segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Minha filha adolescente está muito rebelde; que devo fazer?

O internauta Roberto, de Jundiaí, está preocupado com a filha adolescente que está "ficando rebelde". A adolescência, aponta o psiquiatra e educador Içami Tiba, é uma fase em que a criança está formando suas próprias opiniões.

Se mantiver o modo de ser de pai da infância, em que a proteção está no topo das prioridades, o internauta pode se transformar num mau pai na adolescência do filho. O colunista do UOL Educação lembra ainda sobre a importância da disciplina para alcançar seus objetivos.

Tiba responde a perguntas dos internautas semanalmente. Deixe sua dúvida neste grupo de discussão. O terapeuta publica ainda uma coluna destinada a pais e professores a cada quinze dias. Leia.

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10 programas para se divertir com os filhos nas férias sem sair de casa

Criatividade leva a criançada a uma cachoeira no quintal ou ao cinema na sala

Por Natalia do Vale

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Eles passaram o ano esperando as tão sonhadas férias de verão. Mas nem sempre o destino das crianças é viajar ou curtir os dias na piscina. Muitas vezes, grande parte do tempo de descanso é dentro da própria casa. E aí que entra a criatividade para se divertir sem ficar na rotina de gastar as horas livres em frente à Tv, ao computador ou ao vídeo-game.

Os adultos devem estimular o comportamento na busca por outras diversões e até participar. O dinheiro está curto? E quem disse que imaginação e criatividade precisam de salário? Juntando estes dois elementos, é possível se divertir em casa com os amigos ou com a família. "As atividades promovem o fortalecimento dos laços entre pais e filhos e entre irmãos. É uma boa oportunidade também para os pais conhecerem os amigos dos filhos", explica a psicóloga familiar Tânia Vieira.

As atividades promovem o fortalecimento dos laços entre pais e filhos e entre irmãos
Se a sua rotina não permite que você fique muito tempo em casa durante a semana, isso não deve ser um empecilho. "Faça estes programas com seu filho no fim de semana e, durante o dia, deixe a pessoa que vai cuidar dele assumir o posto", sugere a psicóloga. "Outra opção bacana é combinar um rodízio de horários entre as mães.

Um grupo de pais pode se organizar e programar as férias de acordo com os horários de cada família, assim ninguém sai no prejuízo", continua. A seguir, confira 10 opções de passatempos para aproveitar as férias com os pequenos.

1.Sessão pipoca!
Não tem passeio mais simples e gostoso do que uma sessão pipoca. Nela, super-heróis e monstros entram em ação e a criançada se diverte e solta a imaginação: "Não precisa estar no cinema para que a magia aconteça.

Transforme sua sala em um cinema de última geração, com pipoca, filmes interessantes ao gosto da molecada, poltronas malucas, deixe a sala escura e até faça ingressos de papel para dar mais realidade à brincadeira", sugere a psicóloga. "Ao final da exibição, sente com as crianças e as chame para um debate sobre o filme e perceba suas impressões sobre o tema", continua.

2.Oficina de teatro
Sabe aquela roupa velha e a peruca do carnaval do ano passado? E a maquiagem que você não usa mais? Que tal reunir roupas e objetos e montar aquele figurino para entrar no clima do teatro?Você pode usar o sofá para a platéia sentar, afastar os móveis ou colocar cadeiras no quintal. As crianças devem escolher seus personagens."A ideia é que todos participem e a história seja construída em grupo.

Ao final da apresentação, cada um pode falar de como foi ser ator por um dia", sugere a psicóloga. "Sua casa vira um palco onde o improviso garante boas gargalhadas e muita interação", continua.

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3.Contação de histórias
Era uma vez........ a estante empoeirada da sua casa e os amigos de seu filho. Será que dá samba? Samba talvez não,mas uma bela contação de histórias pode acontecer. Além de muito interativa, já que as crianças participam, a contação é importante para o desenvolvimento da imaginação das crianças e para o aperfeiçoamento da língua, no caso de crianças menores.

"Livros são bem vindos em qualquer ocasião e não tem quem não se prenda a uma história bem contada", diz a contadora de histórias e educadora Janaina de Farias."A contação de histórias em grupo envolve imaginação, coordenação motora, informações culturais, desinibição e tantas outras habilidades tanto de quem conta quanto de quem as escuta. É fundamental para o desenvolvimento infantil", explica Janaina.

4.Piquenique maluco
Não dá para ir ao parque? Se você tem um jardim em casa ou algum espaço livre para estender uma toalha, o piquenique já está quase completo. Bastam algumas guloseimas para curtir a diversão. "É legal convidar os amigos e cada um trazer um prato. Música e brincadeiras fazem parte do programa", diz Tânia Vieira.

5.Culinária divertida
Se o lema é colocar a mão na massa, que tal brincar de chef de cozinha? As crianças podem escolher a receita, ajudar a preparar e decorar com muita criatividade."A brincadeira é divertida e faz com que as crianças se familiarizem com os afazeres domésticos, mas todo cuidado é pouco, pois cozinhar significa mexer com fogo e objetos cortantes. Os pais ou o adulto responsável pela criançada deve ficar atento aos perigos", alerta a psicóloga.

6.Ateliê de pintura e artes
Olha a tinta!! Massa de modelar, aquarela, tela, pincéis, bonecos de argila, cartolina e telefone sem fio. "A oficina de artes é um programão tanto para os pais quanto para os filhos que aprendem juntos o prazer da arte e treinam a coordenação motora em obras que podem enfeitar sua casa. Que mãe resiste a um desenho feito por seu pequeno?", diz Tânia.

7.Cachoeira no quintal
Alguém já viu criança que não gosta de piscina ou praia no verão? Se a ida a praia, piscina ou cachoeira pesam no bolso ou não se encaixam na rotina, não tem problema. Monte uma "floresta" no quintal. Pendure uma mangueira no varal ou no muro de casa (mas cuidado para o desperdício. Reaproveite a água ), espalhe esteiras no chão e depois distribua picolés caseiros para refrescar a garotada. "Mas é importante entrar no clima e fazer de conta de que realmente ali é uma cachoeira, senão a imaginação, que é a parte principal da brincadeira, fica prejudicada", diz Tânia.

8.Campeonato de jogos
Baralho, quebra-cabeça, dominó, mímica, xadrez, dama, vídeo-game. O que não faltam são jogos para distrair as crianças nas férias. Mas a brincadeira fica muito mais divertida se todos organizarem um campeonato. "Crianças adoram competição. Ela é importante para que eles aprendam que tudo na vida tem um preço e que para ganhar é preciso dedicação e saber perder", explica Tânia.

9.Camping no fundo de casa
O contato com a natureza e as brincadeiras são as principais atrações dos campings nas férias. As crianças esperam ansiosas pela trilha e pela curtição de morar em uma barraca por alguns dias, mas se o camping de verdade está muito fora do orçamento ou do tempo que os pais e a família têm livres para isso, improvise.Monte a barraca no quintal.

Se tiver um jardim é melhor. Caso não tenha barraca, monte uma com lençóis e forre o chão com um edredom ou algo mais macio para não machucar. "Monte uma programação com jogos de escoteiro e simule uma trilha pela casa descobrindo novos espaços. As crianças vão adorar", sugere a psicóloga.

É durante este tipo de atividade que os filhos têm a oportunidade de ver os pais como amigos e desenvolver a confiança.

10.Aula de ginástica na sala
1, 2, 3, 4.... 4, 3, 2, 1. Férias também é tempo de praticar exercícios físicos. "Aproveite a oportunidade para desenferrujar o esqueleto com seus filhos. É uma maneira de incentivá-los a praticar esportes e ter hábitos mais saudáveis", explica. "Mas tome cuidado para não exagerar na dose ou fazer exercícios de maneira errada. A ideia é apenas brincar. Nada de bancar o personal trainer", explica.

Dicas da especialista:
-Todo dia é dia de brincadeira. "Os pais devem aproveitar o início do ano para estabelecer uma rotina de brincadeiras com os filhos. O ideal é promover estas atividades uma vez por dia ou, pelo menos, uma vez por semana". - Caminho para a amizade.

"É durante este tipo de atividade que os filhos têm a oportunidade de ver os pais como amigos e desenvolver a confiança neles, por isso, mantenha este caminho aberto", sugere.-Laços afetivos fortalecidos: "São estes laços que moldam a personalidade da criança e a fazem ajustar seu papel na sociedade e na família", finaliza.

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A ciência da bondade

© MHI/ISTOCKPHOTO

Por que as pessoas fazem o bem? A bondade está programada no nosso cérebro ou se desenvolve com a experiência? O psicólogo Dacher Keltner, diretor do Laboratório de Interações Sociais da Universidade da Califórnia, em Berkeley, investiga essas questões por vários ângulos e apresenta resultados surpreendentes.

Em seu novo livro Born to be good: the science of a meaningful life (W.W.Norton, 2009, ainda sem tradução em português), Keltner compila descobertas científicas que revelam o poder da emoção humana inata e criam conexões entre as pessoas, segundo ele um caminho eficaz para uma boa vida.

Em entrevista, o pesquisador discute altruísmo, neurobiologia e aplicações práticas de suas descobertas. Mente&Cérebro – Para o senhor, que quer dizer a expressão “nascido para ser bom”?Dacher Keltner – Significa que a evolução criou uma espécie, os humanos, com inclinação para bondade, brincadeira, generosidade, reverência e autossacrifício – vitais para a evolução, vale dizer, sobrevivência, replicação genética e habilidade de convívio em grupo –, que se manifestam por meio de emoções como compaixão, gratidão, medo, vergonha e felicidade.

Estudos recentes revelam que as capacidades humanas de cuidar, brincar e respeitar foram desenvolvidas pelo cérebro e pela prática social. M&C – Uma das estruturas corporais que parece ter sido adaptada para gerar altruísmo é o nervo vago, como sua equipe em Berkeley descobriu. Fale um pouco sobre essa pesquisa e suas implicações. Keltner – O nervo vago é um feixe neural que se origina no topo da espinha dorsal.

Ele estimula diferentes órgãos (como coração, pulmão, fígado e aparelho digestivo). Quando ativo, produz uma sensação de expansão confortável no tórax, como quando estamos emocionados com a bondade de alguém ou ouvimos uma bela música. O neurocientista Stephen W. Porges, da Universidade de Illinois em Chicago, há tempos argumenta que essa região cerebral é o “nervo da compaixão”.

Acredita-se que esse nervo estimule alguns músculos na cavidade vocal, permitindo a comunicação. Estudos recentes apontam que ele pode estar conectado à rede de receptores para a oxitocina, neurotransmissor relativo à confiança e aos laços maternais. Nossas pesquisas e as de outros cientistas indicam que a ativação dessa região está associada aos sentimentos de cuidado e intuição que humanos de diferentes grupos sociais têm.

Pessoas com alta ativação dessa região cerebral são mais propensas a desenvolver compaixão, gratidão, amor e felicidade. A psicóloga Nancy Eisenberg, da Universidade Estadual do Arizona, descobriu que crianças com atividade alta do nervo vago têm mais chances de cooperar e doar.

Segundo pesquisas recentes, ele estimula tal comportamento.M&C – Frequentemente, quando lemos trabalhos acadêmicos sobre emoções, moralidade e áreas relacionadas, perguntamos: existe alguma coisa que possamos fazer para usar isso na prática? Ao olhar para o futuro, que repercussão o senhor gostaria que seu trabalho tivesse?Keltner – Em resumo, após tratar da nova ciência das emoções no meu livro, percebi o quanto isso é útil.

Segundo alguns estudos, cooperação e senso moral são traços evolucionários, e essas habilidades são encontradas nas emoções sobre as quais escrevo. Uma ciência da felicidade está revelando que esses sentimentos podem ser cultivados, o que traz o lado bom dos outros – e o nosso – à tona. M&C – O que esse tipo de ciência o faz pensar? Keltner - Ela me traz esperanças para o futuro.

Que nossa cultura se torne menos materialista e privilegie satisfações sociais como diversão, toque, felicidade, que do ponto de vista evolucionário são as fontes mais antigas de prazer. Vejo essa nova ciência em quase todas as áreas da vida. Os médicos, por exemplo, hoje recebem treinamento para desenvolver empatia para com seus pacientes, ouvi-los, tocá-los com carinho; são atitudes que ajudam no tratamento.

Os professores interagem com mais proximidade com seus alunos. Ensina-se meditação em prisões e em centros de detenção de menores. Executivos aprendem que inteligência emocional e bom relacionamento podem fazer uma empresa prosperar mais do que se ela for focada apenas em lucros.

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O Jogo

Quando uma criança inicia a fase de "engatinhar", ela está experimentando, jogando com a relação entre seu corpo e o ambiente em que está situada. Jogando-se no espaço, interagindo com esse ambiente, a criança passa por todos os riscos do movimento. Levantar, girar, correr, andar são atos que promovem a descoberta do benefício da expressão pessoal.

Ao jogar, a criança explora o mundo e se descobre: olhando, cheirando, tocando, ouvindo ou degustando, a criança mantém contato com o mundo através dos sentidos. A criança, em suas brincadeiras de faz-de-conta, alcança pleno domínio da situação, vivendo e convivendo com realidade e fantasia, sendo capaz de passar de uma para outra.

Elaborando seus anseios e fantasias ao brincar, a brincadeira vai evoluindo, deixando de ser espontânea para tornar-se um jogo com regras definidas, ou seja, o jogar e o brincar sofrem influência da cultura e do controle social.

A característica essencial do jogo refere-se ao jogar como experiência e sempre como uma experiência criativa e construtiva. É no jogar que a criança alcança a liberdade de criação, ou seja, a criança utiliza sua personalidade integral e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu. O jogo também revela uma característica transformadora intrínseca, pois quanto melhor a capacidade do indivíduo para jogar, mais próximo está ele de sua saúde mental. Brincando e jogando, a criança expressa toda sua espontaneidade.

O brinquedo é o objeto real ou imaginário que antecipa os dados da realidade. O brinquedo possibilita algo além de divertimento, entretenimento ou descarga de energia.
Representa fonte de conhecimento, de satisfação e um acesso ao imaginário. O jogo é uma resposta ativa de impressões passivas que a criança tem diante da realidade cotidiana. Quando a criança tem medo de algo, pode enfrentar o problema criando situações de controle. A criança procura adquirir o controle da realidade pela imitação e pela repetição.

Dessa maneira, a realidade é assimilada e reconhecida. A criança que brinca experimenta, constrói com o brinquedo. Ela aprende a dominar sentimentos de angústia, a conhecer seu corpo, a fazer representações do exterior e progressivamente a agir sobre ele, controlando os próprios limites. O brinquedo envolve um trabalho de construção e criação. Fazendo uso da imitação, a criança constrói a base para a integração da realidade em si mesma.

Para compreendermos o significado de tudo o que acontece ao nosso redor, é preciso montarmos um quebra-cabeça, montando e remontado cenas. O jogo e a brincadeira são as formas mais indicadas para lidar com a realidade, pois permitem ensaiar papéis, realizar infinitas simulações que partem da observação. Jogando, a criança diminui sua ansiedade por não poder controlar as situações da vida real. O prazer e a segurança crescem quando a criança se sente cada vez mais segura para enfrentar as dificuldades que estão por vir.

Jogando bola, simulando ser um super-herói, pintando, recortando, colando papéis, a criança sente-se à vontade, desfruta de uma linguagem própria, que lhe é familiar, e desenvolve a espontaneidade e a criatividade.

O prazer desperta a motivação, que por sua vez promove novos relacionamentos, mexendo internamente em tudo que estava adormecido. Isso só acontece se a disposição interna estiver integrada às dinâmicas das forças do meio ambiente e do meio social. O jogo é uma atividade integradora, de aspectos internos e externos que irão complementar as vivências de cada um. As experiências confirmam que jogando,

. Ansiamos diferentes situações, como por exemplo:
. Movimentos de andar, correr, lutar, pesquisar:
. Adquirir a segurança que os experientes nos passam, para que possamos aprender de uma forma tranqüila, sem a preocupação de um pré-julgamento;
. Vontade de sermos reconhecidos socialmente pela cooperação, amizade, personalidade e interação com os demais;
. Vontade de participar e/ou pertencer a diferentes grupos sociais;
. Vontade de adquirir harmonia e equilíbrio diante de diferentes situações do dia-a-dia.

O jogo ocorre em espaços e tempos determinados. A atividade lúdica remete-nos diretamente à imitação espontânea que parece natural à criança pequena. Brincar é uma expressão de contato imediato e espontâneo com o mundo real e imaginário. O jogo entre esses dois níveis permanece como possibilidade para toda a vida. Mas há diferenças entre as possibilidades do jogo, principalmente quando pensamos na educação.

Quando a mãe brinca com seu filho espontaneamente, não há pretensão de chegar a um objetivo específico, ainda que vários aspectos importantes estejam sendo trabalhados. Com a educação o jogo pode ser livre de regras e/ou servir apenas para relaxar, ou seja, substituir a atividade com determinadas obrigações pela improvisação de atividades livres. Assim, o prazer é conquistado porque há um desbloqueio das capacidades espontâneas, a criança estará realizando com os demais colegas a recreação.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Comunicação - prmeiros passos - parte 2

As palavras e orações passam pelo mesmo processo. Enquanto isso, a criança se reconhece como indivíduo único, interagindo com os outros. Usar a linguagem vai exigir da criança o desenvolvimento de habilidades específicas. O uso da percepção na comunicação é intenso: a criança percebe a diferença entre a fala suave e tranqüila da mãe e uma fala suave acompanhada de uma ação agressiva. A confiança na palavra dos pais vai ajudá-la a definir o próprio comportamento lingüístico.

O ambiente em que a criança vive vai possibilitar ou não o aprimoramento dessa linguagem. A criança pode se sentir insegura, inibida para falar, principalmente na presença de estranhos.
Pode ter medo de ser criticada, de não agradar aos pais, educadores e até aos amiguinhos.

No entanto, para que ocorra aprendizagem, é preciso "poder errar" (o erro é construtivo), já que a confiança na própria linguagem depende muito da permissão para a tentativa e para o erro, possibilitando assim um processo tranqüilo na aquisição de novos conhecimentos. Atualmente, parece ser mais fácil aprender com a televisão pela possibilidade da imitação, sem correr o risco da culpa e da vergonha, afinal de contas, a televisão não condena.

Mas não se pode substituir a atitude de aceitação e orientação, que só é possível com a presença física e emocional de pessoas que dêem apoio. Daí a necessidade de os pais atuarem, sendo mediadores para que os recursos tecnológicos sirvam de forma adequada no desenvolvimento da linguagem e da educação.

A linguagem é um recurso que possibilita a comunicação entre as pessoas pela sucessão ordenada de palavras que expressam pensamentos. O pensamento antecede a linguagem, mas esta é o sinal falado ou escrito que influencia o pensamento. É comum percebermos a criança falar muito rápido sobre algo que deseja. Então não conseguimos entender claramente, pois a linguagem não conseguiu acompanhar a velocidade do pensamento.

Quando há troca de influências entre o pensamento e a linguagem, obtemos o desenvolvimento intelectual, ou seja, a linguagem constitui o sujeito que supre suas necessidades individuais e promove a interação social. Quando há dificuldades na constituição da linguagem, há conseqüentemente danos em todas as áreas do desenvolvimento.

A falta de articulação do pensamento é um problema que resulta em dificuldades na articulação verbal. A má pronúncia das crianças nas primeiras fases deve-se a vários fatores. Em primeiro lugar, pode haver problemas na maturação dos órgãos. Essas "situações" podem ser superadas com exercícios específicos, realizados por um profissional da área, se não houver danos constitucionais.

Outro fator pode ser a percepção imperfeita dos estímulos na fase de imitação dos sons ou ainda a falta de habilidade em reproduzi-los. A vocalização incompreensível , tende a desaparecer até o terceiro ano de vida. Obter o domínio do nome das coisas é um grande passo na compreensão da linguagem e da própria identidade.

Começando a utilizar as formas gramaticais, a criança descobre as diferenças entre ela mesma e os outros. Por esta razão, na linguagem infantil os pronomes pessoais aparecem por último, comprovando a maior consciência que a criança tem de si. Até a faixa etária de 3 anos, a maturação do sistema nervoso central e de todos os órgãos que capacitam o indivíduo para a utilização adequada da linguagem deverá estar completa.

Caso isso não tenha ocorrido, a superação dos problemas de imaturidade só se dará pela aprendizagem especializada ou ocorrerá mais tarde, mesmo porque não existe uma regra rígida para a maturidade acontecer. O ambiente em que a criança vive é que vai possibilitar todo o desenvolvimento, pois ela vai adquirindo autonomia e apropriando-se do mundo a sua volta.

Na prática, existem interferências de cunho emocional (por motivos diversos) que podem impedir ou retardar a boa articulação de palavras e do pensamento. Articular significa utilizar todos os elementos da oração em uma gramática que reconhece o sujeito e a ação, definindo o nome das coisas, dando-lhes atributos e relações.

Comunicação - prmeiros passos - parte 1

Linguagem de uma criança é um processo gradativo de desenvolvimento das características da linguagem oral, ou seja, o desenvolvimento da linguagem depende muito do estímulo que a criança recebe das pessoas que a cercam. O processo da aprendizagem da fala é basicamente imitativo: se ninguém conversa com a criança, ela não tem o que imitar, não tendo assim a oportunidade de enriquecer o vocabulário.

Utilizando vocalizações e tentativas de comunicação, emitem sons articulados, revelando o esforço para se comunicar com o mundo. A aprendizagem da fala não se dá de forma desarticulada com a reflexão, sentimentos, sensações e desejos. As crianças constroem seu processo de linguagem realizando aproximações sucessivas com o exemplo da fala dos outros: pai, mãe, educadores, amigos, vozes da televisão, rádio etc.

Naturalmente esses sons vão sendo incorporados à sua vida e a tudo que elas vão descobrindo: os novos movimentos, o som, a música, a interação oral. Assim as crianças vão se apropriando das convenções da linguagem.

O desenvolvimento da fala e da capacidade de representar simbolicamente tudo o que naturalmente chega para a criança amplia significativamente os recursos intelectuais. O desenvolvimento da capacidade de comunicação oral é gradativo e envolve a participação constante das crianças em conversas cotidianas, em situações de escuta, canto de músicas, jogos, brincadeiras etc., sempre com a participação em situações formais de uso da linguagem, envolvendo também a leitura de textos diversos.

Nessa fase, a criança já entende perfeitamente a força de um não e reage imediatamente com uma atitude de recuo ou desafio. Também é capaz de perceber quando suas atitudes são aprovadas pelos adultos, simplesmente pelo tom de voz com que lhe falam. As contradições nas atitudes que ela demonstra vão ser cada vez mais nítidas, uma vez que ela busca autonomia, embora seja ainda muito dependente.

Atende também quando chamada pelo nome. No fim do seu primeiro ano de vida, a criança apresenta duas grandes conquistas: o caminhar e a vocalização. Ela já não manifesta mais seus desejos pelo choro, já sabe indicar os objetos e dizer o que quer. Caminhando, a criança se torna um grande explorador.

No fim de seu primeiro ano de vida, a criança apresenta duas grandes conquistas: caminhar e a vocalização. A criança vai aprimorando cada vez mais, pela imitação, os ruídos que são percebidos no meio ambiente, e passa a exercitar a entonação típica do idioma dos pais.

Os órgãos da fala significativa vão se preparando, estabelecendo assim o processo de socialização primária. O relacionamento estreito e seguro com a mãe permite a adequação da criança aos padrões sociais veiculados pelos familiares que fazem parte da realidade da criança.

A criança reconhece as pessoas, vai selecionando naturalmente as que lhe são estranhas, reagindo emocionalmente a tudo que acontece. Ouve e compreende falas inteiras, ou seja, a linguagem já é um instrumento de comunicação de significados que ela entende, mas que não tem condições para responder. Falta à criança um repertório de palavras, que ela irá adquirir aos poucos. Por essa razão, a criança intercala gestos e mímicas à sua expressão vocal.

Imitando os sons, a criança vai assimilando as figuras sonoras do meio ambiente. De maneira intencional, a criança vai tentando controlar e regular seu aparelho articulatório, saindo da fase de vocalização, incompreensível, para a articulação das primeiras palavras inteligíveis. Cada palavra adquirida é utilizada como uma oração inteira, completa, da qual foram eliminados os artigos, as preposições e as flexões.

Exemplo: Água. A mãe ou educador compreende que a criança está dizendo: Eu quero beber água. A palavra é um gesto vocal que depende da organização dos músculos faciais, da respiração e da articulação bucal. A criança reconhece as pessoas, vai selecionando naturalmente as que lhe são estranhas, reagindo emocionalmente a tudo que acontece.

Usar a linguagem vai exigir da criança o desenvolvimento de habilidades específicas. A medida que a inteligência se desenvolve, a palavra vai se apresentando como uma representação simbólica de idéias concretas e abstratas. Com o desenvolvimento lingüístico, o reflexo instintivo torna-se uma atividade cada vez mais determinada e inteligente do pensamento. O uso e a compreensão dos significados dependem de fatores psicológicos e sociais.

A ação da mãe, dos familiares e dos educadores dão significado para o desenvolvimento do processo de aquisição da linguagem. A criança vai produzindo inúmeros sons e, dentre eles, aparecem alguns que se aproximam de fonemas conhecidos do idioma da mãe. Percebendo essa produção, a mãe completa esses sons, provocando a criança a imitá-la, tudo isso realizado num clima de alegria e afeto. Essa rotina agrada a criança e faz com que ela continue a experimentar.

O Sono

Sono está sujeito a consideráveis variações individuais, desde o nascimento e durante toda a vida do indivíduo. Cada criança tem suas necessidades, ritmo, individualidade. Por essa razão, não há uma resposta padrão para a quantidade certa de horas que uma criança deve dormir.

O sono é muito importante, pois está comprovado que dormir contribui para o desenvolvimento cerebral. Pesquisas mostram que entre três e seis meses de vida, toda vez que a criança adormece, são formadas proteínas fundamentais para a memória, desenvolve-se a capacidade de aprendizagem e ocorre o crescimento corporal.

A fase REM (iniciais de rapid eye movement ou movimento ocular rápido) proporciona organização: nessa fase (quando o sono é mais leve) acontecem os sonhos, que ativam o metabolismo e assim o cérebro se organiza.

Conforme a criança vai crescendo, o sono se torna mais profundo, evidenciando a etapa de NREM (iniciais de non-rapid-eje-movement). O sono profundo traz descanso para o corpo e menor atividade muscular e física.

Os recém-nascidos dormem praticamente o dia todo, acordando apenas por fome ou outra sensação de desconforto. Eles acordam para mamar, trocar fraldas ou então para tomar um banho refrescante. Após ter suas necessidades satisfeitas, logo voltam a se embalar num sono gostoso.

Alguns recém-nascidos chegam a dormir 21 horas por dia, alternando sono e vigília em intervalos curtos, aproximadamente de três em três horas. Às vezes, as cólicas atrapalham esse momento de descanso, fazendo com que o bebê acorde várias vezes durante a noite.

Por volta dos dois meses, as crianças começam a dormir de sete a oito horas seguidas, geralmente durante a noite. No decorrer do dia, dormem em intervalos outras dez ou doze horas. O período de sono diurno diminui gradativamente à medida que o desenvolvimento lhes permite interesses cada vez maiores pelo ambiente, participando ativamente da vida familiar.

Entre seis e sete meses estarão dormindo de dez a doze horas à noite, de uma a duas horas pela manhã e de duas a três horas durante a tarde. Até o fim do primeiro ano de vida, continuam dormindo duas vezes durante o dia, mas essas sonecas são necessárias em intervalos mais espaçados. A chupeta acaba sendo um recurso muito utilizado nos momentos de sono, pois sugando (necessidade intuitiva) o bebê permanece.

Algumas crianças dormem tanto durante o dia que à noite não querem saber de cama. Tranqüilo, alegre e essa sensação lhe proporciona muito prazer. Estudos estatísticos mostraram que para uma criança de dois a três anos, a necessidade de sono pode variar de oito a dezessete horas a cada vinte e quatro horas.

Algumas crianças dormem tanto durante o dia que à noite não querem saber de cama. Quando essa situação acontece, é sinal de que o sono da tarde não é mais necessário. O hábito de dormir à tarde deve ser abolido gradativamente, para que à noite a criança durma naturalmente, repondo o sono de que habitualmente necessita.

Alguns pais estimulam a criança a dormir à tarde. Quando chega a noite, a criança está a mil por hora, não permitindo que os pais descansem. A melhor forma de manter a criança acordada é criar atividades interessantes, que atraiam sua atenção. De um jeito lúdico, prazeroso e sem imposições, ela acaba se adaptando à nova rotina de sono.

Quando a criança necessitar ir para escola, estará acostumada a permanecer acordada e conseguirá aproveitar muito bem o ambiente e as atividades escolares. Nenhuma criança vai para cama espontaneamente, sem que lhe peçam e ensinem, sem a existência de regras constantes.

Por volta dos dois anos, algumas crianças podem reclamar ou mesmo ter crises de birra ao serem colocadas na cama. Em parte, esta situação deve-se ao fato de elas estarem entrando na fase do negativismo próprio dessa idade, e também devido às sonecas da tarde (de três a quatro) que, conforme já mencionamos, devem ser diminuídas.

A rotina familiar é muito importante, pois cada criança pode responder de forma diferente a uma conduta familiar que julgamos inadequada, que na verdade faz parte da realidade familiar.
Por exemplo: numa família em que toda a atividade se dá à noite, pela ausência da família durante o dia, a criança, dentro da normalidade, só teria esse período para contatar e receber os estímulos necessários ao seu desenvolvimento.

Além disso, precisa de afeto e segurança. Por isso se nega a dormir, pois deseja estar com os pais.
Crianças devem dormir sempre no mesmo lugar. A troca constante de camas ou outros locais para dormir prejudica o desenvolvimento de uma rotina para a criança.

Quando se tratar de pais separados, é importante que os pais façam o possível para manter a rotina e objetos iguais (como cobertores e travesseiros), principalmente das crianças bem pequenas, seguindo a mesma estrutura e rotina. Caso os pais não queiram que a criança durma na cama deles, é importante levá-la para a própria cama quantas vezes forem necessárias, até que seja estabelecida uma rotina.

Pais que desejam realmente que os filhos durmam em suas próprias camas devem estimular esse hábito constantemente. As crianças, logo que aprendem a falar, já apresentam capacidade de sonhar: as pequenas costumam não lembrar do que sonharam, mas há casos em que o sonho se repete por muitas vezes e a criança poderá acordar assustada (pesadelos).

Nesse caso, é necessário procurar um pediatra. É importante registrar que alguns pais enfrentam muitas atividades diárias para a criança e, dessa forma, ela acaba não descansando. Pela manhã, natação; depois, balé; descanso para o almoço; então a escola e no fim do dia a criança está exausta e se for muito novinha, o desgaste físico poderá comprometer sua saúde.

Até mais ou menos três, quatro anos de idade, o descanso após o almoço é saudável e importante para que a criança reponha as energias, mas isso não é uma regra geral, pois algumas crianças dormem bastante e outras não. Há crianças que desde muito cedo abandonam a soneca da tarde e não há porque forçá-las a dormir.

Nenhuma criança vai para cama espontaneamente, sem que lhe peçam e ensinem, sem a existência de regras constantes. Embora muitos pais, depois de um longo dia, desejem alguns momentos a sós, muitos relutam em fazê-lo e acabam por transmitir mensagens confusas à criança, cumprindo parte da rotina, não alcançando a disciplina necessária para permitir que a criança durma sozinha.

Se a criança tem disposição para permanecer acordada, enfrentando todas as atividades, sem um descanso sequer, não há necessidade de se preocupar, porque a soneca da tarde não deve ser uma imposição e sim um prazer.