tantas dúvidas sobre a educação dos filhos, o inglês Carl Honoré, também pai, reflete sobre os perigos de se manter um comportamento obsessivo em relação à educação das crianças. No livro Sob Pressão (Editora Record), que acaba de chegar às livrarias brasileiras, ele mostra, por meio de pesquisas e opiniões de especialistas, como a preocupação excessiva dos pais com o desempenho dos filhos coloca as crianças numa posição de opressão.
"Na busca por um futuro brilhante para os filhos, muitos pais sobrecarregam as crianças que ficam com a agenda cheia de atividades, e isso faz com que elas percam a oportunidade de encontrar seu próprio caminho", explica o autor. A obra Sob Pressão traz dicas de como planejar uma rotina saudável e mostra que nem sempre excesso de atividades, cursos e informação faz com que o jovem se torne um adulto bem sucedido.
Para o autor, o excesso de funções e papéis a exercer pode causar o efeito contrário, fazendo com que a criatividade e o prazer pelas coisas desapareçam. O autor acredita ainda que a ocupação exagerada dos filhos é na verdade uma tentativa dos pais de compensar a ausência, quando eles não têm tempo de ficar com os filhos. "Tentei mostrar no livro que educar é equilibrar ações e afetos e que o futuro dos filhos deve ser construído com cautela. Não adianta pagar cursos e passeios se você não está presente para ensinar valores e disciplina", explica Carl.
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sábado, 17 de outubro de 2009
Transtorno e Ansiedade de Separação
Segundo o Dr. Marco Wildt, que escreve na Internet sobre psiquiatria infantil, a característica essencial do Transtorno de Ansiedade de Separação é a ansiedade excessiva, envolvendo o afastamento de casa ou de pessoas com forte vínculo afetivo, normalmente a mãe. Crianças com este transtorno vivenciam um sofrimento excessivo quando separadas de casa ou de pessoas de vinculação afetiva importante, bem como podem sofrer antecipadamente diante da simples possibilidade de futura separação.
Há casos de saudade extrema com sentimentos de doença (febre, diarréia, vômito etc.) devido ao desconforto de permanecerem longe de casa. Ao serem separadas de pessoas principais de vinculação afetiva, as crianças abrigam temores de que acidentes ou doenças possam agredir as pessoas a quem têm apego ou a elas próprias. Freqüentemente expressam medo anormal de se perderem e de jamais reverem seus pais.
Costumam evitar ir a qualquer lugar sozinhas. Essas crianças, segundo o Dr. Marco, são incapazes de permanecer num quarto sozinhas, podem relutar ou recusar-se a ir à escola ou a fazer outro tipo de atividade fora de casa. Andam juntos, como uma sombra, atrás dos pais, não só externamente, como por toda a casa.
Apresentam insegurança para dormir, insistindo para que alguém permaneça a seu lado até adormecerem. Costumam procurar a cama dos pais, de um irmão ou de outra pessoa significativa à noite, podendo haver pesadelos, cujos conteúdos expressam os temores fantasiosos da criança. Queixas somáticas, como dores abdominais, de cabeça, náuseas e vômitos são comuns quando a separação ocorre ou está próxima de ser concretizada.
Fora de casa, podem exibir retraimento social, tristeza, apatia ou dificuldade para concentrar-se no trabalho, estudo ou brincadeiras. Dependendo da idade, podem apresentar medo de animais, monstros, de escuro, de ladrões, de bandidos, de acidentes, seqüestradores, viagens aéreas, situações perigosas que podem envolver sua vida e de sua família. As preocupações com a morte e o morrer são comuns.
Quando extremamente perturbadas diante da perspectiva de separação, podem apresentar raiva ou às vezes agredir fisicamente a pessoa que está forçando a separação. As exigências excessivas da criança em relação à atenção, ao carinho e ao amor freqüentemente se transformam em uma fonte de frustração para os pais, provocando ressentimento e conflito na família.
Há casos de saudade extrema com sentimentos de doença (febre, diarréia, vômito etc.) devido ao desconforto de permanecerem longe de casa. Ao serem separadas de pessoas principais de vinculação afetiva, as crianças abrigam temores de que acidentes ou doenças possam agredir as pessoas a quem têm apego ou a elas próprias. Freqüentemente expressam medo anormal de se perderem e de jamais reverem seus pais.
Costumam evitar ir a qualquer lugar sozinhas. Essas crianças, segundo o Dr. Marco, são incapazes de permanecer num quarto sozinhas, podem relutar ou recusar-se a ir à escola ou a fazer outro tipo de atividade fora de casa. Andam juntos, como uma sombra, atrás dos pais, não só externamente, como por toda a casa.
Apresentam insegurança para dormir, insistindo para que alguém permaneça a seu lado até adormecerem. Costumam procurar a cama dos pais, de um irmão ou de outra pessoa significativa à noite, podendo haver pesadelos, cujos conteúdos expressam os temores fantasiosos da criança. Queixas somáticas, como dores abdominais, de cabeça, náuseas e vômitos são comuns quando a separação ocorre ou está próxima de ser concretizada.
Fora de casa, podem exibir retraimento social, tristeza, apatia ou dificuldade para concentrar-se no trabalho, estudo ou brincadeiras. Dependendo da idade, podem apresentar medo de animais, monstros, de escuro, de ladrões, de bandidos, de acidentes, seqüestradores, viagens aéreas, situações perigosas que podem envolver sua vida e de sua família. As preocupações com a morte e o morrer são comuns.
Quando extremamente perturbadas diante da perspectiva de separação, podem apresentar raiva ou às vezes agredir fisicamente a pessoa que está forçando a separação. As exigências excessivas da criança em relação à atenção, ao carinho e ao amor freqüentemente se transformam em uma fonte de frustração para os pais, provocando ressentimento e conflito na família.
sábado, 10 de outubro de 2009
A Separação dos Pais
Seria a separação entre casais um problema? Realmente, eu acredito que não. A maneira, os valores, a preocupação que o casal tem em administrar a vida a dois e, conseqüentemente, os filhos que chegam para solidificar um relacionamento, tudo isso é a base fundamental para que não ocorra a separação. Mas, se ao contrário, a união é conturbada, sem respeito, sem regras de boa convivência, com constantes conflitos, ciúmes, infidelidade, sobrecarga de funções somente para um, ausência das necessidades básicas para o casal e para os filhos, a separação se torna até uma solução.
Não queremos aqui levantar a bandeira ideológica de que um casal deve separar-se. O casal deve sim, pensar, quantas vezes forem necessárias, para assumir o compromisso do casamento e de ter sob sua responsabilidade a educação de uma criança. Costumamos ver crianças sofrendo muito, inclusive com depressão, por conta de um casamento desestruturado, no qual o adulto só pensa em si, esquecendo que, da união, nasceu alguém que precisa ter todas as necessidades atendidas. Presenciamos também filhos de pais separados desenvolvendo-se em perfeita harmonia com os pais, com as pessoas e com o mundo.
Portanto, o mínimo que o casal deve fazer é poupar a criança de sentimentos confusos, com os quais ela não está preparada para lidar. Um casamento que aparentemente deu certo, em que o casal mantém constante diálogo familiar, com respeito mútuo, pode ter, em determinadas fases, filhos com dificuldades de relacionamento, insegurança, rebeldia, agressividade, falta de limites etc.
Então, resta a pergunta: O que acontece com a separação? Acontece que, na maioria das vezes, ela não foi bem resolvida, questões primordiais ficaram pendentes, a criança está sendo envolvida mais do que deveria. Só pelo fato de ser filha do casal a envolve, mas os pais costumam usar a criança como peça de um jogo do qual ela não pode fazer parte. O casal, admitindo que a união não deve mais existir, tem que ser consciente de que o relacionamento não deu certo e por esta razão optaram por separar-se. Não podem ficar bombardeando a criança com as possíveis falhas de cada um.
A criança que gosta dos pais às vezes sente-se até culpada por amá-los, pois quando está com o pai, não consegue desfrutar de momentos simples e de brincadeiras sadias, porque precisa responder a um interrogatório sem fim sobre a mãe. Quando permanece com a mãe, ouve comentários desagradáveis sobre o pai, o que gera na criança dúvidas, insegurança, desespero, angústia, solidão e até depressão: Por que o pai só vem buscá-la no final de semana? Por que o pai de sua melhor amiga mora na mesma casa que ela? Por que eu fiquei com a minha mãe e não com meu pai? Por que será que quando meu pai está comigo permite tudo e minha mãe não? A mãe conta sua história, o pai a versão dele.
A criança não é culpada pelo relacionamento não atingir às expectativas. Portanto, o mínimo que o casal deve fazer é poupar a criança de sentimentos confusos, com os quais ela não está preparada para lidar.É comum o pai (ou mãe) permitir e realizar, num final de semana, tudo o que a criança gostaria de ter feito na semana. Como o tempo é curto, age de maneira inadequada com a criança, prejudicando sua educação.
Até nessas questões, o casal deve permanecer atento, dialogar, para definir o que será ou não permitido. A criança que permanece mais tempo com um dos cônjuges, respeitando regras, dormindo no horário adequado, não faltando às aulas, escovando dentes após as refeições, controlando alimentos como chocolates, doces e chicletes acredita que o que permite mais é melhor ou gosta mais da dela.
Quando acaba o final de semana, acontecem situações de conflito, porque toda educação da semana fica desestruturada em apenas dois dias. É necessário um esforço muito grande para que a criança retorne à rotina. Tudo isso pode e deve ser evitado pelos pais conscientes de sua responsabilidade, que devem dialogar sempre, buscando informações sobre como a criança passou durante a semana, se está sendo medicada, se pode tomar sol, sorvete etc.
Quem fica com a criança no final de semana deverá dar continuidade à rotina da semana, claro que com as exceções naturais que acontecem em qualquer sábado, domingo ou feriado.
Se a criança estuda, ambos devem comparecer em reuniões, datas comemorativas e eventos que contribuam para a formação e desenvolvimento dela. Quem irá comparecer à escola não é o ex-marido ou a ex-esposa, mas sim os pais da criança que, conscientes de suas obrigações, precisam ter o mínimo de respeito para juntos obterem informações ou participarem das experiências adquiridas no ambiente escolar.
O melhor que os pais podem fazer é continuar sendo pais e não mais marido e mulher. Eles podem não ter tido êxito no casamento, mas poderão ser bem sucedidos no desempenho do verdadeiro papel de pai e mãe.
O comportamento da criança é, basicamente, afetivo e irracional. Ela sente as coisas e não pensa sobre elas. A personalidade externa ainda não está plenamente integrada; o amor primitivo tem uma finalidade destrutiva, e a criança não aprendeu ainda a tolerar e dominar seus instintos. Ela poderá controlar tudo isso e muito mais se o ambiente for estável, pois precisa viver num círculo de amor, força e estabilidade. O bom exemplo já é meio caminho para a felicidade da futura vida conjugal da criança. É importante que os pais saibam mostrar à criança que continuam amigos e a separação não os impede de amarem cada vez mais o filho.
Vale registrar também aqui a separação por morte e também a questão particular das mães solteiras.
Ter um filho como produção independente é um assunto polêmico por natureza. Nosso objetivo não é julgar ou condenar essa opção. Temos sim a responsabilidade de sugerir a melhor maneira de esclarecer à criança os fatos reais de sua vida. Já vivenciamos situações em que a criança tinha quatro anos (primeiro ano na escola) e a mãe nunca havia falado sobre o assunto PAI. Quando questionada sobre o que falaria a seu filho na festa do Dia dos Pais, a mãe confessou: "não sei o que dizer nem como tocar nesse assunto!"
Casos como esse colocam a escola em uma situação muito delicada, pois o educador precisa sempre agir com muita cautela. Nem sempre a mãe está preparada para contar toda a verdade à criança, por uma série de razões que entendemos, mas que, acreditamos, não justifica a omissão.
No caso específico, sugerimos que a verdade fosse esclarecida da maneira mais simples possível.
A partir da revelação, a mãe deveria responder somente as dúvidas da criança. Ex.: "Filha, hoje eu vou lhe contar um segredo: algum tempo atrás, a mamãe conheceu uma pessoa (falar o nome dele) e com ela manteve um relacionamento. Durante esse relacionamento, a mamãe ficou grávida, mas a relação, o diálogo ou a nossa união já não estava dando tão certo, como imaginávamos que seria.
Portanto, a mamãe optou por cuidar de você sozinha e nunca mais viu essa pessoa que é o seu pai... Você está entendendo o que eu estou lhe dizendo? Quer perguntar alguma coisa sobre ele?" Estender o assunto, justificando passo a passo o porquê de ter ocultado a verdade, não vai aliviar os possíveis sentimentos confusos que a criança apresentará.
Ter paciência e aguardar um bombardeio de perguntas que provavelmente irá acontecer é um fato que deve ser encarado com muita naturalidade. Não se desvie do assunto quando a criança desejar respostas, que evidentemente você só as dará se souber. De preferência, pare tudo o que estiver fazendo, olhe nos olhos da criança e converse com ela esclarecendo que algumas questões poderão ficar sem respostas. Ex.: "Onde está o meu pai agora?" "Qual o endereço dele?"
Se a mãe optou por uma produção independente ou simplesmente perdeu o contato com o pai da criança há muito tempo, não conseguirá aliviar, a princípio, o sentimento de insegurança que a ausência de resposta causará. Também não é hora para culpas e desesperos (Por que eu não falei antes? Ah! se eu soubesse...).
Diga à criança: "A mamãe não sabe onde o seu pai está agora, nem sei o endereço dele. Quando a nossa união não deu certo ou quando a mamãe decidiu tomar conta de você, a mamãe já sabia que não teria o endereço do seu pai. A mamãe não brigou com ele, a mamãe só quis cuidar de você sozinha. Você está triste por isso?
Você quer falar alguma coisa para a mamãe? Você quer chorar?"
Se você estava consciente de que a produção independente era o que você queria, não dê a impressão à criança de que existiu algo mais, que tudo era maravilhoso. A VERDADE SEMPRE, por mais dura que possa parecer, é o melhor. Claro que aspectos como entonação de voz, o momento e o Iugar são primordiais para evitarmos qualquer trauma. Não é hora para falar sobre particularidades do pai, principalmente se não forem positivas. Afirmações do tipo "Deixei ele mesmo, porque me tratava mal" não vão contribuir para a maturidade da criança. O alívio, a sensação de bem-estar provocada pelo esclarecimento da verdade só vai fazer bem.
E quanto mais cedo melhor, porque a criança cresce sabendo da verdade e sabe que a mãe foi verdadeira. À medida que se desenvolve, as perguntas sobre o assunto poderão ser cada vez mais elaboradas, mas nunca carregadas de um sentimento de desconfiança, de cobrança. Em roda com os amigos, a questão PAI provavelmente fluirá de forma mais tranqüila e segura.
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Aurélio Bolsanello (médico e psicólogo) afirma: "A idade da criança, na época em que o pai ou a mãe se ausentam do lar, é importante. As fixações, liquidações e identificações pelas quais a criança precisa passar, e que constituem etapas necessárias para o desenvolvimento de sua personalidade, estão intimamente vinculadas às figuras parentais, ou seja, os pais.
O desaparecimento do pai é menos grave nos primeiros anos e mais nocivo a partir dos dois anos de idade, pois o sentimento da criança em relação ao pai constitui ingrediente necessário às forças complexas que contribuem à formação de seu caráter e de sua personalidade. Assim como a mãe representa na família o amor, o pai é para a criança o protótipo da autoridade. As crianças sentem se mais seguras, protegidas e, portanto, mais felizes quando submetidas a uma autoridade, baseada logicamente na justiça."
A mãe que cria o filho sozinha incorre geralmente num desses extremos: ou mima
exageradamente, tentando compensá-lo pela perda do pai, ou age com severidade excessiva para substituir o pai ausente. Nenhum dos dois extremos é bom, pois se a autoridade é exercida com demasiada brandura, dificilmente a criança poderá aprender a ter o comportamento e a seguir as normas de conduta que a sociedade exige ou espera.
Aquele que foi sufocado por excesso de autoridade geralmente reage com rancor, hostilidade e revolta, ou com extrema docilidade e submissão. Temos ainda a ausência de identificação, pois é necessário oferecer ao filho uma imagem para que possa aceitar plenamente a virilidade que o pai simboliza. Na ausência real do pai, um ou outro familiar, professor, ou figura representativa do sexo masculino poderá ajudar bastante. A criança que pertence a um lar que foi "destruído" se sente diferente, objeto de curiosidade e alvo de comentários de outras crianças, sempre curiosas por essa realidade.
Se a criança vier a ouvir da mãe ou de outra pessoa da família que o pai não gostava dela e que por isso a abandonou, aos poucos adquirirá sentimentos de inferioridade, acreditando que é por seu pouco valor que o pai se separou da mãe.
Se a mãe, tentando amenizar o "problema", alegar que se separou do esposo porque não se davam bem, a criança poderá desenvolver um sentimento de angústia e pensar que se ela não se comportar de acordo com as expectativas da mãe, esta poderá abandoná-la, assim como fez com o pai.
Quando a separação ocorre pouco depois do filho nascer, este poderá pensar que os pais se separaram por sua causa, podendo desenvolver sentimento de culpa e até comportamento agressivo. A mãe ou o pai tem obrigação de esclarecer, da maneira mais neutra e menos traumática possível, os verdadeiros motivos da separação.
Em maio de 1998, uma edição especial sobre o divórcio da revista Veja consultou alguns profissionais sobre o assunto. Eles esclareceram que, para crianças surpreendidas por uma notícia inesperada, o fim do casamento dos pais representa um dos períodos mais difíceis de suas vidas, mesmo que esta tenha sido a melhor solução para desavenças incontornáveis.
Os filhos passam a conviver sem a presença constante de um dos pais (normalmente o pai) e têm de lidar com situações desconhecidas e muitas vezes traumáticas, como ter duas casas para dormir, trocar de escola, amigos, mudar de bairro etc. Podem ainda ser submetidos a uma nova provação: adaptar-se a uma nova família. Fica cada vez mais comum morar com mãe e padrasto, pai e madrasta e meio-irmãos. Pelas características, essas novas famílias são chamadas por psicólogos e psiquiatras de famílias mosaicos ou reconstituídas.
Eles acreditam que elas são um grande avanço, pois são relações familiares mais honestas, porém, ainda permanecem intrigados sobre até que ponto esse tipo de família interfere na formação das crianças.
Alguns profissionais observam que a separação é sempre muito arriscada. "Até os cinco anos de idade, a criança pode sofrer com a separação, porque fica muito dependente e estabelece trocas somente com figuras próximas" - diz o psiquiatra infantil Alfredo Castro Neto, do Rio de Janeiro. Outros lembram que as novas uniões podem ser muito úteis para compensar os efeitos da separação. "Nas famílias reconstituídas, predomina a solidariedade entre os filhos por causa dos problemas semelhantes vividos e da idade geracional", afirma o psiquiatra Antônio Mourão Cavalcante, do Ceará.
Na verdade, não se pode concluir nada em definitivo sobre um tema tão complexo como esse. O estresse da separação faz com que os primeiros anos dessas novas famílias sejam os mais conturbados, pois pode acontecer de as crianças se tornarem menos amáveis, desorientadas, inibidas, um pouco agressivas, com conflitos de ordem emocional e /ou educacional.
As atitudes ou respostas que elas darão a essa nova situação, superando-a ou não, dependem da harmonia e qualidade da relação que manterão com os pais e da habilidade de que os pais precisarão para lidar com as inseguranças e "dificuldades" dos filhos.
veja também:
Não queremos aqui levantar a bandeira ideológica de que um casal deve separar-se. O casal deve sim, pensar, quantas vezes forem necessárias, para assumir o compromisso do casamento e de ter sob sua responsabilidade a educação de uma criança. Costumamos ver crianças sofrendo muito, inclusive com depressão, por conta de um casamento desestruturado, no qual o adulto só pensa em si, esquecendo que, da união, nasceu alguém que precisa ter todas as necessidades atendidas. Presenciamos também filhos de pais separados desenvolvendo-se em perfeita harmonia com os pais, com as pessoas e com o mundo.
Portanto, o mínimo que o casal deve fazer é poupar a criança de sentimentos confusos, com os quais ela não está preparada para lidar. Um casamento que aparentemente deu certo, em que o casal mantém constante diálogo familiar, com respeito mútuo, pode ter, em determinadas fases, filhos com dificuldades de relacionamento, insegurança, rebeldia, agressividade, falta de limites etc.
Então, resta a pergunta: O que acontece com a separação? Acontece que, na maioria das vezes, ela não foi bem resolvida, questões primordiais ficaram pendentes, a criança está sendo envolvida mais do que deveria. Só pelo fato de ser filha do casal a envolve, mas os pais costumam usar a criança como peça de um jogo do qual ela não pode fazer parte. O casal, admitindo que a união não deve mais existir, tem que ser consciente de que o relacionamento não deu certo e por esta razão optaram por separar-se. Não podem ficar bombardeando a criança com as possíveis falhas de cada um.
A criança que gosta dos pais às vezes sente-se até culpada por amá-los, pois quando está com o pai, não consegue desfrutar de momentos simples e de brincadeiras sadias, porque precisa responder a um interrogatório sem fim sobre a mãe. Quando permanece com a mãe, ouve comentários desagradáveis sobre o pai, o que gera na criança dúvidas, insegurança, desespero, angústia, solidão e até depressão: Por que o pai só vem buscá-la no final de semana? Por que o pai de sua melhor amiga mora na mesma casa que ela? Por que eu fiquei com a minha mãe e não com meu pai? Por que será que quando meu pai está comigo permite tudo e minha mãe não? A mãe conta sua história, o pai a versão dele.
A criança não é culpada pelo relacionamento não atingir às expectativas. Portanto, o mínimo que o casal deve fazer é poupar a criança de sentimentos confusos, com os quais ela não está preparada para lidar.É comum o pai (ou mãe) permitir e realizar, num final de semana, tudo o que a criança gostaria de ter feito na semana. Como o tempo é curto, age de maneira inadequada com a criança, prejudicando sua educação.
Até nessas questões, o casal deve permanecer atento, dialogar, para definir o que será ou não permitido. A criança que permanece mais tempo com um dos cônjuges, respeitando regras, dormindo no horário adequado, não faltando às aulas, escovando dentes após as refeições, controlando alimentos como chocolates, doces e chicletes acredita que o que permite mais é melhor ou gosta mais da dela.
Quando acaba o final de semana, acontecem situações de conflito, porque toda educação da semana fica desestruturada em apenas dois dias. É necessário um esforço muito grande para que a criança retorne à rotina. Tudo isso pode e deve ser evitado pelos pais conscientes de sua responsabilidade, que devem dialogar sempre, buscando informações sobre como a criança passou durante a semana, se está sendo medicada, se pode tomar sol, sorvete etc.
Quem fica com a criança no final de semana deverá dar continuidade à rotina da semana, claro que com as exceções naturais que acontecem em qualquer sábado, domingo ou feriado.
Se a criança estuda, ambos devem comparecer em reuniões, datas comemorativas e eventos que contribuam para a formação e desenvolvimento dela. Quem irá comparecer à escola não é o ex-marido ou a ex-esposa, mas sim os pais da criança que, conscientes de suas obrigações, precisam ter o mínimo de respeito para juntos obterem informações ou participarem das experiências adquiridas no ambiente escolar.
O melhor que os pais podem fazer é continuar sendo pais e não mais marido e mulher. Eles podem não ter tido êxito no casamento, mas poderão ser bem sucedidos no desempenho do verdadeiro papel de pai e mãe.
O comportamento da criança é, basicamente, afetivo e irracional. Ela sente as coisas e não pensa sobre elas. A personalidade externa ainda não está plenamente integrada; o amor primitivo tem uma finalidade destrutiva, e a criança não aprendeu ainda a tolerar e dominar seus instintos. Ela poderá controlar tudo isso e muito mais se o ambiente for estável, pois precisa viver num círculo de amor, força e estabilidade. O bom exemplo já é meio caminho para a felicidade da futura vida conjugal da criança. É importante que os pais saibam mostrar à criança que continuam amigos e a separação não os impede de amarem cada vez mais o filho.
Vale registrar também aqui a separação por morte e também a questão particular das mães solteiras.
Ter um filho como produção independente é um assunto polêmico por natureza. Nosso objetivo não é julgar ou condenar essa opção. Temos sim a responsabilidade de sugerir a melhor maneira de esclarecer à criança os fatos reais de sua vida. Já vivenciamos situações em que a criança tinha quatro anos (primeiro ano na escola) e a mãe nunca havia falado sobre o assunto PAI. Quando questionada sobre o que falaria a seu filho na festa do Dia dos Pais, a mãe confessou: "não sei o que dizer nem como tocar nesse assunto!"
Casos como esse colocam a escola em uma situação muito delicada, pois o educador precisa sempre agir com muita cautela. Nem sempre a mãe está preparada para contar toda a verdade à criança, por uma série de razões que entendemos, mas que, acreditamos, não justifica a omissão.
No caso específico, sugerimos que a verdade fosse esclarecida da maneira mais simples possível.
A partir da revelação, a mãe deveria responder somente as dúvidas da criança. Ex.: "Filha, hoje eu vou lhe contar um segredo: algum tempo atrás, a mamãe conheceu uma pessoa (falar o nome dele) e com ela manteve um relacionamento. Durante esse relacionamento, a mamãe ficou grávida, mas a relação, o diálogo ou a nossa união já não estava dando tão certo, como imaginávamos que seria.
Portanto, a mamãe optou por cuidar de você sozinha e nunca mais viu essa pessoa que é o seu pai... Você está entendendo o que eu estou lhe dizendo? Quer perguntar alguma coisa sobre ele?" Estender o assunto, justificando passo a passo o porquê de ter ocultado a verdade, não vai aliviar os possíveis sentimentos confusos que a criança apresentará.
Ter paciência e aguardar um bombardeio de perguntas que provavelmente irá acontecer é um fato que deve ser encarado com muita naturalidade. Não se desvie do assunto quando a criança desejar respostas, que evidentemente você só as dará se souber. De preferência, pare tudo o que estiver fazendo, olhe nos olhos da criança e converse com ela esclarecendo que algumas questões poderão ficar sem respostas. Ex.: "Onde está o meu pai agora?" "Qual o endereço dele?"
Se a mãe optou por uma produção independente ou simplesmente perdeu o contato com o pai da criança há muito tempo, não conseguirá aliviar, a princípio, o sentimento de insegurança que a ausência de resposta causará. Também não é hora para culpas e desesperos (Por que eu não falei antes? Ah! se eu soubesse...).
Diga à criança: "A mamãe não sabe onde o seu pai está agora, nem sei o endereço dele. Quando a nossa união não deu certo ou quando a mamãe decidiu tomar conta de você, a mamãe já sabia que não teria o endereço do seu pai. A mamãe não brigou com ele, a mamãe só quis cuidar de você sozinha. Você está triste por isso?
Você quer falar alguma coisa para a mamãe? Você quer chorar?"
Se você estava consciente de que a produção independente era o que você queria, não dê a impressão à criança de que existiu algo mais, que tudo era maravilhoso. A VERDADE SEMPRE, por mais dura que possa parecer, é o melhor. Claro que aspectos como entonação de voz, o momento e o Iugar são primordiais para evitarmos qualquer trauma. Não é hora para falar sobre particularidades do pai, principalmente se não forem positivas. Afirmações do tipo "Deixei ele mesmo, porque me tratava mal" não vão contribuir para a maturidade da criança. O alívio, a sensação de bem-estar provocada pelo esclarecimento da verdade só vai fazer bem.
E quanto mais cedo melhor, porque a criança cresce sabendo da verdade e sabe que a mãe foi verdadeira. À medida que se desenvolve, as perguntas sobre o assunto poderão ser cada vez mais elaboradas, mas nunca carregadas de um sentimento de desconfiança, de cobrança. Em roda com os amigos, a questão PAI provavelmente fluirá de forma mais tranqüila e segura.
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Aurélio Bolsanello (médico e psicólogo) afirma: "A idade da criança, na época em que o pai ou a mãe se ausentam do lar, é importante. As fixações, liquidações e identificações pelas quais a criança precisa passar, e que constituem etapas necessárias para o desenvolvimento de sua personalidade, estão intimamente vinculadas às figuras parentais, ou seja, os pais.
O desaparecimento do pai é menos grave nos primeiros anos e mais nocivo a partir dos dois anos de idade, pois o sentimento da criança em relação ao pai constitui ingrediente necessário às forças complexas que contribuem à formação de seu caráter e de sua personalidade. Assim como a mãe representa na família o amor, o pai é para a criança o protótipo da autoridade. As crianças sentem se mais seguras, protegidas e, portanto, mais felizes quando submetidas a uma autoridade, baseada logicamente na justiça."
A mãe que cria o filho sozinha incorre geralmente num desses extremos: ou mima
exageradamente, tentando compensá-lo pela perda do pai, ou age com severidade excessiva para substituir o pai ausente. Nenhum dos dois extremos é bom, pois se a autoridade é exercida com demasiada brandura, dificilmente a criança poderá aprender a ter o comportamento e a seguir as normas de conduta que a sociedade exige ou espera.
Aquele que foi sufocado por excesso de autoridade geralmente reage com rancor, hostilidade e revolta, ou com extrema docilidade e submissão. Temos ainda a ausência de identificação, pois é necessário oferecer ao filho uma imagem para que possa aceitar plenamente a virilidade que o pai simboliza. Na ausência real do pai, um ou outro familiar, professor, ou figura representativa do sexo masculino poderá ajudar bastante. A criança que pertence a um lar que foi "destruído" se sente diferente, objeto de curiosidade e alvo de comentários de outras crianças, sempre curiosas por essa realidade.
Se a criança vier a ouvir da mãe ou de outra pessoa da família que o pai não gostava dela e que por isso a abandonou, aos poucos adquirirá sentimentos de inferioridade, acreditando que é por seu pouco valor que o pai se separou da mãe.
Se a mãe, tentando amenizar o "problema", alegar que se separou do esposo porque não se davam bem, a criança poderá desenvolver um sentimento de angústia e pensar que se ela não se comportar de acordo com as expectativas da mãe, esta poderá abandoná-la, assim como fez com o pai.
Quando a separação ocorre pouco depois do filho nascer, este poderá pensar que os pais se separaram por sua causa, podendo desenvolver sentimento de culpa e até comportamento agressivo. A mãe ou o pai tem obrigação de esclarecer, da maneira mais neutra e menos traumática possível, os verdadeiros motivos da separação.
Em maio de 1998, uma edição especial sobre o divórcio da revista Veja consultou alguns profissionais sobre o assunto. Eles esclareceram que, para crianças surpreendidas por uma notícia inesperada, o fim do casamento dos pais representa um dos períodos mais difíceis de suas vidas, mesmo que esta tenha sido a melhor solução para desavenças incontornáveis.
Os filhos passam a conviver sem a presença constante de um dos pais (normalmente o pai) e têm de lidar com situações desconhecidas e muitas vezes traumáticas, como ter duas casas para dormir, trocar de escola, amigos, mudar de bairro etc. Podem ainda ser submetidos a uma nova provação: adaptar-se a uma nova família. Fica cada vez mais comum morar com mãe e padrasto, pai e madrasta e meio-irmãos. Pelas características, essas novas famílias são chamadas por psicólogos e psiquiatras de famílias mosaicos ou reconstituídas.
Eles acreditam que elas são um grande avanço, pois são relações familiares mais honestas, porém, ainda permanecem intrigados sobre até que ponto esse tipo de família interfere na formação das crianças.
Alguns profissionais observam que a separação é sempre muito arriscada. "Até os cinco anos de idade, a criança pode sofrer com a separação, porque fica muito dependente e estabelece trocas somente com figuras próximas" - diz o psiquiatra infantil Alfredo Castro Neto, do Rio de Janeiro. Outros lembram que as novas uniões podem ser muito úteis para compensar os efeitos da separação. "Nas famílias reconstituídas, predomina a solidariedade entre os filhos por causa dos problemas semelhantes vividos e da idade geracional", afirma o psiquiatra Antônio Mourão Cavalcante, do Ceará.
Na verdade, não se pode concluir nada em definitivo sobre um tema tão complexo como esse. O estresse da separação faz com que os primeiros anos dessas novas famílias sejam os mais conturbados, pois pode acontecer de as crianças se tornarem menos amáveis, desorientadas, inibidas, um pouco agressivas, com conflitos de ordem emocional e /ou educacional.
As atitudes ou respostas que elas darão a essa nova situação, superando-a ou não, dependem da harmonia e qualidade da relação que manterão com os pais e da habilidade de que os pais precisarão para lidar com as inseguranças e "dificuldades" dos filhos.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Mordidas
Depois dos seis meses, os primeiros dentinhos começam a nascer. A coceira e a pressão na gengiva deixam o bebê bastante incomodado, exigindo da mãe e/ou responsáveis muita paciência e atenção. É comum a criança morder o queixo da mãe, tentando amenizar o desconforto. Esse comportamento faz parte do seu desenvolvimento.
Quando os dentes já estiverem formados, por volta dos dois anos, essa necessidade deixa de existir.
Crianças entre um e dois anos estão sujeitas a passar por essa fase de mordidas, que é um comportamentopassageiro, e na maioria das vezes uma manifestação natural da agressividade, geralmente a primeira delas. Crianças que mordem, brigam e trocam tapas entre si costumam preocupar bastante os pais. Sabemos que a situação não é fácil, mas sempre existe solução, que evidentemente começa em casa.
A criança que morde um colega está, na verdade, extravasando uma emoção que desejaria dirigir contra outra pessoa, diante da qual está se sentindo indefesa (amiguinho, professor, irmão mais velho) ou procura uma forma de lidar com a frustração. A mordida funciona como uma maneira satisfatória da criança dizer que não é mais um bebê indefeso.
Persistir no erro comum de devolver a mordida, para que a criança saiba avaliar o quanto doeu, freqüentemente tem um efeito contrário, pois a criança pode se tornar mais agressiva. O diálogo franco é mais eficiente, possibilitando saber o que a criança está sentindo, esclarecer que não é correto ferir as pessoas, demonstrar compreensão, mostrar na prática como age quando fica com raiva: batendo palmas com força, pulando, dançando etc.
Pode parecer que a criança, principalmente a menor de três anos, não irá entender, mas com certeza estará assimilando tudo que o adulto disser e aceitará as atitudes. O contato corporal é muito importante. Abraçando a criança com mais freqüência, você estará elevando sua auto-estima.
Tentar descobrir a origem do "problema" é a primeira atitude a ser tomada, pois pode ter causas orgânicas, emocionais ou ambas. Daí a necessidade de permanecermos atentos ao comportamento e às mudanças de humor. A criança pode ser hiperativa, não conseguindo controlar sua atenção numa única atividade, fazendo várias coisas são mesmo tempo, machucando se ou quebrando objetos a sua volta.
Para confirmar ou descartar a síndrome da hiperatividade, a criança deverá ser submetida a exames, pois pode ter se tornado hiperativa em função do meio em que vive (ansiedade e super proteção dos pais) e no caso de situações mais complexas, devido a problemas neurológicos.
Muitas crianças agressivas agem desse modo porque os adultos, inconscientemente, satisfazem todas as vontades da criança, incentivando esse comportamento.
A questão do limite não foi definida pela família e as crianças não aprenderam a respeitar os outros, acreditando que seus desejos e necessidades são mais importantes. São os casos típicos de crianças que agridem, batem, mordem sem cerimônia, pois os responsáveis não interferem, deixando que a agressão prossiga. Justificam a atitude com a frase: meu filho é impossível
Nessa situação, há total ausência de limites e de uma boa educação.
É natural que os filhos testem a autoridade e paciência dos pais e/ou responsáveis, em alguns casos até para chamar a atenção, mas os pais não devem se esquecer de permanecerem atentos ao comportamento da criança e a tudo que ocorre a sua volta, pois quem não sabe impor limites precisa repensar seus valores.
Por vezes nos questionamos: existem crianças más? A psicóloga Ana Gray esclarece que, embora não seja comum, há crianças que nascem com a tendência de praticar maldade. Essa característica está presente em seu código genético e, dependendo do meio em que as crianças são criadas, o comportamento pode ou não ser estimulado. Crianças com essas características costumam maltratar animais ou fazer brincadeiras perversas com os colegas, que machucam ou magoam de verdade.
Nesses casos, é necessária a intervenção de um psicólogo e da família, sensibilizando a criança a canalizar suas energias para outras atividades como brincadeiras, esporte, contato com a natureza, mostrando que não existe prazer em provocar dor nas pessoas e nos animais. Não existem receitas prontas para se tratar uma criança agressiva.
Amor, carinho, compreensão, ajuda de profissionais, sensibilidade e bom senso da família podem ajudar a devolver a tranqüilidade, equilíbrio e maturidade para que a criança cresça segura e feliz.
Muitas criança agressivas agem desse modo porque os adultos, inconscientemente, satisfazem todas as necessidades da criança, incentivando esse comportamento.
Quando os dentes já estiverem formados, por volta dos dois anos, essa necessidade deixa de existir.
Crianças entre um e dois anos estão sujeitas a passar por essa fase de mordidas, que é um comportamentopassageiro, e na maioria das vezes uma manifestação natural da agressividade, geralmente a primeira delas. Crianças que mordem, brigam e trocam tapas entre si costumam preocupar bastante os pais. Sabemos que a situação não é fácil, mas sempre existe solução, que evidentemente começa em casa.
A criança que morde um colega está, na verdade, extravasando uma emoção que desejaria dirigir contra outra pessoa, diante da qual está se sentindo indefesa (amiguinho, professor, irmão mais velho) ou procura uma forma de lidar com a frustração. A mordida funciona como uma maneira satisfatória da criança dizer que não é mais um bebê indefeso.
Persistir no erro comum de devolver a mordida, para que a criança saiba avaliar o quanto doeu, freqüentemente tem um efeito contrário, pois a criança pode se tornar mais agressiva. O diálogo franco é mais eficiente, possibilitando saber o que a criança está sentindo, esclarecer que não é correto ferir as pessoas, demonstrar compreensão, mostrar na prática como age quando fica com raiva: batendo palmas com força, pulando, dançando etc.
Pode parecer que a criança, principalmente a menor de três anos, não irá entender, mas com certeza estará assimilando tudo que o adulto disser e aceitará as atitudes. O contato corporal é muito importante. Abraçando a criança com mais freqüência, você estará elevando sua auto-estima.
Tentar descobrir a origem do "problema" é a primeira atitude a ser tomada, pois pode ter causas orgânicas, emocionais ou ambas. Daí a necessidade de permanecermos atentos ao comportamento e às mudanças de humor. A criança pode ser hiperativa, não conseguindo controlar sua atenção numa única atividade, fazendo várias coisas são mesmo tempo, machucando se ou quebrando objetos a sua volta.
Para confirmar ou descartar a síndrome da hiperatividade, a criança deverá ser submetida a exames, pois pode ter se tornado hiperativa em função do meio em que vive (ansiedade e super proteção dos pais) e no caso de situações mais complexas, devido a problemas neurológicos.
Muitas crianças agressivas agem desse modo porque os adultos, inconscientemente, satisfazem todas as vontades da criança, incentivando esse comportamento.
A questão do limite não foi definida pela família e as crianças não aprenderam a respeitar os outros, acreditando que seus desejos e necessidades são mais importantes. São os casos típicos de crianças que agridem, batem, mordem sem cerimônia, pois os responsáveis não interferem, deixando que a agressão prossiga. Justificam a atitude com a frase: meu filho é impossível
Nessa situação, há total ausência de limites e de uma boa educação.
É natural que os filhos testem a autoridade e paciência dos pais e/ou responsáveis, em alguns casos até para chamar a atenção, mas os pais não devem se esquecer de permanecerem atentos ao comportamento da criança e a tudo que ocorre a sua volta, pois quem não sabe impor limites precisa repensar seus valores.
Por vezes nos questionamos: existem crianças más? A psicóloga Ana Gray esclarece que, embora não seja comum, há crianças que nascem com a tendência de praticar maldade. Essa característica está presente em seu código genético e, dependendo do meio em que as crianças são criadas, o comportamento pode ou não ser estimulado. Crianças com essas características costumam maltratar animais ou fazer brincadeiras perversas com os colegas, que machucam ou magoam de verdade.
Nesses casos, é necessária a intervenção de um psicólogo e da família, sensibilizando a criança a canalizar suas energias para outras atividades como brincadeiras, esporte, contato com a natureza, mostrando que não existe prazer em provocar dor nas pessoas e nos animais. Não existem receitas prontas para se tratar uma criança agressiva.
Amor, carinho, compreensão, ajuda de profissionais, sensibilidade e bom senso da família podem ajudar a devolver a tranqüilidade, equilíbrio e maturidade para que a criança cresça segura e feliz.
Muitas criança agressivas agem desse modo porque os adultos, inconscientemente, satisfazem todas as necessidades da criança, incentivando esse comportamento.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Agressividade
A agressividade é um " comportamento inesperado" que preocupa pais, educadores e a sociedade de modo geral. É tão complexo e com diferentes variáveis que seria muita pretensão querer esclarecê-lo de forma completa, satisfazendo a necessidade de todos os leitores.
O que pode ficar registrado, antes de qualquer explicação mais detalhada, é que um comportamento agressivo é construído nas relações e interações como ambiente. Quando um bebê nasce, é comum nos com a seguinte indagação: com quem ele se parece? Aparência não está bem definida e as características estas aparecem no decorrer do caminho.
Não se pode afirmar que as crianças crescem de acordo com um padrão biológico genético, nem que são os adultos que moldam a sua personalidade, porque na verdade já descobrimos que temos alguns comportamentos inatos e outros aprendidos.
Com base em anos de pesquisa, psicólogos mapearam nove categorias de comportamentos influenciados pelo temperamento, que o Dr. Peter A. Gorski, do Pampers Institute, descreve da seguinte maneira: temperamentos podem ser classificados pelos tipos superior, médio ou inferior, mas nenhum é considerado necessariamente bom ou mau.
O temperamento pode ser definido como a reação que cada pessoa apresenta diante das situações da vida. Esta reação é única em cada indivíduo. A parte inata da personalidade, determinada pelos genes, é o temperamento. O temperamento não está ligado à inteligência.
Cada pessoa, independentemente da idade, nível de inteligência e nível de capacidade física, possui uma tendência natural para responder a estímulos em graus variados, o que se refletirá no temperamento. Daí a importância da combinação entre temperamento da pessoa e seu ambiente físico e social.
Nível de atividade
Agitado ou tranqüilo: algumas pessoas estão sempre calmas, enquanto outras parecem estar em constante agitação.
Humor
Um copo metade vazio ou metade cheio: algumas pessoas nascem otimistas, outras nunca vêem o lado positivo das situações.
Reações
Pavio curto ou tranqüilo: algumas pessoas explodem ou ficam inconsoláveis diante de um problema. Quando tudo corre bem, não há controle da empolgação. Outros já reagem ao mundo com menos intensidade, em situações agradáveis ou não.
Ritmo
Metódico ou não: apresentam variação na regularidade, previsibilidade e consistência nos hábitos pessoais. Extrovertida ou introvertida Primeiras impressões: há pessoas que são mais interessadas do que outras em fazer novas amizades, viajar, realizar novas atividades.
Adaptabilidade
Surpreso ou chocado: mudanças podem deixar algumas pessoas desnorteadas e outras mais cautelosas.
Sensibilidade auditiva
Música ou barulho: algumas pessoas parecem ser mais sensíveis ou menos tolerantes a sons muito altos, barulheira ou outros estímulos auditivos.
Atenção ou persistência
Desiste facilmente ou vai fundo: algumas pessoas se envolvem em um projeto ou idéias e se empenham até o fim, outras desistem mais facilmente quando se deparam com obstáculos.
Capacidade de se distrair facilmente
No mundo da lua: algumas pessoas precisam de paz e silêncio para trabalhar, pois se distraem facilmente. Outras conseguem ignorar as interferências e dar prosseguimento a uma tarefa sem grandes problemas.
O temperamento do bebê
Procurar ter em mente que o temperamento da criança é único ajuda a respeitá-la como indivíduo. Conhecendo e compreendendo o temperamento da criança, a convivência é harmoniosa, pois com a assistência dos pais a criança aprende a viver em sociedade.
Dessa forma, ela crescerá mais confiante em si mesma, alcançando sucesso e felicidade, principalmente se tiver oportunidade de brincar, trabalhar e viver da sua maneira. Há crianças que desde bem pequenas agridem outras crianças, até maiores, no playground; enfrentam a autoridade dos pais; quando ingressam na escola, não se concentram em nada; gritam, esperneiam por qualquer motivo ou sem motivo, na rua, na escola ou em qualquer lugar; têm crises temperamentais, jogam para longe peças de jogos que não conseguem montar, não querem comer na hora adequada, recusam alimentos e jogam-nos no chão etc.
Quando um adulto, pai ou educador, diante de situações como as descritas, afirmam que a criança é muito difícil, não devem esquecer que criança é muito mais esperta do que aparenta ser e que pode tirar proveito disso. Quando uma criança bate nos pais, não se deve devolver a agressão nem ignorar esse tipo de comportamento. Deve-se dizer com firmeza "Não pode bater".
A agressão desse tipo, principalmente em crianças bem pequenas, mostra que elas estão sobrecarregadas. Só os pais podem dar a oportunidade para que elas se controlem. É importante abraçar a criança, acalmando-a, evitando que ela bata em outras pessoas.
Sempre que perceber que a criança está ficando irritada, é importante distrai la. Crianças nessa fase pensam de maneira bem egocêntrica - tudo gira em tomo delas, e acreditam ser o centro do universo - o que não é egoísmo, mas apenas uma visão limitada do mundo. Recompensar positivamente um comportamento adequado (sem chantagens) é melhor do que repreensões constantes por mau comportamento.
Também pode ser que essas atitudes sejam um reflexo do que está se passando ao redor dela, como algum tipo de mudança no ambiente familiar. Pai e mãe, juntos, devem ter todo cuidado ao educar um filho: começar, desde muito cedo, a implantar regras de comportamento, não como imposição, mas como um processo natural.
A criança deve aprender, ainda bem pequena, até aonde vão seus limites, que existem horários estabelecidos para tudo e que o NÃO deve ser respeitado. Aos pais também cabe aprender até aonde vão os limites de autoridade. Eles precisam respeitar as limitações da criança.
Exigir determinados comportamentos sem que a criança esteja tranqüila, querendo que ela cante, repita frases, conte piadinhas (...) ou simplesmente participe de situações sociais, quando na verdade o que deseja é uma sopinha quente ou uma caminha macia, são situações que não devem acontecer.
Atitudes assim podem desencadear acessos de raiva, pois ás crianças sentem-se frustradas, o que é muito comum. Com o desenvolvimento da linguagem, os acessos diminuem, pois a criança aprende a expressar seus sentimentos. A melhor abordagem de disciplina para crianças bem pequenas é o controle do ambiente.
É importante que as crianças toquem todos os tipos de coisas. Só assim elas vão aprender. É evidente que os cuidados para que a criança não se machuque nem quebre algo de valor são necessários, pois discurso não funciona com elas. Caso os pais não queiram que a criança mexa em algo, simplesmente devem retirar o objeto, colocando o longe do alcance dela. A estratégia dos pais ou educadores vai mudando à medida que a criança amadurece e consegue entender as conseqüências de seus atos.
Mesmo porque disciplinar significa ensinar e não castigar. Por volta dos três anos, três anos e meio, é bastante comum as crianças apresentarem condutas agressivas em relação aos adultos e às outras crianças, com mordidas, empurrões, chutes etc. Nessa fase, podemos afirmar que essa agressividade é essencialmente manipulativa, ou seja, a criança agride os outros para alcançar determinados interesses, por exemplo: para ganhar um brinquedo, para se defender durante a disputa por um objeto, pela atenção exclusiva da educadora ou simplesmente para ser o primeiro da fila. Esse tipo de conduta é a maneira que a criança encontra para controlar o ambiente e satisfazer suas necessidades.
Podemos dizer que a agressividade não é algo próprio da natureza das crianças e sim um tipo de comportamento que tem uma função no desenvolvimento delas. A agressividade não desaparece de uma hora para outra, como num passe de mágica. A criança aprende com os adultos que existem outras formas de se defender e obter aquilo que lhe interessa.
Quando os pais ou educadores esclarecem à criança que não é necessário tirar dos colegas os brinquedos, mas que é possível pedir para brincar com eles ou chegar a um acordo sobre como dividi-los, estão ensinando sobre as ESTRATÉGIAS SOCIAIS, que podem substituir naturalmente condutas agressivas.
Se essas estratégias se mostram eficazes, gradualmente a criança aprende a negociar. Se a família e/ou escolha valorizam e incentivam essas atitudes, aos poucos a conduta agressiva ameniza-se e passa a ser menos freqüente que as outras formas de controlar o ambiente. As brigas e as disputas violentas vão se tornando menos freqüentes com o passar do tempo e eventualmente irão acontecer em situações extremas, como num caso de ofensa muito grave.
Podemos dizer que a agressividade não é algo próprio da natureza das crianças e sim um tipo de comportamento que tem uma função no desenvolvimento delas. Assim como a criança aprendeu determinado tipo de comportamento (bater num colega, porque observou essa atitude em outras pessoas) ela pode substituí-lo por outras condutas.
Quando condutas agressivas tornam-se um padrão freqüente de comportamento e persistem com o tempo, é necessário verificar os motivos e rever o histórico da criança. Juntos, família, escola e demais profissionais envolvidos vão encontrar uma forma de lidar com essas condutas, estimulando a interação e o convívio social, evitan do que esses comportamentos possam se transformar em um "problema" mais sério na adolescência e na vida.
Antes de "rotular" uma criança como "agressiva", é preciso pensar: será que a educação que ela vem recebendo não é responsável por essas atuais condutas? Até que ponto o temperamento pode justificar tanta rebeldia? Esses comportamentos apresentados são próprios dessa idade? A criança está bem adaptada à escola? Nasceu um (a) irmãozinho(a)? O casal discute com freqüência na frente dela? O(A) educador(a) é autoritário (a) ? Quando nos recordamos dos tempos de correções excessivas, ditadas pela mentalidade violenta e autoritária que dominava a pedagogia de uma época, costumamos nos questionar: será que saímos do autoritarismo traumatizante para viver na tolerância excessiva no que diz respeito à educação de forma geral? Perdemos a consciência de limites? Hesitamos em fazer valer sobre os filhos a autoridade? Temos medo de sermos rejeitados por nossos filhos? A figura paterna está em segundo plano? Filhos não possuem referencial masculino? A palavra de ordem é permissividade? Em que estou errando?
Fazendo um pequeno esforço, é possível nos lembrarmos de histórias sobre a falta de autoridade dos pais em relação aos filhos: crianças que batem nos pais, exigem brinquedos ou alimentos no horário e local de sua escolha, fazem o que têm vontade, xingam os pais e usam e abusam da chantagem. Há uma série de condutas dos pais que podem ser chamadas de "condutas de risco" para o desenvolvimento de padrões agressivos de comportamento nos filhos.
Uma dessas condutas é quando os pais rejeitam a criança, deixando evidente que ela não foi planejada, nem esperada; não é amada ou que ninguém se importa por algo que possa lhe acontecer. Outra conduta é a inconsistência na forma de colocar limites: os pais são permissivos demais, deixando que a criança faça tudo que deseja e, em outras ocasiões, apresentam-se autoritários, inflexíveis, fazendo uso de punições.
A criança sente-se confusa, insegura, impossibilitada de perceber o que é ou não aceitável. Também encontramos alguns pais que estimulam a conduta agressiva, principalmente para resolução de conflitos. Às vezes, a distorção de opiniões ocorre na fase pré-escolar, pois a escola segue uma linha de pensamento e a família outra.
Isso pode trazer conseqüências desagradáveis para a criança. Crianças que assistem a cenas violentas ou são vítimas da violência dos pais podem acreditar que essas atitudes são aceitáveis, julgando tais ações como naturais para lidar com frustração, raiva ou insegurança. Na verdade, toda a violência pode exercer uma influência decisiva no comportamento da criança.
Um educador autoritário, que estimule a rivalidade; que exponha a criança à turma ou a outros educadores diante de qualquer incidente; que compara atitudes, evidenciando pontos positivos de uns e ressaltando pontos negativos de outros pode também gerar ansiedade, insegurança, rebeldia e conflitos de relação entre grupos. Acontecem situações em que o educador não está seguro para lidar com agressividade, o que é natural e aceitável, porque, na verdade, quem está preparado para ser agredido?
O pai, a mãe e o educador sabem que é possível vivenciar atitudes agressivas, mas nunca esperam que possam fazer parte do histórico de seu filho ou aluno, principalmente nessa fase, como temos constatado. A criança envolvida pode adotar uma atitude de defesa, sentindo-se cada vez mais frustrada por não conseguir o apoio de alguém que poderia ajudá-la e torna-se até mais agressiva.
A violência também é uma preocupação constante entre pais e educadores. Márcio Schiavo, consultor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef coordenou uma pesquisa em que buscava esclarecer o conteúdo dos games preferidos pelas crianças (videogames) ) e o resultado foi preocupante: a maioria dos games faz com que a criança assuma o papel de matador. Muitos defensores desses jogos afirmam que brincadeiras violentas sempre existiram. É preciso deixar claro, porém, que por vezes a criança nem está jogando, apenas acompanhando um adulto ou irmão que se trancam no quarto por horas e chegam a "matar" 400 pessoas.
Quanto mais "matam", mais se destacam como "heróis". Alguns pais chegam a afirmar, em campanhas de desarmamento, que não é o objeto arma que faz com que a criança fique violenta. Concordamos com isso, pois no jogo simbólico a criança se utiliza de um pedaço de madeira, uma peça de um jogo, os dedos polegar e indicador para representar um revólver, simbolizando-o com uma diversidade de objetos.
No entanto, o principal problema é o desenvolvimento do conceito de agressividade sem conseqüências, ou melhor, o conceito de agressão recompensada. Além de não existir por parte dos pais (com raríssimas exceções) nenhuma restrição quanto ao hábito de jogar, seja em relação ao tempo, à freqüência ou ao gênero escolhido, a criança pequena, que ainda não domina o game e admira o irmão, o pai, o tio, vivencia a experiência, acha natural toda exposição à violência.
Devemos educar os filhos para o videogame, assim como os educamos para o computador e a televisão, que também mostra cenas violentas com freqüência, ultimamente as narrativas de seqüestros que acontecem a todo instante em nosso país. A criança precisa estar ciente dos valores de sua família, mesmo porque uma criança, que está em constante desenvolvimento, não pode passar tantas horas em frente a um jogo, em posições geralmente inadequadas à sua postura.
Necessita sim, correr, conversar, brincar, pedalar, jogar bola, atividades que possibilitam novas e significativas experiências. Educar é uma missão complicada, que incorre em erros e acertos, mas vale a pena tentar e insistir, pois a criança percebe o empenho da família e vai superando mais rápido algumas fases críticas de sua vida. Crianças que assistem a cenas violentas ou são vítimas da violência dos pais podem acreditar que essas atitudes são aceitáveis (...)
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O que pode ficar registrado, antes de qualquer explicação mais detalhada, é que um comportamento agressivo é construído nas relações e interações como ambiente. Quando um bebê nasce, é comum nos com a seguinte indagação: com quem ele se parece? Aparência não está bem definida e as características estas aparecem no decorrer do caminho.
Não se pode afirmar que as crianças crescem de acordo com um padrão biológico genético, nem que são os adultos que moldam a sua personalidade, porque na verdade já descobrimos que temos alguns comportamentos inatos e outros aprendidos.
Com base em anos de pesquisa, psicólogos mapearam nove categorias de comportamentos influenciados pelo temperamento, que o Dr. Peter A. Gorski, do Pampers Institute, descreve da seguinte maneira: temperamentos podem ser classificados pelos tipos superior, médio ou inferior, mas nenhum é considerado necessariamente bom ou mau.
O temperamento pode ser definido como a reação que cada pessoa apresenta diante das situações da vida. Esta reação é única em cada indivíduo. A parte inata da personalidade, determinada pelos genes, é o temperamento. O temperamento não está ligado à inteligência.
Cada pessoa, independentemente da idade, nível de inteligência e nível de capacidade física, possui uma tendência natural para responder a estímulos em graus variados, o que se refletirá no temperamento. Daí a importância da combinação entre temperamento da pessoa e seu ambiente físico e social.
Nível de atividade
Agitado ou tranqüilo: algumas pessoas estão sempre calmas, enquanto outras parecem estar em constante agitação.
Humor
Um copo metade vazio ou metade cheio: algumas pessoas nascem otimistas, outras nunca vêem o lado positivo das situações.
Reações
Pavio curto ou tranqüilo: algumas pessoas explodem ou ficam inconsoláveis diante de um problema. Quando tudo corre bem, não há controle da empolgação. Outros já reagem ao mundo com menos intensidade, em situações agradáveis ou não.
Ritmo
Metódico ou não: apresentam variação na regularidade, previsibilidade e consistência nos hábitos pessoais. Extrovertida ou introvertida Primeiras impressões: há pessoas que são mais interessadas do que outras em fazer novas amizades, viajar, realizar novas atividades.
Adaptabilidade
Surpreso ou chocado: mudanças podem deixar algumas pessoas desnorteadas e outras mais cautelosas.
Sensibilidade auditiva
Música ou barulho: algumas pessoas parecem ser mais sensíveis ou menos tolerantes a sons muito altos, barulheira ou outros estímulos auditivos.
Atenção ou persistência
Desiste facilmente ou vai fundo: algumas pessoas se envolvem em um projeto ou idéias e se empenham até o fim, outras desistem mais facilmente quando se deparam com obstáculos.
Capacidade de se distrair facilmente
No mundo da lua: algumas pessoas precisam de paz e silêncio para trabalhar, pois se distraem facilmente. Outras conseguem ignorar as interferências e dar prosseguimento a uma tarefa sem grandes problemas.
O temperamento do bebê
Procurar ter em mente que o temperamento da criança é único ajuda a respeitá-la como indivíduo. Conhecendo e compreendendo o temperamento da criança, a convivência é harmoniosa, pois com a assistência dos pais a criança aprende a viver em sociedade.
Dessa forma, ela crescerá mais confiante em si mesma, alcançando sucesso e felicidade, principalmente se tiver oportunidade de brincar, trabalhar e viver da sua maneira. Há crianças que desde bem pequenas agridem outras crianças, até maiores, no playground; enfrentam a autoridade dos pais; quando ingressam na escola, não se concentram em nada; gritam, esperneiam por qualquer motivo ou sem motivo, na rua, na escola ou em qualquer lugar; têm crises temperamentais, jogam para longe peças de jogos que não conseguem montar, não querem comer na hora adequada, recusam alimentos e jogam-nos no chão etc.
Quando um adulto, pai ou educador, diante de situações como as descritas, afirmam que a criança é muito difícil, não devem esquecer que criança é muito mais esperta do que aparenta ser e que pode tirar proveito disso. Quando uma criança bate nos pais, não se deve devolver a agressão nem ignorar esse tipo de comportamento. Deve-se dizer com firmeza "Não pode bater".
A agressão desse tipo, principalmente em crianças bem pequenas, mostra que elas estão sobrecarregadas. Só os pais podem dar a oportunidade para que elas se controlem. É importante abraçar a criança, acalmando-a, evitando que ela bata em outras pessoas.
Sempre que perceber que a criança está ficando irritada, é importante distrai la. Crianças nessa fase pensam de maneira bem egocêntrica - tudo gira em tomo delas, e acreditam ser o centro do universo - o que não é egoísmo, mas apenas uma visão limitada do mundo. Recompensar positivamente um comportamento adequado (sem chantagens) é melhor do que repreensões constantes por mau comportamento.
Também pode ser que essas atitudes sejam um reflexo do que está se passando ao redor dela, como algum tipo de mudança no ambiente familiar. Pai e mãe, juntos, devem ter todo cuidado ao educar um filho: começar, desde muito cedo, a implantar regras de comportamento, não como imposição, mas como um processo natural.
A criança deve aprender, ainda bem pequena, até aonde vão seus limites, que existem horários estabelecidos para tudo e que o NÃO deve ser respeitado. Aos pais também cabe aprender até aonde vão os limites de autoridade. Eles precisam respeitar as limitações da criança.
Exigir determinados comportamentos sem que a criança esteja tranqüila, querendo que ela cante, repita frases, conte piadinhas (...) ou simplesmente participe de situações sociais, quando na verdade o que deseja é uma sopinha quente ou uma caminha macia, são situações que não devem acontecer.
Atitudes assim podem desencadear acessos de raiva, pois ás crianças sentem-se frustradas, o que é muito comum. Com o desenvolvimento da linguagem, os acessos diminuem, pois a criança aprende a expressar seus sentimentos. A melhor abordagem de disciplina para crianças bem pequenas é o controle do ambiente.
É importante que as crianças toquem todos os tipos de coisas. Só assim elas vão aprender. É evidente que os cuidados para que a criança não se machuque nem quebre algo de valor são necessários, pois discurso não funciona com elas. Caso os pais não queiram que a criança mexa em algo, simplesmente devem retirar o objeto, colocando o longe do alcance dela. A estratégia dos pais ou educadores vai mudando à medida que a criança amadurece e consegue entender as conseqüências de seus atos.
Mesmo porque disciplinar significa ensinar e não castigar. Por volta dos três anos, três anos e meio, é bastante comum as crianças apresentarem condutas agressivas em relação aos adultos e às outras crianças, com mordidas, empurrões, chutes etc. Nessa fase, podemos afirmar que essa agressividade é essencialmente manipulativa, ou seja, a criança agride os outros para alcançar determinados interesses, por exemplo: para ganhar um brinquedo, para se defender durante a disputa por um objeto, pela atenção exclusiva da educadora ou simplesmente para ser o primeiro da fila. Esse tipo de conduta é a maneira que a criança encontra para controlar o ambiente e satisfazer suas necessidades.
Podemos dizer que a agressividade não é algo próprio da natureza das crianças e sim um tipo de comportamento que tem uma função no desenvolvimento delas. A agressividade não desaparece de uma hora para outra, como num passe de mágica. A criança aprende com os adultos que existem outras formas de se defender e obter aquilo que lhe interessa.
Quando os pais ou educadores esclarecem à criança que não é necessário tirar dos colegas os brinquedos, mas que é possível pedir para brincar com eles ou chegar a um acordo sobre como dividi-los, estão ensinando sobre as ESTRATÉGIAS SOCIAIS, que podem substituir naturalmente condutas agressivas.
Se essas estratégias se mostram eficazes, gradualmente a criança aprende a negociar. Se a família e/ou escolha valorizam e incentivam essas atitudes, aos poucos a conduta agressiva ameniza-se e passa a ser menos freqüente que as outras formas de controlar o ambiente. As brigas e as disputas violentas vão se tornando menos freqüentes com o passar do tempo e eventualmente irão acontecer em situações extremas, como num caso de ofensa muito grave.
Podemos dizer que a agressividade não é algo próprio da natureza das crianças e sim um tipo de comportamento que tem uma função no desenvolvimento delas. Assim como a criança aprendeu determinado tipo de comportamento (bater num colega, porque observou essa atitude em outras pessoas) ela pode substituí-lo por outras condutas.
Quando condutas agressivas tornam-se um padrão freqüente de comportamento e persistem com o tempo, é necessário verificar os motivos e rever o histórico da criança. Juntos, família, escola e demais profissionais envolvidos vão encontrar uma forma de lidar com essas condutas, estimulando a interação e o convívio social, evitan do que esses comportamentos possam se transformar em um "problema" mais sério na adolescência e na vida.
Antes de "rotular" uma criança como "agressiva", é preciso pensar: será que a educação que ela vem recebendo não é responsável por essas atuais condutas? Até que ponto o temperamento pode justificar tanta rebeldia? Esses comportamentos apresentados são próprios dessa idade? A criança está bem adaptada à escola? Nasceu um (a) irmãozinho(a)? O casal discute com freqüência na frente dela? O(A) educador(a) é autoritário (a) ? Quando nos recordamos dos tempos de correções excessivas, ditadas pela mentalidade violenta e autoritária que dominava a pedagogia de uma época, costumamos nos questionar: será que saímos do autoritarismo traumatizante para viver na tolerância excessiva no que diz respeito à educação de forma geral? Perdemos a consciência de limites? Hesitamos em fazer valer sobre os filhos a autoridade? Temos medo de sermos rejeitados por nossos filhos? A figura paterna está em segundo plano? Filhos não possuem referencial masculino? A palavra de ordem é permissividade? Em que estou errando?
Fazendo um pequeno esforço, é possível nos lembrarmos de histórias sobre a falta de autoridade dos pais em relação aos filhos: crianças que batem nos pais, exigem brinquedos ou alimentos no horário e local de sua escolha, fazem o que têm vontade, xingam os pais e usam e abusam da chantagem. Há uma série de condutas dos pais que podem ser chamadas de "condutas de risco" para o desenvolvimento de padrões agressivos de comportamento nos filhos.
Uma dessas condutas é quando os pais rejeitam a criança, deixando evidente que ela não foi planejada, nem esperada; não é amada ou que ninguém se importa por algo que possa lhe acontecer. Outra conduta é a inconsistência na forma de colocar limites: os pais são permissivos demais, deixando que a criança faça tudo que deseja e, em outras ocasiões, apresentam-se autoritários, inflexíveis, fazendo uso de punições.
A criança sente-se confusa, insegura, impossibilitada de perceber o que é ou não aceitável. Também encontramos alguns pais que estimulam a conduta agressiva, principalmente para resolução de conflitos. Às vezes, a distorção de opiniões ocorre na fase pré-escolar, pois a escola segue uma linha de pensamento e a família outra.
Isso pode trazer conseqüências desagradáveis para a criança. Crianças que assistem a cenas violentas ou são vítimas da violência dos pais podem acreditar que essas atitudes são aceitáveis, julgando tais ações como naturais para lidar com frustração, raiva ou insegurança. Na verdade, toda a violência pode exercer uma influência decisiva no comportamento da criança.
Um educador autoritário, que estimule a rivalidade; que exponha a criança à turma ou a outros educadores diante de qualquer incidente; que compara atitudes, evidenciando pontos positivos de uns e ressaltando pontos negativos de outros pode também gerar ansiedade, insegurança, rebeldia e conflitos de relação entre grupos. Acontecem situações em que o educador não está seguro para lidar com agressividade, o que é natural e aceitável, porque, na verdade, quem está preparado para ser agredido?
O pai, a mãe e o educador sabem que é possível vivenciar atitudes agressivas, mas nunca esperam que possam fazer parte do histórico de seu filho ou aluno, principalmente nessa fase, como temos constatado. A criança envolvida pode adotar uma atitude de defesa, sentindo-se cada vez mais frustrada por não conseguir o apoio de alguém que poderia ajudá-la e torna-se até mais agressiva.
A violência também é uma preocupação constante entre pais e educadores. Márcio Schiavo, consultor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef coordenou uma pesquisa em que buscava esclarecer o conteúdo dos games preferidos pelas crianças (videogames) ) e o resultado foi preocupante: a maioria dos games faz com que a criança assuma o papel de matador. Muitos defensores desses jogos afirmam que brincadeiras violentas sempre existiram. É preciso deixar claro, porém, que por vezes a criança nem está jogando, apenas acompanhando um adulto ou irmão que se trancam no quarto por horas e chegam a "matar" 400 pessoas.
Quanto mais "matam", mais se destacam como "heróis". Alguns pais chegam a afirmar, em campanhas de desarmamento, que não é o objeto arma que faz com que a criança fique violenta. Concordamos com isso, pois no jogo simbólico a criança se utiliza de um pedaço de madeira, uma peça de um jogo, os dedos polegar e indicador para representar um revólver, simbolizando-o com uma diversidade de objetos.
No entanto, o principal problema é o desenvolvimento do conceito de agressividade sem conseqüências, ou melhor, o conceito de agressão recompensada. Além de não existir por parte dos pais (com raríssimas exceções) nenhuma restrição quanto ao hábito de jogar, seja em relação ao tempo, à freqüência ou ao gênero escolhido, a criança pequena, que ainda não domina o game e admira o irmão, o pai, o tio, vivencia a experiência, acha natural toda exposição à violência.
Devemos educar os filhos para o videogame, assim como os educamos para o computador e a televisão, que também mostra cenas violentas com freqüência, ultimamente as narrativas de seqüestros que acontecem a todo instante em nosso país. A criança precisa estar ciente dos valores de sua família, mesmo porque uma criança, que está em constante desenvolvimento, não pode passar tantas horas em frente a um jogo, em posições geralmente inadequadas à sua postura.
Necessita sim, correr, conversar, brincar, pedalar, jogar bola, atividades que possibilitam novas e significativas experiências. Educar é uma missão complicada, que incorre em erros e acertos, mas vale a pena tentar e insistir, pois a criança percebe o empenho da família e vai superando mais rápido algumas fases críticas de sua vida. Crianças que assistem a cenas violentas ou são vítimas da violência dos pais podem acreditar que essas atitudes são aceitáveis (...)
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Para Professores
Espaço Aprendere - Psicologa Marcia Mattossegunda-feira, 21 de setembro de 2009
Pais franceses dispensam a escola e educam os filhos em casa, decisão correta? Ou a mais equivocada?
Quinta-feira, 3 de setembro, os três filhos de Axelle Rousse não pegaram o caminho para a escola.
Eles não arrumaram a mochila, nem estão inquietos para saber se sua professora será simpática ou severa. Eles ficaram em casa, no vilarejo de Crésangignes (Aube), a cerca de vinte quilômetros de Toryes.
Eles fazem parte dos cerca de três mil estudantes franceses de 6 a 16 anos cujos pais optaram pela educação em casa.
Segundo o ministério nacional da Educação, 3.240 crianças de 6 a 16 anos foram instruídas fora da escola por escolha de suas famílias em 2007-2008
Instalados num pequeno escritório adjacente à sala de estar, Solveig, 10 anos, Eulalie, 8 anos, e Adriel, 5 anos e meio, concentravam-se nos exercícios preparados na véspera por sua mãe.
"Tento acordá-los em torno das 8h para que eles comecem a trabalhar às 9h", explica a senhora Rousse. Tranquila, ela responde às perguntas dos filhos maiores, enquanto ajuda Viera, a pequena caçula de quase dois anos, a colocar miçangas num fio.Licenciada em musicologia, a jovem mulher, que dava aulas de iniciação musical, parou de trabalhar com o nascimento de sua filha mais velha. Em 2006, ela resolveu virar professora.
"Depois de seu primeiro ano de curso preparatório [alfabetização], Solveig não era mais a mesma", diz ela. "Ela havia perdido a alegria. Na classe, ela quebrava os lápis e borrachas. A professora era simpática, mas a escola não soube responder à sua curiosidade, sua necessidade de imaginação e de calma."Quando Axelle considerou a possibilidade de tirar sua filha da escola, seu marido, professor de uma escola técnica, foi a princípio reticente.
"É difícil sair do esquema", reconheceu. "É preciso assumir a reação e o olhar dos outros. Mas não me recordo de ninguém que tenha visto mal."Hoje, para Solveig, a escola não passa de uma lembrança ruim. "A mamãe, ela explica muitas vezes quando eu não entendo, e ela nos dá atividades que parecem brincadeiras", diz ela. "Na escola, tinha muito barulho".
Este ano, sua mãe inovou com um método americano que descobriu num fórum de discussões. Cada criança dispõe de dez gavetas numeradas e, dentro de cada uma delas, uma atividade que não ultrapassa vinte minutos.O dia de aula dura em média três horas e acaba ao meio-dia. Se as crianças param antes, retomam no começo da tarde.
Todas as noites, Axele preenche as trinta gavetas. "Tento levar em conta os gostos deles, sabendo que eles não podem ter somente atividades que lhes deem prazer."Sortudo, Adriel acaba de encontrar na gaveta número três um modelo de Lego para reproduzir. Solveig escreve uma carta para sua colega canadense, enquanto Eulalie preenche seu caderno de inglês. Para facilitar seu trabalho de preparação, Axelle escolheu um "pacote família" num site de apoio escolar online que dá a ela acesso aos cursos de todas as matérias, do ensino fundamental ao colegial. A cada quinze dias, ela vai ao Centro de Documentação Pedagógica de Troyers, "uma mina de ouro".
Ao contrário da ideia corrente, não foi a escola, mas sim a instrução que Jules Ferry [ministro da Educação da França] tornou obrigatória em 1882. Para ensinar em casa, é suficiente, à cada início de ano escolar, fazer uma declaração ao prefeito da cidade e ao inspetor de ensino. O fenômeno ainda é marginal, mas tende a crescer. Segundo o ministério nacional da Educação, 3.240 crianças de 6 a 16 anos foram instruídas em casa por escolha de suas famílias em 2007-2008, um aumento de várias centenas de alunos em relação ao estudo precedente, conduzido em 2000-2001. Entre esses alunos, 1.380 trabalhavam com a ajuda de um órgão de educação à distância, público como o CNED [Centro Nacional de Ensino à Distância], ou privado, e 1.860 sem ajuda.
Esses números não levam em conta cerca de 10 mil crianças que são escolarizadas em casa por motivos médicos, deficiências, distância geográfica ou cujos pais são itinerantes, e que se beneficiam gratuitamente do CNED.Quem são esses pais que fazem a escolha de ensinar seus próprios filhos?
"Famílias com concepções muito pessoais da educação, ou nas quais as crianças sofrem de problemas como fobias escolares, ou ainda pais cuja profissão não se ajusta aos horários da escola", indica Gérard Duty, inspetor escolar encarregado da educação primária em Paris.Elisabeth Walter, que escreve uma tese sobre o assunto, distingue dois tipos de famílias: "Aquelas que nunca colocaram seus filhos na escola, e aquelas que decidiram tirá-los dela".
Para as primeiras, trata-se de uma escolha geral de vida. As mães são mais adeptas da maternidade. Elas favorecem o contato com seus filhos, carregando os bebês em lenços ao redor do corpo, estendendo o aleitamento e dormindo ao lado dos bebês. Já as segundas, tiram seus filhos da escola porque não dá certo, a criança sofre."Com frequência, as famílias que praticam a instrução em casa vêm de meios favorecidos culturalmente, mas não necessariamente socialmente.
Existem desempregados que fazem a escola em casa", acrescenta Elisabeth Walter, também fundadora da associação Libres d'apprendre et d'instruire autrement (LAIA) [algo como Livres para Aprender e Instruir de Outra Forma].Marie, mãe de Adrien, 9 anos (os nomes foram mudados), tirou seu filho da escola durante a 1ª série depois de uma alfabetização já muito difícil. "Ele tinha pesadelos à noite, tinha medo de esquecer coisas em sua mochila", lembra-se. No ano seguinte, ele gritava e segurava na mesa da cozinha para não ir à escola.
Hoje, Marie é muito crítica. "As crianças não vão para a escola pelo prazer de aprender, elas vão pelos amigos. Sem seus colegas de classe, elas se recusariam a ir". O pai de Adrien, do qual ela é separada, era contra a escolarização em casa. Ele finalmente aceitou, com a condição que o menino fosse matriculado num curso por correspondência.
"A escola acaba sendo um pouco violenta. Se não nos defendemos, seremos a ovelha negra", considera Adrien, muito à vontade. "E depois, na escola, temos uma professora para trinta crianças. Levamos um dia inteiro para fazer o que fazemos em duas ou três horas em casa. Eu posso ir ao museu, sair depois do almoço". Ele não sente falta dos colegas? "Tenho novos amigos, bem mais simpáticos, menos violentos, mais calmos.
"E como fica a socialização? Claudia Renau, professora de geografia e mãe de três meninas de nove, sete e quatro anos, foi reticente à ideia de transformar sua casa em escola. Foi seu marido que a convenceu. "Eu não me via privando minhas filhas da socialização de um grande grupo que permite, através dos jogos coletivos, que a criança se adapte a regras de vida que elas não necessariamente escolheram". Ela superou a dificuldade organizando saídas e múltiplas atividades dirigidas a crianças que não vão à escola: oficinas de circo, trabalhos manuais, visitas a museus, jogos ao ar livre...
"Se os pais deem atenção para que os filhos tenham uma vida social com outros referenciais adultos, não há nenhuma outra razão para que eles desenvolvam nenhuma patologia", assegura Nicole Catheline, psiquiatra. "Podemos socializar fora da escola, com a família, os primos, ou através de atividades esportivas e culturais."Na casa de Claudia Renau, as meninas aprendem de acordo com sua vontade e sua curiosidade.
"Não estamos numa corrida com vistas para o vestibular", explica ela. "Mas não excluímos a possibilidade de matriculá-las no CNED a partir do segundo grau ou que elas reintegrem um estabelecimento escolar nesse estágio".Quais estudos, quais carreiras escolhem as crianças escolarizadas em casa? Océane, 16 anos, está na faculdade de Biologia depois de ter passado o bachalerado S [exame equivalente ao Enem] como candidata livre. Por outro lado, seu irmão Hugo, 18 anos, fracassou no exame. Ele fará novamente no ano que vem e pensa em entrar numa escola de desenho.
"Nós sabemos por que", explica a mãe, Valérie Vincent, jornalista por formação. "Ela adotou uma liberdade de tom que não agradou, enquanto sua irmã havia revisto os exames anteriores."Uma enquete, feita por iniciativa da associação pela liberdade de instrução Les Enfants d'Abord, detalha o percurso de cerca de vinte jovens entre 18 e 26 anos.
Alguns não têm nenhum diploma e exercem profissões artísticas, cerca de um quarto fez estudos superiores, com mais frequência a universidade. Outros buscaram formações de webmaster, marceneiro, mecânico, agricultor...Temendo desvios sectários e maus tratos, preocupado em unificar o ensino, o Estado, há dez anos, reforçou o controle das crianças instruídas em família, para a grande irritação dos pais.
A lei de 18 de dezembro de 1998 dá prioridade à escola e as crianças são alvo de uma enquete social a cada dois anos e de um controle anual dos conhecimentos por um inspetor nacional de educação. Muito poucas crianças são obrigação a voltarem para a escola. "Somente 45 crianças tiveram que reintegrar uma escola depois dos controles efetuados durante o ano escolar 2007-2008", assegura o ministério da Educação.
Em 5 de março, um decreto impôs que as crianças instruídas em casa deveriam dominar, ao final da escolaridade, a base comum de conhecimentos e de competências previstas pela lei sobre a escola de abril de 2005. "A instrução em família é considerada uma sub-escolha" lamenta-se Valérie Vincent. "Nós não temos mais uma liberdade real para ensinar". O ministério da Educação se defende: "O que os inspetores escolares precisam controlar é o progresso da criança em relação à escolha pedagógica da família."
Porém, em analise esta também a questão da educação sócio construtiva, uma criança crescendo em uma educação no lar, além de ficar sobre o julgo somente do protecionismo familiar, também não tem o convívio com outros da mesma idade, não tendo assim o crescimento necessario para amadurecer socialmente.
Quanto aos professores? Devem estar em constante aperfeiçoamento, procurando novos métodos não só de ensino, mas também, de desenvolvimento pisquico e mental de cada indivíduo no educandário.
O que fazer então? O melhor nestes casos é procurar uma entidade educacional, que tenha sua base estabelecida em um convívio semelhante ao famíliar, escolas instituidas em construções similares a casas, com ensino sócio construtivo e psicopedagógico misto (não baseado em uma escola pisicopedagógica somente), com turmas pequenas (para o maior aproveitamente e divisão de atenção para com os alunos), atividades extra curriculares dentro e fora do período escolar, que atente para o desenvolvimento indivídual, saneando assim a aguçada avidez de cada um em seu desenvolvimento específicos.
A instituição escolhida deve primar também pela não distinção dos indivíduos por classe social, credo, origem racial... estar sempre aberta à interação dos familiares no processo educativo de acordo com as concepções de vida de cada fámilia, as crianças devem sim ter um maior convívio com os pais em passeios, porém, que família hoje tem tempo e amparo pisico educacional de uma instituição toda voltada e formada para esse propósito.
Tradução: Eloise De Vylder
Eles não arrumaram a mochila, nem estão inquietos para saber se sua professora será simpática ou severa. Eles ficaram em casa, no vilarejo de Crésangignes (Aube), a cerca de vinte quilômetros de Toryes.
Eles fazem parte dos cerca de três mil estudantes franceses de 6 a 16 anos cujos pais optaram pela educação em casa.
Segundo o ministério nacional da Educação, 3.240 crianças de 6 a 16 anos foram instruídas fora da escola por escolha de suas famílias em 2007-2008
Instalados num pequeno escritório adjacente à sala de estar, Solveig, 10 anos, Eulalie, 8 anos, e Adriel, 5 anos e meio, concentravam-se nos exercícios preparados na véspera por sua mãe.
"Tento acordá-los em torno das 8h para que eles comecem a trabalhar às 9h", explica a senhora Rousse. Tranquila, ela responde às perguntas dos filhos maiores, enquanto ajuda Viera, a pequena caçula de quase dois anos, a colocar miçangas num fio.Licenciada em musicologia, a jovem mulher, que dava aulas de iniciação musical, parou de trabalhar com o nascimento de sua filha mais velha. Em 2006, ela resolveu virar professora.
"Depois de seu primeiro ano de curso preparatório [alfabetização], Solveig não era mais a mesma", diz ela. "Ela havia perdido a alegria. Na classe, ela quebrava os lápis e borrachas. A professora era simpática, mas a escola não soube responder à sua curiosidade, sua necessidade de imaginação e de calma."Quando Axelle considerou a possibilidade de tirar sua filha da escola, seu marido, professor de uma escola técnica, foi a princípio reticente.
"É difícil sair do esquema", reconheceu. "É preciso assumir a reação e o olhar dos outros. Mas não me recordo de ninguém que tenha visto mal."Hoje, para Solveig, a escola não passa de uma lembrança ruim. "A mamãe, ela explica muitas vezes quando eu não entendo, e ela nos dá atividades que parecem brincadeiras", diz ela. "Na escola, tinha muito barulho".
Este ano, sua mãe inovou com um método americano que descobriu num fórum de discussões. Cada criança dispõe de dez gavetas numeradas e, dentro de cada uma delas, uma atividade que não ultrapassa vinte minutos.O dia de aula dura em média três horas e acaba ao meio-dia. Se as crianças param antes, retomam no começo da tarde.
Todas as noites, Axele preenche as trinta gavetas. "Tento levar em conta os gostos deles, sabendo que eles não podem ter somente atividades que lhes deem prazer."Sortudo, Adriel acaba de encontrar na gaveta número três um modelo de Lego para reproduzir. Solveig escreve uma carta para sua colega canadense, enquanto Eulalie preenche seu caderno de inglês. Para facilitar seu trabalho de preparação, Axelle escolheu um "pacote família" num site de apoio escolar online que dá a ela acesso aos cursos de todas as matérias, do ensino fundamental ao colegial. A cada quinze dias, ela vai ao Centro de Documentação Pedagógica de Troyers, "uma mina de ouro".
Ao contrário da ideia corrente, não foi a escola, mas sim a instrução que Jules Ferry [ministro da Educação da França] tornou obrigatória em 1882. Para ensinar em casa, é suficiente, à cada início de ano escolar, fazer uma declaração ao prefeito da cidade e ao inspetor de ensino. O fenômeno ainda é marginal, mas tende a crescer. Segundo o ministério nacional da Educação, 3.240 crianças de 6 a 16 anos foram instruídas em casa por escolha de suas famílias em 2007-2008, um aumento de várias centenas de alunos em relação ao estudo precedente, conduzido em 2000-2001. Entre esses alunos, 1.380 trabalhavam com a ajuda de um órgão de educação à distância, público como o CNED [Centro Nacional de Ensino à Distância], ou privado, e 1.860 sem ajuda.
Esses números não levam em conta cerca de 10 mil crianças que são escolarizadas em casa por motivos médicos, deficiências, distância geográfica ou cujos pais são itinerantes, e que se beneficiam gratuitamente do CNED.Quem são esses pais que fazem a escolha de ensinar seus próprios filhos?
"Famílias com concepções muito pessoais da educação, ou nas quais as crianças sofrem de problemas como fobias escolares, ou ainda pais cuja profissão não se ajusta aos horários da escola", indica Gérard Duty, inspetor escolar encarregado da educação primária em Paris.Elisabeth Walter, que escreve uma tese sobre o assunto, distingue dois tipos de famílias: "Aquelas que nunca colocaram seus filhos na escola, e aquelas que decidiram tirá-los dela".
Para as primeiras, trata-se de uma escolha geral de vida. As mães são mais adeptas da maternidade. Elas favorecem o contato com seus filhos, carregando os bebês em lenços ao redor do corpo, estendendo o aleitamento e dormindo ao lado dos bebês. Já as segundas, tiram seus filhos da escola porque não dá certo, a criança sofre."Com frequência, as famílias que praticam a instrução em casa vêm de meios favorecidos culturalmente, mas não necessariamente socialmente.
Existem desempregados que fazem a escola em casa", acrescenta Elisabeth Walter, também fundadora da associação Libres d'apprendre et d'instruire autrement (LAIA) [algo como Livres para Aprender e Instruir de Outra Forma].Marie, mãe de Adrien, 9 anos (os nomes foram mudados), tirou seu filho da escola durante a 1ª série depois de uma alfabetização já muito difícil. "Ele tinha pesadelos à noite, tinha medo de esquecer coisas em sua mochila", lembra-se. No ano seguinte, ele gritava e segurava na mesa da cozinha para não ir à escola.
Hoje, Marie é muito crítica. "As crianças não vão para a escola pelo prazer de aprender, elas vão pelos amigos. Sem seus colegas de classe, elas se recusariam a ir". O pai de Adrien, do qual ela é separada, era contra a escolarização em casa. Ele finalmente aceitou, com a condição que o menino fosse matriculado num curso por correspondência.
"A escola acaba sendo um pouco violenta. Se não nos defendemos, seremos a ovelha negra", considera Adrien, muito à vontade. "E depois, na escola, temos uma professora para trinta crianças. Levamos um dia inteiro para fazer o que fazemos em duas ou três horas em casa. Eu posso ir ao museu, sair depois do almoço". Ele não sente falta dos colegas? "Tenho novos amigos, bem mais simpáticos, menos violentos, mais calmos.
"E como fica a socialização? Claudia Renau, professora de geografia e mãe de três meninas de nove, sete e quatro anos, foi reticente à ideia de transformar sua casa em escola. Foi seu marido que a convenceu. "Eu não me via privando minhas filhas da socialização de um grande grupo que permite, através dos jogos coletivos, que a criança se adapte a regras de vida que elas não necessariamente escolheram". Ela superou a dificuldade organizando saídas e múltiplas atividades dirigidas a crianças que não vão à escola: oficinas de circo, trabalhos manuais, visitas a museus, jogos ao ar livre...
"Se os pais deem atenção para que os filhos tenham uma vida social com outros referenciais adultos, não há nenhuma outra razão para que eles desenvolvam nenhuma patologia", assegura Nicole Catheline, psiquiatra. "Podemos socializar fora da escola, com a família, os primos, ou através de atividades esportivas e culturais."Na casa de Claudia Renau, as meninas aprendem de acordo com sua vontade e sua curiosidade.
"Não estamos numa corrida com vistas para o vestibular", explica ela. "Mas não excluímos a possibilidade de matriculá-las no CNED a partir do segundo grau ou que elas reintegrem um estabelecimento escolar nesse estágio".Quais estudos, quais carreiras escolhem as crianças escolarizadas em casa? Océane, 16 anos, está na faculdade de Biologia depois de ter passado o bachalerado S [exame equivalente ao Enem] como candidata livre. Por outro lado, seu irmão Hugo, 18 anos, fracassou no exame. Ele fará novamente no ano que vem e pensa em entrar numa escola de desenho.
"Nós sabemos por que", explica a mãe, Valérie Vincent, jornalista por formação. "Ela adotou uma liberdade de tom que não agradou, enquanto sua irmã havia revisto os exames anteriores."Uma enquete, feita por iniciativa da associação pela liberdade de instrução Les Enfants d'Abord, detalha o percurso de cerca de vinte jovens entre 18 e 26 anos.
Alguns não têm nenhum diploma e exercem profissões artísticas, cerca de um quarto fez estudos superiores, com mais frequência a universidade. Outros buscaram formações de webmaster, marceneiro, mecânico, agricultor...Temendo desvios sectários e maus tratos, preocupado em unificar o ensino, o Estado, há dez anos, reforçou o controle das crianças instruídas em família, para a grande irritação dos pais.
A lei de 18 de dezembro de 1998 dá prioridade à escola e as crianças são alvo de uma enquete social a cada dois anos e de um controle anual dos conhecimentos por um inspetor nacional de educação. Muito poucas crianças são obrigação a voltarem para a escola. "Somente 45 crianças tiveram que reintegrar uma escola depois dos controles efetuados durante o ano escolar 2007-2008", assegura o ministério da Educação.
Em 5 de março, um decreto impôs que as crianças instruídas em casa deveriam dominar, ao final da escolaridade, a base comum de conhecimentos e de competências previstas pela lei sobre a escola de abril de 2005. "A instrução em família é considerada uma sub-escolha" lamenta-se Valérie Vincent. "Nós não temos mais uma liberdade real para ensinar". O ministério da Educação se defende: "O que os inspetores escolares precisam controlar é o progresso da criança em relação à escolha pedagógica da família."
Porém, em analise esta também a questão da educação sócio construtiva, uma criança crescendo em uma educação no lar, além de ficar sobre o julgo somente do protecionismo familiar, também não tem o convívio com outros da mesma idade, não tendo assim o crescimento necessario para amadurecer socialmente.
Quanto aos professores? Devem estar em constante aperfeiçoamento, procurando novos métodos não só de ensino, mas também, de desenvolvimento pisquico e mental de cada indivíduo no educandário.
O que fazer então? O melhor nestes casos é procurar uma entidade educacional, que tenha sua base estabelecida em um convívio semelhante ao famíliar, escolas instituidas em construções similares a casas, com ensino sócio construtivo e psicopedagógico misto (não baseado em uma escola pisicopedagógica somente), com turmas pequenas (para o maior aproveitamente e divisão de atenção para com os alunos), atividades extra curriculares dentro e fora do período escolar, que atente para o desenvolvimento indivídual, saneando assim a aguçada avidez de cada um em seu desenvolvimento específicos.
A instituição escolhida deve primar também pela não distinção dos indivíduos por classe social, credo, origem racial... estar sempre aberta à interação dos familiares no processo educativo de acordo com as concepções de vida de cada fámilia, as crianças devem sim ter um maior convívio com os pais em passeios, porém, que família hoje tem tempo e amparo pisico educacional de uma instituição toda voltada e formada para esse propósito.
Tradução: Eloise De Vylder
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Livro: Compreeder a Agressividade das Crianças