(segundo a pedagoga Márcia Maria Kaschttk )
O jogo e a brincadeira são as formas mais indicadas para lidar com a realidade, pois permitem ensaiar papéis, realizar infinitas simulações que partem da observação.
De acordo com Piaget, apud Rosa e Nisio (1998, p.39) "os jogos e as atividades lúdicas tornam o mais significativas à medida que a criança se desenvolve; com a livre manipulação de materiais variados, ela passa a reconstituir, reinventar as coisas, o que já exige uma adaptação mais completa. Essa adaptação só é possível a partir do momento em que ela própria evolui internamente, transformando essas atividades, que são o concreto da vida dela, em linguagem escrita, que é o abstrato".
É inegável que a "brincadeira" é a atividade primordial na infância. A situação lúdica que se instaura ganha caráter de "orientação", ou seja, de facilitação de tarefas objetivadas pelo professor, sem que se questione sobre a forma singular do jogo e sobre qual é realmente o objetivo deste.
A brincadeira é uma forma de a criança constituir-se como indivíduo, formulando e compartilhando significados.
Na perspectiva sociocultural, brincar traduz a forma como as crianças interpretam e assimilam o mundo, os objetos, a cultura, as relações e os afetos das pessoas. É uma maneira de conhecer o mundo adulto sem adentrá-Io realmente.
Brincar é uma forma de atividade social infantil, cujo aspecto imaginativo e diverso do significado cotidiano da vida fornece oportunidade educativa para as crianças.
"De acordo com Vygotsky, através do brinquedo, a criança aprende a atuar numa esfera cognitiva que depende de motivação interna... a criança poderá utilizar materiais que servirão para representar uma realidade ausente..." (Rego, 1996, p. 819).
Vale ressaltar que os valores podem ser internalizados pela criança por meio da brincadeira, na medida em que está em contato com os valores em sua vida diária.
Neste contexto, percebe-se nitidamente a importância das atividades lúdicas no processo de alfabetização.
À medida que a criança utiliza-se da brincadeira, do lúdico, ela interage com o outro, com o objeto e consigo mesma, desenvolvendo a linguagem, função esta que organiza todos os processos mentais da criança, dando forma ao pensamento.
É muito importante desenvolver no processo de alfabetização o fator linguagem, mesmo antes de passar para a escrita, que já é uma linguagem estruturada, pois a criança desenvolve seu potencial de criação imaginária e o lúdico tem com certeza um papel primordial nesse processo.
Jogar é um desafio e a incerteza diante do novo, do desconhecido, fez com que a sociedade definisse normas para os jogos já existentes, regulamentando-os.
Quando o educador faz uso do jogo com regras, este é formalizado de acordo com os objetivos que se pretende alcançar: estimular a cooperação, melhorar o desempenho, enfrentar a timidez, aprender algo definido etc.
Quando propomos um jogo, estamos penetrando numa zona desconhecida, pois ao jogar produzimos inevitavelmente algo novo, criamos regras, adaptamos as já existentes de acordo com a realidade, com os objetivos, com os sentimentos. Jogar é um desafio e a incerteza diante do novo, do desconhecido, fez com que a sociedade definisse normas para os jogos já existentes, regulamentando-os.
Por exemplo: quando há insegurança e um grupo necessita de apoio afetivo, pois teme reações desconhecidas, é natural a preferência ou sugestões por jogos bem definidos, com regras claras. E isso acontece com crianças pequenas, que, quando vão jogar com um adulto, sentem-se ameaçadas e costumam dizer: "mas tem que jogar do meu jeito". O brincar não tem regras, embora gradativamente se organize com o tempo e a experiência.
A brincadeira infantil traz em si as potencialidades que irão se desenvolver na vida adulta. Assim, a criança expressa seus impulsos, suas motivações, seus desejos, seus pensamentos com a criação espontânea a partir de recursos corporais, lingüísticos e simbólicos para a comunicação.
Nos jogos de faz-de-conta, a criança se identifica com os personagens, simulando novos acontecimentos, inventando papéis, imitando situações, relacionando fatos e reproduzindo os comportamentos dos adultos. Na tentativa de aprender a linguagem dos adultos, recorre ao jogo imaginário, imitando papéis sociais.
Repete frases com as inflexões dos pais, imita gestos característicos de educadoras, comporta-se como os ídolos que admira. Esse esforço para representar estimula a descoberta de um mundo de novos conhecimentos, principalmente no que diz respeito à linguagem, contribuindo para um vocabulário rico e uma assimilação crítica da realidade.
Quando abordamos a assimilação crítica da realidade, não podemos nos esquecer da televisão. Seria ela uma fonte geradora de jogos? Estaria a televisão fornecendo informações de maneira adequada?
domingo, 24 de janeiro de 2010
A MENTE DE FRALDAS
DVD I
O Ciclo da Vida
0H00M - O tempo e a vida.
- O cérebro do bebé e a percepção do mundo.
- Diversas fases do desenvolvimento infantil.
0H07M - A capacidade de diferenciação de seres vivos e inanimados
- A aquisição e aperfeiçoamento da noção de tempo.
- A criança e o tempo psicológico.
0H12M - As alterações da imagem do corpo.
- A mente da criança de 5 anos.
- A auto-imagem da criança de 6 anos.
0H17M - A criança e o ciclo de vida – o nascimento e a morte.
- A criança de 8 anos e a experiência da morte.
0H23M - Fim
O Jogo da Mentira
0H00M - A criança e o jogo da mentira.
- A mentira e a vida social.
- A aprendizagem da arte da manipulação.
- A comunicação do bebé – a estratégia do choro.
- O desenvolvimento da linguagem infantil – a magia da palavra.
0H07M - A mentira e a imaginação de uma criança de 3 anos.
- Mentira e “teoria da mente”.
- A aprendizagem da mentira convincente.
- Idade e capacidade de logro.
0H15M - O imaginário da criança e a arte de enganar.
- A aprendizagem do último estádio da mentira.
- A criança e a mentira social – a mentira “piadosa”.
- A evolução da criança e a sua capacidade de mentira.
0H22M - Fim
Eles e Elas
0H00M - O comportamento dos rapazes e raparigas.
- A criança e a divisão do mundo em géneros.
- A percepção do mundo do bebé.
- A aquisição da noção de homem e mulher.
0H05M - A genética e o meio nos comportamentos masculinos e femininos.
- A identificação do sexo.
- Género e aparência física.
- A mente da criança de 3 anos – aparência física e realidade.
0H13M - O processo de descoberta das diferenças biológicas.
- O mundo de uma criança de 4 anos. O estereotipo do género.
- A descoberta das fronteiras do masculino e feminino.
- O processo de estruturação da identidade sexual.
- O imaginário de uma criança de 7 anos.
- A última etapa da aprendizagem do papel masculino e feminino.
0H19M - A mente de uma criança de 10 anos.
- O mundo masculino e feminino.
- A entrada na adolescência e a fronteira dos sexos.
0H23M - Fim
O Pensador
0H00M - A génese do pensamento infantil – aprender a pensar.
- A mente do bebé de 6 meses – a visão e a descoberta da causalidade.
- A mente de uma criança de 1 a 2 anos – da sensação à imaginação.
- O desenvolvimento da capacidade de expressão – os desenhos infantis
0H07M - A linguagem e o pensamento da criança de 3 anos.
- A memória e o processo de aprendizagem.
- A memória da criança e do adulto.
- Memória e pensamento.
0H12M - A compreensão do mundo – a estratégia do perguntar.
- A lógica do raciocínio infantil.
- A mente infantil antes e depois dos 5 anos.
- O aparecimento do pensamento lógico – do concreto ao abstracto.
0H18M - O cérebro da criança dos 8 anos.
- A mente de uma criança de 11 anos.
- O planeamento e a previsão do futuro.
0H23M - Fim
O Leitor de Pensamentos
0H00M - A relação social e a teoria da mente.
- A aquisição e desenvolvimento da capacidade de ler pensamentos.
- O bebé e a ausência de uma teoria da mente.
- Idade e auto-reconhecimento.
- A criança de 2 anos e a percepção do corpo.
0H06M - A mente da criança de 2 anos – a visão egocêntrica do mundo.
- O processo da descoberta dos sentimentos e dos pensamentos alheios.
- A mente de uma criança de 5 anos.
0H13M - A aprendizagem da interpretação do pensamento do outro estratégias de fingimento nos jogos infantis.
- Idade e desenvolvimento de uma teoria da mente.
- Ritmos e especificidades de aquisição de uma teoria da mente.
0H19M - A leitura de pensamentos e a relação social.
- A importância da aquisição da faculdade de leitura de pensamentos.
0H22M - Fim
A Independência
0H00M - A fragilidade de um bebé humano.
- O longo e duro caminho da independência humna.
- A emergência do sentimento do “eu” – o significado das birras.
- A autonomia da criança de 2 e 3 anos.
- A afirmação da independência do “eu” – a criança de 4 anos de idade
0H06M - O processo de formação da personalidade.
- A aprendizagem das regras sociais – a pedagogia dos jogos.
0H13M - A idade e a atitude face às regras e códigos comportamentais.
- O pensamento e a autonomia de uma criança de 8 anos.
- Explorando o mundo dos adultos.
- A experiência da vida em grupo.
0H17M - O crescimento da criança – a influência da família e amigos.
- Os comportamentos e a linguagem dos grupos juvenis.
- A insegurança e o egocentrismo do adolescente.
- Os desafios da transição para a vida adulta.
0H24M - Fim
Produção – TLC / Channel 4
Ano – 2001
Canal – Odisseia
Em Inglês, legendados e dobrados em Português.
O Ciclo da Vida
0H00M - O tempo e a vida.
- O cérebro do bebé e a percepção do mundo.
- Diversas fases do desenvolvimento infantil.
0H07M - A capacidade de diferenciação de seres vivos e inanimados
- A aquisição e aperfeiçoamento da noção de tempo.
- A criança e o tempo psicológico.
0H12M - As alterações da imagem do corpo.
- A mente da criança de 5 anos.
- A auto-imagem da criança de 6 anos.
0H17M - A criança e o ciclo de vida – o nascimento e a morte.
- A criança de 8 anos e a experiência da morte.
0H23M - Fim
O Jogo da Mentira
0H00M - A criança e o jogo da mentira.
- A mentira e a vida social.
- A aprendizagem da arte da manipulação.
- A comunicação do bebé – a estratégia do choro.
- O desenvolvimento da linguagem infantil – a magia da palavra.
0H07M - A mentira e a imaginação de uma criança de 3 anos.
- Mentira e “teoria da mente”.
- A aprendizagem da mentira convincente.
- Idade e capacidade de logro.
0H15M - O imaginário da criança e a arte de enganar.
- A aprendizagem do último estádio da mentira.
- A criança e a mentira social – a mentira “piadosa”.
- A evolução da criança e a sua capacidade de mentira.
0H22M - Fim
Eles e Elas
0H00M - O comportamento dos rapazes e raparigas.
- A criança e a divisão do mundo em géneros.
- A percepção do mundo do bebé.
- A aquisição da noção de homem e mulher.
0H05M - A genética e o meio nos comportamentos masculinos e femininos.
- A identificação do sexo.
- Género e aparência física.
- A mente da criança de 3 anos – aparência física e realidade.
0H13M - O processo de descoberta das diferenças biológicas.
- O mundo de uma criança de 4 anos. O estereotipo do género.
- A descoberta das fronteiras do masculino e feminino.
- O processo de estruturação da identidade sexual.
- O imaginário de uma criança de 7 anos.
- A última etapa da aprendizagem do papel masculino e feminino.
0H19M - A mente de uma criança de 10 anos.
- O mundo masculino e feminino.
- A entrada na adolescência e a fronteira dos sexos.
0H23M - Fim
O Pensador
0H00M - A génese do pensamento infantil – aprender a pensar.
- A mente do bebé de 6 meses – a visão e a descoberta da causalidade.
- A mente de uma criança de 1 a 2 anos – da sensação à imaginação.
- O desenvolvimento da capacidade de expressão – os desenhos infantis
0H07M - A linguagem e o pensamento da criança de 3 anos.
- A memória e o processo de aprendizagem.
- A memória da criança e do adulto.
- Memória e pensamento.
0H12M - A compreensão do mundo – a estratégia do perguntar.
- A lógica do raciocínio infantil.
- A mente infantil antes e depois dos 5 anos.
- O aparecimento do pensamento lógico – do concreto ao abstracto.
0H18M - O cérebro da criança dos 8 anos.
- A mente de uma criança de 11 anos.
- O planeamento e a previsão do futuro.
0H23M - Fim
O Leitor de Pensamentos
0H00M - A relação social e a teoria da mente.
- A aquisição e desenvolvimento da capacidade de ler pensamentos.
- O bebé e a ausência de uma teoria da mente.
- Idade e auto-reconhecimento.
- A criança de 2 anos e a percepção do corpo.
0H06M - A mente da criança de 2 anos – a visão egocêntrica do mundo.
- O processo da descoberta dos sentimentos e dos pensamentos alheios.
- A mente de uma criança de 5 anos.
0H13M - A aprendizagem da interpretação do pensamento do outro estratégias de fingimento nos jogos infantis.
- Idade e desenvolvimento de uma teoria da mente.
- Ritmos e especificidades de aquisição de uma teoria da mente.
0H19M - A leitura de pensamentos e a relação social.
- A importância da aquisição da faculdade de leitura de pensamentos.
0H22M - Fim
A Independência
0H00M - A fragilidade de um bebé humano.
- O longo e duro caminho da independência humna.
- A emergência do sentimento do “eu” – o significado das birras.
- A autonomia da criança de 2 e 3 anos.
- A afirmação da independência do “eu” – a criança de 4 anos de idade
0H06M - O processo de formação da personalidade.
- A aprendizagem das regras sociais – a pedagogia dos jogos.
0H13M - A idade e a atitude face às regras e códigos comportamentais.
- O pensamento e a autonomia de uma criança de 8 anos.
- Explorando o mundo dos adultos.
- A experiência da vida em grupo.
0H17M - O crescimento da criança – a influência da família e amigos.
- Os comportamentos e a linguagem dos grupos juvenis.
- A insegurança e o egocentrismo do adolescente.
- Os desafios da transição para a vida adulta.
0H24M - Fim
Produção – TLC / Channel 4
Ano – 2001
Canal – Odisseia
Em Inglês, legendados e dobrados em Português.
A Escola e a diversidade Étnica
A baixo, segue o linck para baixar um pdf sobre:
A Escola e a diversidade Étnica
"A Escola e a Diversidade Étnica e Cultural"
Catarina Eufémia Ferreira da Rocha
Dissertação de Mestrado
Orientação de Professor Doutor Félix Neto
Porto, 2006
Dissertação apresentada à Universidade Aberta, no âmbito do Mestrado em Relações Interculturais, sob a orientação de Professor Doutor Félix Fernando Monteiro Neto
“Para que a criança possa assimilar a cultura da escola, é necessário que a escola consiga assimilar a cultura da criança.”
B. Bernestein
(in Diálogo Entreculturas, n.º 18, 1996:2)
A Escola e a diversidade Étnica
"A Escola e a Diversidade Étnica e Cultural"
Catarina Eufémia Ferreira da Rocha
Dissertação de Mestrado
Orientação de Professor Doutor Félix Neto
Porto, 2006
Dissertação apresentada à Universidade Aberta, no âmbito do Mestrado em Relações Interculturais, sob a orientação de Professor Doutor Félix Fernando Monteiro Neto
“Para que a criança possa assimilar a cultura da escola, é necessário que a escola consiga assimilar a cultura da criança.”
B. Bernestein
(in Diálogo Entreculturas, n.º 18, 1996:2)
A Verdade sobre a Mentira
Os miudos, a partir de uma certa altura, têm tendência para mentir em demasia. Soltam pequenas mentiras, mas isso não significa que possam vir a ser mentirosos compulsivos no futuro. As crianças têm necessidade de imaginar uma quantidade infindável de coisas, a partir de pequenos acontecimentos do dia a dia ou a partir daquilo que vêm na televisão. A sua mente é de tal ordem variada que atingem facilmente o limiar da imaginação em poucos instantes. Por isso, e confrontados com o mundo do faz de conta e das brincadeiras, as crianças idealizam coisas e mentem com demasiada facilidade.
O facto de as crianças mentirem tem a ver com a questão que elas ainda não terem aprendido o verdadeiro sinónimo da palavra verdade. Os dias são passados a brincar e elas julgam que tudo na vida é um conto, e que têm liberdade para imaginar o que bem lhes apetecer. Assim, a imaginação leva ao faz de conta e este à mentira. Habitualmente, são mentiras que não têm grande maldade por trás ou que, pelo menos, não prejudicam gravemente ninguém, mas é importante começar a transmitir aos mais novos a autenticidade da verdade.
Os pais reagem de maneiras diferentes às mentiras das crianças: uns, acham muita piada às mentiras, embora outros tenham logo tendência para achar que os filhos vão ser no futuro uns mentirosos por excelência. O caso não é para ignorar, como também não é para entrar em pânico. Os pais precisam de explicar aos filhos que não é correcto mentir, mas devem fazê-lo de maneira moderada e entendível por eles. Começar numa gritaria com eles ou desatar a rir à gargalhada não é a melhor opção, e muito menos conseguirá resolver o caso.
Mais tarde, quando as crianças já são mais velhinhas, se constatar que continuam a mentir isso é um sinal óbvio que se estão a sentir inseguras, e que necessitam de mentir para se refugiarem no seu mundo. Só aqui e, através da mentira, as crianças se sentem protegidas e seguras. As crianças, em muitos casos, mentem para no momento seguir dizerem a verdade.
Nesta fase, não mostre qualquer tipo de ressentimento ou fúria porque senão, para a próxima vez, o seu filho já nem recuará com a sua palavra e continuará a mentir até ao fim. Mostre-lhe que ele não tem motivo para mentir, pois os pais não estão zangados. Com o passar do tempo, a criança começa a ganhar confiança em si mesma e nos pais, mas só depois de ter interiorizado o conceito de verdade e perceber que mentir não é correcto.
Não julgue que só o seu filho mente, pois todas as crianças têm tendência a fazê-lo e nenhuma delas é completamente verdadeira. Esta é uma fase que com a devida atenção e acompanhamento passará brevemente. Aliás, as crianças não mentem apenas aos pais, como também aos amiguinhos. É comum vê-los contar proezas impensáveis uns aos outros, mas são coisas que em nada prejudicam os restantes e que apenas servem para eles se sentirem melhores e mais importantes, quase como gente grande.
Se ontem o seu filho lhe disse que não foi ele que partiu aquele copo, acredite que foi! Mas essa mentira tem apenas a ver com o receio dele em relação à sua pessoa, bem como a necessidade que tem em criar o seu próprio mundo, real e perfeito à sua maneira. Explique-lhe pormenorizadamente as coisas, sem gritos e sem gargalhadas exageradas, para que ele não julgue que está muito irritado ou que aquela conversa é apenas uma brincadeira. Conversar é, sem dúvida, o melhor remédio.
fonte: A B C do bebê
O facto de as crianças mentirem tem a ver com a questão que elas ainda não terem aprendido o verdadeiro sinónimo da palavra verdade. Os dias são passados a brincar e elas julgam que tudo na vida é um conto, e que têm liberdade para imaginar o que bem lhes apetecer. Assim, a imaginação leva ao faz de conta e este à mentira. Habitualmente, são mentiras que não têm grande maldade por trás ou que, pelo menos, não prejudicam gravemente ninguém, mas é importante começar a transmitir aos mais novos a autenticidade da verdade.
Os pais reagem de maneiras diferentes às mentiras das crianças: uns, acham muita piada às mentiras, embora outros tenham logo tendência para achar que os filhos vão ser no futuro uns mentirosos por excelência. O caso não é para ignorar, como também não é para entrar em pânico. Os pais precisam de explicar aos filhos que não é correcto mentir, mas devem fazê-lo de maneira moderada e entendível por eles. Começar numa gritaria com eles ou desatar a rir à gargalhada não é a melhor opção, e muito menos conseguirá resolver o caso.
Mais tarde, quando as crianças já são mais velhinhas, se constatar que continuam a mentir isso é um sinal óbvio que se estão a sentir inseguras, e que necessitam de mentir para se refugiarem no seu mundo. Só aqui e, através da mentira, as crianças se sentem protegidas e seguras. As crianças, em muitos casos, mentem para no momento seguir dizerem a verdade.
Nesta fase, não mostre qualquer tipo de ressentimento ou fúria porque senão, para a próxima vez, o seu filho já nem recuará com a sua palavra e continuará a mentir até ao fim. Mostre-lhe que ele não tem motivo para mentir, pois os pais não estão zangados. Com o passar do tempo, a criança começa a ganhar confiança em si mesma e nos pais, mas só depois de ter interiorizado o conceito de verdade e perceber que mentir não é correcto.
Não julgue que só o seu filho mente, pois todas as crianças têm tendência a fazê-lo e nenhuma delas é completamente verdadeira. Esta é uma fase que com a devida atenção e acompanhamento passará brevemente. Aliás, as crianças não mentem apenas aos pais, como também aos amiguinhos. É comum vê-los contar proezas impensáveis uns aos outros, mas são coisas que em nada prejudicam os restantes e que apenas servem para eles se sentirem melhores e mais importantes, quase como gente grande.
Se ontem o seu filho lhe disse que não foi ele que partiu aquele copo, acredite que foi! Mas essa mentira tem apenas a ver com o receio dele em relação à sua pessoa, bem como a necessidade que tem em criar o seu próprio mundo, real e perfeito à sua maneira. Explique-lhe pormenorizadamente as coisas, sem gritos e sem gargalhadas exageradas, para que ele não julgue que está muito irritado ou que aquela conversa é apenas uma brincadeira. Conversar é, sem dúvida, o melhor remédio.
fonte: A B C do bebê
A Bruxinha e o Dragão
Menina recebe a visita de um dragão que quer transformá-la em uma poderosa bruxa
A bruxa Surulunda, a maior de todo o universo, já se sente velha e vê que chega o momento de se aposentar. Porém, para isso ela precisa de uma substituta a sua altura. Assim, ela pede ajuda a seu fiel dragão, Hector, para que ele encontre alguém que tenha as qualidades necessárias para receber seus poderes. Logo, o pequeno dragão verde encontra Lilli, uma menina inteligente e sempre animada.
Hector percebe que aquela garota pode ter as qualidades para ser a maior bruxa do mundo, mas ela primeiro precisa provar que é capaz. Assim, ele dá a ela a missão de cuidar de um poderoso livro de feitiços. Sabendo disso, o atrapalhado vilão Hieronymus decide roubar o objeto e usá-lo para construir uma máquina de dominação do mundo. Agora, para provar que pode substituir Surulunda, Lilli terá que se livrar do malfeitor.
O filme alemão A Bruxinha e o Dragão é dirigido por Stefan Ruzowitzky, o mesmo de Os Falsários, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008. O filme é baseado na série de livros infanto-juvenis de Knister. Já está previsto para a segunda parte da série estrear nos cinemas em 2011, desta vez com a direção do sueco Harald Sicheritz.
A bruxa Surulunda, a maior de todo o universo, já se sente velha e vê que chega o momento de se aposentar. Porém, para isso ela precisa de uma substituta a sua altura. Assim, ela pede ajuda a seu fiel dragão, Hector, para que ele encontre alguém que tenha as qualidades necessárias para receber seus poderes. Logo, o pequeno dragão verde encontra Lilli, uma menina inteligente e sempre animada.
Hector percebe que aquela garota pode ter as qualidades para ser a maior bruxa do mundo, mas ela primeiro precisa provar que é capaz. Assim, ele dá a ela a missão de cuidar de um poderoso livro de feitiços. Sabendo disso, o atrapalhado vilão Hieronymus decide roubar o objeto e usá-lo para construir uma máquina de dominação do mundo. Agora, para provar que pode substituir Surulunda, Lilli terá que se livrar do malfeitor.
O filme alemão A Bruxinha e o Dragão é dirigido por Stefan Ruzowitzky, o mesmo de Os Falsários, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008. O filme é baseado na série de livros infanto-juvenis de Knister. Já está previsto para a segunda parte da série estrear nos cinemas em 2011, desta vez com a direção do sueco Harald Sicheritz.
O Fada do Dente
Jogador hóquei vai ter que trabalhar uma semana como fada do dente como punição por não acreditar em fantasia
Há muito tempo que o jogador de hockey Derek Thompson não acredita em contos de fadas. Sempre violento em suas jogadas, ele costuma fazer seus adversários perderem os dentes, o que deu a ele o apelido de O Fada do Dente. Apesar do nome, porém, ele não se incomoda em tentar acabar com os sonhos de Tess, uma menina de 6 anos, que aguarda a visita da verdadeira fada após perder um dente de leite.Por seu mau comportamento, no entanto, Derek é condenado por uma corte especial a se tornar uma verdadeira fada do dente.
Com asas e poderes mágicos, ele terá que aprender a acreditar nas fantasias e recolher os dentes das crianças. Para não cometer nenhum erro, o jogador será observado pela rigorosa fada Lilly.Protagonizado pelo ex-lutador Dwayne Johnson, mais conhecido como The Rock, a comédia O Fada do Dente foi planejada em 1992. Na época, os responsáveis cogitavam a hipótese de colocar o atual governador da California, Arnold Schwarzenegger, interpretando Derek. No original, o personagem seria um oficial da marinha, que deveria substituir seu pai no papel de fada do dente. O longa é dirigido por Michael Lembeck, de Meu Papai é Noel 2 e 3.
Há muito tempo que o jogador de hockey Derek Thompson não acredita em contos de fadas. Sempre violento em suas jogadas, ele costuma fazer seus adversários perderem os dentes, o que deu a ele o apelido de O Fada do Dente. Apesar do nome, porém, ele não se incomoda em tentar acabar com os sonhos de Tess, uma menina de 6 anos, que aguarda a visita da verdadeira fada após perder um dente de leite.Por seu mau comportamento, no entanto, Derek é condenado por uma corte especial a se tornar uma verdadeira fada do dente.
Com asas e poderes mágicos, ele terá que aprender a acreditar nas fantasias e recolher os dentes das crianças. Para não cometer nenhum erro, o jogador será observado pela rigorosa fada Lilly.Protagonizado pelo ex-lutador Dwayne Johnson, mais conhecido como The Rock, a comédia O Fada do Dente foi planejada em 1992. Na época, os responsáveis cogitavam a hipótese de colocar o atual governador da California, Arnold Schwarzenegger, interpretando Derek. No original, o personagem seria um oficial da marinha, que deveria substituir seu pai no papel de fada do dente. O longa é dirigido por Michael Lembeck, de Meu Papai é Noel 2 e 3.
Volta às aulas
A tevê, os jornais, as revistas, os panfletos dos supermercados invadem nossos últimos dias de férias com propaganda maciça de uniformes, mochilas, livros, cadernos e demais materiais escolares. É!... não dá para esquecer que as aulas vão começar...
E como estão os preparativos aí na sua casa? Os horários de dormir já estão sendo modificados? Nas férias sempre acabamos permitindo que nossas crianças durmam e acordem mais tarde, não é? Também tornamo-nos menos rígidos com os horários de refeições.
Afinal, não temos aquele compromisso rigoroso de horários e podemos ser mais liberais com as crianças. Mas as aulas vêm aí e devemos, aos poucos, ir adaptando nosso ritmo e o espírito das crianças para, juntos, assumirmos o compromisso com os horários e responsabilidades escolares. Duas situações diferentes podem estar acontecendo na sua família. Uma é a ida de seu filho à escola, pela primeira vez, e outra é o retorno de seu filho às aulas. Vamos conversar um pouco sobre ambas.
Indo à escola pela primeira vez
Vou partir do pressuposto de que você tenha tido o cuidado de escolher criteriosamente a escola de seu filho, conhecendo o seu espaço físico, o pessoal que nela trabalha, a sua proposta pedagógica e de que já tenha levado sua criança para conhecer a escola e os adultos com quem ela terá contato e passará boa parte de seus dias. Pode ser que, a princípio, seu filho chore e se recuse a ir para a escola.
Poderá acontecer também de você ficar com o coração apertadinho, cheia de culpa por impingir-lhe uma situação de desconforto e estresse emocional. Isso é normal e acontece com bastante freqüência, por isso você não deve se desesperar nem se julgar diferente da maioria das mães.
Quem é que não fica ansioso, inseguro ou com medo diante de situações novas? O desconhecido sempre nos parece ameaçador, não é mesmo? Vamos tentar entender o que se passa dentro de nós e de nossos filhos para trabalharmos melhor essa fase inicial de escolaridade. Muitas crianças vão para a escola muito cedo, às vezes com poucos meses de vida, em função da necessidade materna de manter um trabalho rentável fora do lar.
Sabemos que, no início da vida, há um elo muito próximo e forte entre o bebê e sua mãe; é como uma continuidade da vida intra-uterina.Quando esse período é bem vivido, a criança tem a sua saúde emocional fortalecida, através da satisfação de suas necessidades físicas e emocionais adequadamente assistidas.
Desta forma, ela guarda dentro de si uma imagem de uma mãe boa, amorosa, amiga e protetora, imagem esta que lhe servirá de conforto nas ausências maternas futuras. As primeiras referências de uma criança são as relações familiares e o seu mundo é a rotina da casa onde ela vive.
Ir para a escola maternal significa um rompimento com esse mundo conhecido e isso pode ser fonte de insegurança e medo para a criança e até para seus pais. A intervenção amistosa e segura de uma professora bem preparada costuma atenuar o impacto desta separação, amenizando as expectativas negativas desta vivência, na medida em que ela vai conversando com os pais e com a criança, esclarecendo-lhes as dúvidas, mostrando-lhes os aspectos positivos e produtivos da nova experiência, transmitindo carinho e amizade à criança.
A intensidade com que cada um vai experimentar ou a forma como vai atravessar esse período vai depender dos aspectos particulares de cada personalidade participante do processo e, também, da dinâmica familiar. Um fato a ser admitido é que essa separação é algo inevitável na vida de cada um de nós e, ainda que seja um processo doloroso, costuma trazer crescimento para todos os envolvidos.
É importante que os pais vejam a situação não como "um mal necessário", mas como algo bastante positivo e enriquecedor no desenvolvimento de seu filho. A escola maternal e a pré-escola têm pouca semelhança com o aprendizado formal dos anos seguintes, mas o que a criança pode aprender freqüentando-as será de grande valor para sua vida futura.
Ali ela terá espaço para brincar e aprender brincando: a interagir com outras crianças e com adultos estranhos ao seu universo familiar, noções de cidadania, de educação musical e ambiental, a importância do cumprimento de prazos e horários e que há limites para a satisfação de suas vontades, a ouvir o próximo e a tratá-lo com urbanidade e respeito.
É importante frisar que brincar na escola é totalmente diferente de brincar em casa, pois lá a professora intervém de forma intencional no brincar, de modo a desenvolver as capacidades infantis. É um brincar organizado, monitorado, com objetivos delineados e resultados medidos. Lembre-se: é absolutamente normal que as crianças pequenas, que estão indo para a escola pela primeira vez, sofram de "ansiedade de separação".
Elas sentem medo de que os pais não voltem para buscá-las e fantasiam o abandono. É importante que os pais lhes demonstrem interesse pela experiência que elas estão vivendo, que as encoragem, reforçando-lhes a auto-estima, diminuindo-lhes a ansiedade, mostrando-lhe aspectos entusiasmantes da escola (conhecer novos amiguinhos, poder brincar com eles, etc) e tranqüilizando-os quanto ao amor que sentem por elas, quanto à proximidade que manterão com a escola e com sua professora e quanto a estarem lá, para buscá-los no horário de saída. Caso os pais notem que essa ansiedade se mostra na forma de pânico ou pavor é recomendável que procurem aconselhamento e ajuda com profissionais especializados e competentes.
Retornando às aulas, após as férias
O significado da recusa de voltar às aulas após as férias é diferente da recusa da criança que vai a ela pela primeira vez. Algumas vezes essa recusa é motivada pela insegurança gerada por motivos como: doença de uma pessoa próxima, separação dos pais, excesso de atividades fora do período escolar (balé, natação, inglês, informática, etc...) e o receio de não corresponder às expectativas dos pais, notas baixas e dificuldades de aprendizagem anteriores, a troca de professores, o temor de que seus colegas sejam diferentes da turma em que estava, etc.
Esses costumam ser sintomas passageiros. Caso persistam, os pais devem procurar orientação com os profissionais da própria escola, com o médico pediatra e com um psicólogo. A família e a escola devem deixar claro para a criança que há uma parceria entre eles e um pacto visando o seu desenvolvimento harmonioso, com o qual ela se sinta realizada, confiante e feliz. Hoje em dia, a formação dos profissionais que atuam nas escolas é mais completa e aperfeiçoada.
A maioria delas conta com equipes de coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e psicólogos. Há, também, uma preocupação maior com a criança como uma pessoa individualizada e em se acompanhar de perto o seu processo individual de desenvolvimento. No entanto, de nada adiantam todas essas características se a criança não gostar da escola. É importante que ela se vincule emocionalmente aos professores, aos funcionários e que tenha amigos na escola.
Ela precisa sentir que aquele espaço também lhe pertence e que se sinta bem ali, para ter prazer de ir à escola não só por causa das pessoas que dela fazem parte, como por tudo o que acontece por lá. Mais importante do que manter seu filho numa escola bem conceituada é mantê-lo estudando num lugar de que ele goste e onde se sinta bem. Diante de um filho que se recusa a ir para a escola, recomendo-lhe o bom senso acima de tudo.
Ouça suas queixas com atenção, investingando-as e peneirando-as, demonstre interesse e solidariedade pelos seus sentimentos, garantindo-lhe com carinho, porém com determinação, que tudo poderá ser resolvido sem que ele deixe de freqüentar as aulas. Evite ceder ao seu pedido de ficar em casa. Ele provavelmente vá tentar desafiá-la, mas a firmeza dos pais nesta hora será o melhor que eles poderão oferecer à criança.
Lembre-se de que na fase pré-escolar (de 2 a 6 anos) a criança começa a pôr em prática o que aprendeu em seu ambiente e através do comportamento de seus pais. Pessimismo, insegurança, medo... também são aprendidos, portanto vigie sua maneira de pensar e agir no ambiente doméstico. Lembre-se, também, de que as crianças não são sempre boazinhas e muitas vezes mentem com o propósito de alcançar seus objetivos, portanto não acredite em tudo o que seu filho lhe falar.
Caso você tenha dúvida quanto à veracidade de um fato relatado por seu filho, não insista imediatamente no assunto. Peça para ele lhe contar a história, outras vezes, em momentos posteriores diferentes e compare as versões. Nem sempre é verdade que o amiguinho lhe bateu ou que a professora tenha lhe colocado de castigo ou lhe subestimado na presença de outros.
Caso descubra que ele mentiu, não lhe acuse de "mentiroso", pois isto não costuma ser producente. É aconselhável que você lhe explique, com calma, as conseqüências negativas de uma mentira, de preferência com exemplos práticos. Deixe claro para ele que é errado mentir e que uma mentira pode prejudicar seriamente uma pessoa.
Há escolas que trabalham com métodos tradicionais de ensino e com disciplina rígida; outras utilizam métodos mais modernos, são mais maleáveis quanto aos aspectos disciplinares, permitem maior liberdade de expressão, etc. A escolha da escola e o momento de matricular o seu filho depende dos pais e de suas aspirações.
Cada um sabe o que é melhor e o mais acertado para seu filho. Qualquer criança pode apresentar "recaídas" que a levem a desejar ficar grudada ao ambiente doméstico, sob a proteção dos pais, mas essas situações serão menos freqüentes na medida em que a escola lhe acene como um lugar agradável e que lhe ofereça boas condições de adaptação. Daí a importância de escolher com cuidado e critérios bem estabelecidos a escola de seu filho. Desejo a todos um bom começo de ano letivo!
Mara da Camara
Pedagoga
fonte: Guia do Bebê
E como estão os preparativos aí na sua casa? Os horários de dormir já estão sendo modificados? Nas férias sempre acabamos permitindo que nossas crianças durmam e acordem mais tarde, não é? Também tornamo-nos menos rígidos com os horários de refeições.
Afinal, não temos aquele compromisso rigoroso de horários e podemos ser mais liberais com as crianças. Mas as aulas vêm aí e devemos, aos poucos, ir adaptando nosso ritmo e o espírito das crianças para, juntos, assumirmos o compromisso com os horários e responsabilidades escolares. Duas situações diferentes podem estar acontecendo na sua família. Uma é a ida de seu filho à escola, pela primeira vez, e outra é o retorno de seu filho às aulas. Vamos conversar um pouco sobre ambas.
Indo à escola pela primeira vez
Vou partir do pressuposto de que você tenha tido o cuidado de escolher criteriosamente a escola de seu filho, conhecendo o seu espaço físico, o pessoal que nela trabalha, a sua proposta pedagógica e de que já tenha levado sua criança para conhecer a escola e os adultos com quem ela terá contato e passará boa parte de seus dias. Pode ser que, a princípio, seu filho chore e se recuse a ir para a escola.
Poderá acontecer também de você ficar com o coração apertadinho, cheia de culpa por impingir-lhe uma situação de desconforto e estresse emocional. Isso é normal e acontece com bastante freqüência, por isso você não deve se desesperar nem se julgar diferente da maioria das mães.
Quem é que não fica ansioso, inseguro ou com medo diante de situações novas? O desconhecido sempre nos parece ameaçador, não é mesmo? Vamos tentar entender o que se passa dentro de nós e de nossos filhos para trabalharmos melhor essa fase inicial de escolaridade. Muitas crianças vão para a escola muito cedo, às vezes com poucos meses de vida, em função da necessidade materna de manter um trabalho rentável fora do lar.
Sabemos que, no início da vida, há um elo muito próximo e forte entre o bebê e sua mãe; é como uma continuidade da vida intra-uterina.Quando esse período é bem vivido, a criança tem a sua saúde emocional fortalecida, através da satisfação de suas necessidades físicas e emocionais adequadamente assistidas.
Desta forma, ela guarda dentro de si uma imagem de uma mãe boa, amorosa, amiga e protetora, imagem esta que lhe servirá de conforto nas ausências maternas futuras. As primeiras referências de uma criança são as relações familiares e o seu mundo é a rotina da casa onde ela vive.
Ir para a escola maternal significa um rompimento com esse mundo conhecido e isso pode ser fonte de insegurança e medo para a criança e até para seus pais. A intervenção amistosa e segura de uma professora bem preparada costuma atenuar o impacto desta separação, amenizando as expectativas negativas desta vivência, na medida em que ela vai conversando com os pais e com a criança, esclarecendo-lhes as dúvidas, mostrando-lhes os aspectos positivos e produtivos da nova experiência, transmitindo carinho e amizade à criança.
A intensidade com que cada um vai experimentar ou a forma como vai atravessar esse período vai depender dos aspectos particulares de cada personalidade participante do processo e, também, da dinâmica familiar. Um fato a ser admitido é que essa separação é algo inevitável na vida de cada um de nós e, ainda que seja um processo doloroso, costuma trazer crescimento para todos os envolvidos.
É importante que os pais vejam a situação não como "um mal necessário", mas como algo bastante positivo e enriquecedor no desenvolvimento de seu filho. A escola maternal e a pré-escola têm pouca semelhança com o aprendizado formal dos anos seguintes, mas o que a criança pode aprender freqüentando-as será de grande valor para sua vida futura.
Ali ela terá espaço para brincar e aprender brincando: a interagir com outras crianças e com adultos estranhos ao seu universo familiar, noções de cidadania, de educação musical e ambiental, a importância do cumprimento de prazos e horários e que há limites para a satisfação de suas vontades, a ouvir o próximo e a tratá-lo com urbanidade e respeito.
É importante frisar que brincar na escola é totalmente diferente de brincar em casa, pois lá a professora intervém de forma intencional no brincar, de modo a desenvolver as capacidades infantis. É um brincar organizado, monitorado, com objetivos delineados e resultados medidos. Lembre-se: é absolutamente normal que as crianças pequenas, que estão indo para a escola pela primeira vez, sofram de "ansiedade de separação".
Elas sentem medo de que os pais não voltem para buscá-las e fantasiam o abandono. É importante que os pais lhes demonstrem interesse pela experiência que elas estão vivendo, que as encoragem, reforçando-lhes a auto-estima, diminuindo-lhes a ansiedade, mostrando-lhe aspectos entusiasmantes da escola (conhecer novos amiguinhos, poder brincar com eles, etc) e tranqüilizando-os quanto ao amor que sentem por elas, quanto à proximidade que manterão com a escola e com sua professora e quanto a estarem lá, para buscá-los no horário de saída. Caso os pais notem que essa ansiedade se mostra na forma de pânico ou pavor é recomendável que procurem aconselhamento e ajuda com profissionais especializados e competentes.
Retornando às aulas, após as férias
O significado da recusa de voltar às aulas após as férias é diferente da recusa da criança que vai a ela pela primeira vez. Algumas vezes essa recusa é motivada pela insegurança gerada por motivos como: doença de uma pessoa próxima, separação dos pais, excesso de atividades fora do período escolar (balé, natação, inglês, informática, etc...) e o receio de não corresponder às expectativas dos pais, notas baixas e dificuldades de aprendizagem anteriores, a troca de professores, o temor de que seus colegas sejam diferentes da turma em que estava, etc.
Esses costumam ser sintomas passageiros. Caso persistam, os pais devem procurar orientação com os profissionais da própria escola, com o médico pediatra e com um psicólogo. A família e a escola devem deixar claro para a criança que há uma parceria entre eles e um pacto visando o seu desenvolvimento harmonioso, com o qual ela se sinta realizada, confiante e feliz. Hoje em dia, a formação dos profissionais que atuam nas escolas é mais completa e aperfeiçoada.
A maioria delas conta com equipes de coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e psicólogos. Há, também, uma preocupação maior com a criança como uma pessoa individualizada e em se acompanhar de perto o seu processo individual de desenvolvimento. No entanto, de nada adiantam todas essas características se a criança não gostar da escola. É importante que ela se vincule emocionalmente aos professores, aos funcionários e que tenha amigos na escola.
Ela precisa sentir que aquele espaço também lhe pertence e que se sinta bem ali, para ter prazer de ir à escola não só por causa das pessoas que dela fazem parte, como por tudo o que acontece por lá. Mais importante do que manter seu filho numa escola bem conceituada é mantê-lo estudando num lugar de que ele goste e onde se sinta bem. Diante de um filho que se recusa a ir para a escola, recomendo-lhe o bom senso acima de tudo.
Ouça suas queixas com atenção, investingando-as e peneirando-as, demonstre interesse e solidariedade pelos seus sentimentos, garantindo-lhe com carinho, porém com determinação, que tudo poderá ser resolvido sem que ele deixe de freqüentar as aulas. Evite ceder ao seu pedido de ficar em casa. Ele provavelmente vá tentar desafiá-la, mas a firmeza dos pais nesta hora será o melhor que eles poderão oferecer à criança.
Lembre-se de que na fase pré-escolar (de 2 a 6 anos) a criança começa a pôr em prática o que aprendeu em seu ambiente e através do comportamento de seus pais. Pessimismo, insegurança, medo... também são aprendidos, portanto vigie sua maneira de pensar e agir no ambiente doméstico. Lembre-se, também, de que as crianças não são sempre boazinhas e muitas vezes mentem com o propósito de alcançar seus objetivos, portanto não acredite em tudo o que seu filho lhe falar.
Caso você tenha dúvida quanto à veracidade de um fato relatado por seu filho, não insista imediatamente no assunto. Peça para ele lhe contar a história, outras vezes, em momentos posteriores diferentes e compare as versões. Nem sempre é verdade que o amiguinho lhe bateu ou que a professora tenha lhe colocado de castigo ou lhe subestimado na presença de outros.
Caso descubra que ele mentiu, não lhe acuse de "mentiroso", pois isto não costuma ser producente. É aconselhável que você lhe explique, com calma, as conseqüências negativas de uma mentira, de preferência com exemplos práticos. Deixe claro para ele que é errado mentir e que uma mentira pode prejudicar seriamente uma pessoa.
Há escolas que trabalham com métodos tradicionais de ensino e com disciplina rígida; outras utilizam métodos mais modernos, são mais maleáveis quanto aos aspectos disciplinares, permitem maior liberdade de expressão, etc. A escolha da escola e o momento de matricular o seu filho depende dos pais e de suas aspirações.
Cada um sabe o que é melhor e o mais acertado para seu filho. Qualquer criança pode apresentar "recaídas" que a levem a desejar ficar grudada ao ambiente doméstico, sob a proteção dos pais, mas essas situações serão menos freqüentes na medida em que a escola lhe acene como um lugar agradável e que lhe ofereça boas condições de adaptação. Daí a importância de escolher com cuidado e critérios bem estabelecidos a escola de seu filho. Desejo a todos um bom começo de ano letivo!
Mara da Camara
Pedagoga
fonte: Guia do Bebê
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