quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Games do bem

Por Redação, Atualizado: 17/11/2009 13:22


Jogos eletrônicos podem trazer notas boas na escola

Mais um ponto positivo para os games. E olha que de ponto em ponto positivos, você pode até tirar nota 10. Uma pesquisa recém-lançada pela Universidade de Granada, na Espanha, diz justamente que os games são bons para os alunos tirarem notas mais altas.
Isso porque a prática reduz o estresse do aprendizado e também aumenta a autoconfiança dos alunos. Afinal, no exemplo de controlar um robô gigantesco e destruir uma cidade inteira é algo que realmente eleva o ego de qualquer um, não é mesmo?
Os pesquisadores analisaram o comportamento de 266 adolescentes de 11 a 16 anos de idade para avaliar o impacto dos videogames na inteligência e no desempenho escolar.
O resultado foi bom. Agora, tem até desculpa quando os pais quiserem tirar os videogames como castigo por tirar notas baixas. Mas olha lá, heim? Claro que jogar em demasia e deixar de estudar também além de trazer notas baixas, é resultado de noção baixa.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sexualidade Infantil _ parte II

Neste estágio do desenvolvimento psicossexual, a criança inicia o relacionamento interpessoal com outras crianças. A fase de descoberta do corpo do outro inclui a curiosidade pelo corpo da mãe e do pai. Tem início a socialização sexual da criança e esta etapa ocorre até o início da puberdade. No período da exibição e das perguntas sobre o sexo, as atenções da família estão voltadas para o aprendizado do autocontrole. Assim, a criança aprende que os assuntos relacionados aos prazeres do exercício da sexualidade, na maioria das vezes, não podem ser tratados com os pais, claro com raríssimas exceções.

Segundo o prof. Dr. Nelson 'vittielo "Os jogos sexuais são de grande importância no processo de desenvolvimento da criança, como facilitadores da exploração do ambiente e da união entre as crianças. São, ainda, de grande valia por favorecerem o desenvolvimento cognitivo, permitirem a prática dos papéis sexuais e possibilitarem o manejo dos conflitos e das ansiedades, envolvendo o corpo como um todo, mas a preocupação das instituições responsáveis pela educação da criança (família e escola) está centrada nas manifestações genitais da sexualidade; por isso, apenas as atividades diretamente relacionadas aos órgãos genitais são alvo de repressão.

A criança tem, assim, reforçada a idéia de que estes órgãos não merecem mesmo valorização nem respeito. Além disso, nessa idade, as normas que delimitam os papéis sexuais deixam de ser apresentadas explicitamente às crianças, embora seu cumprimento passe a ser exigido como forma de comportamento educado. A repressão aos jogos sexuais implica forte sensação de culpa. Apesar de a criança ainda não ter capacidade de compreender bem o seu real significado.

Algumas crianças, principalmente do sexo feminino, por serem mais retraídas e medrosas, não ousam experimentar os jogos sexuais, apresentando, por isso, uma falha no desenvolvimento de sua sexualidade. A criança do sexo feminino habitualmente vivencia o desenvolvimento de sua sexualidade com maiores conflitos, pois a repressão é maior sobre elas. Além disso, a educação para um papel sexual 'adequado' exige uma postura de aceitação e de obediência, o que inviabiliza as práticas clandestinas de jogos sexuais. Mesmo que prazerosas, as experiências de exploração do prazer desencadeiam culpa e sensação de imoralidade tão conflituosas que a criança faz um bloqueio destas lembranças para amenizar seu sofrimento."

Embora a família seja a estrutura social ideal para a prática da educação em geral, e da educação sexual em especial, parece-nos que ainda estamos muito distantes da situação em que esse processo educativo aconteça em boas condições, pela falta de preparo da maioria das famílias.

Da mesma forma que as crianças aprendem a andar, falar etc. elas vão aprendendo sobre seu corpo. Esta aprendizagem sobre o próprio corpo e o corpo das outras pessoas, sobre as sensações de carinho, prazer ou desprazer marcam profundamente a criança. Com essas experiências é que ela vai construindo uma imagem sobre si mesma, seu físico, sua auto-estima e vai se percebendo menino ou menina.

Se você é mãe, avó, tia (a irmã da mãe ou do pai) educador e pesquisador, com certeza já se viu envolvido (a) em questões bem embaraçosas ao tentar esclarecer as mais diversas dúvidas dos nossos pequenos. Recentemente minha filha de seis anos (Larissa) me perguntou sobre a Aids.

Como se pegava essa doença? Questionei-a da seguinte forma: Onde você ouviu sobre Aids? Ela esclareceu que estava vendo o comercial de um dos episódios da novela do SBT "Amigas e Rivais" que iria ao ar, no qual uma amiga comentava com outra, de maneira bem preconceituosa, que determinada pessoa era portadora da Aids. É evidente que ela não disse com essas palavras que o preconceito se fazia ali presente, mas foi fácil perceber, quando ela disse que a amiga sussurrou no ouvido da outra: "Ela tem Aids!"

Eu disse: "Filha, a Aids é uma doença contagiosa (ela já havia perguntado o que era contagiosa). Por esta razão que as pessoas costumam falar baixinho sobre esse assunto, quando sabem que uma pessoa tem Aids. Eu acho que elas pensam que quando falam baixinho, vão conseguir conviver melhor, acreditando que não estão magoando quem está com a doença.

Mas essa forma de agir só deixa mais tristes as pessoas. Você sabe que o nosso corpo humano tem sangue, não é mesmo? A pessoa que adquiriu Aids e que fica doente, também fica com o sangue doente."

"É como se eu ficasse muito resfriada, com febre, dengue e dor de cabeça, imagine como o corpo da mamãe ficaria com tudo isso junto?" "Podre de tanta doença junto, né mãe?" Foi o que ela respondeu.

"Então filha... agora, imagine que o papai precisasse de sangue e só teria duas pessoas para doar sangue para ele: Mayre (esposa) e Larissa (filha). Que sangue estaria melhor para ele receber, o meu ou o seu?" "O meu, mas eu tenho medo de ser picada! "

"Tudo bem, mas por que o seu seria melhor?" "Porque eu não estou doente e o papai pode usar o meu." "Então você conseguiu entender que a Aids é uma doença que, além de deixar o nosso sangue doente, deixa a pessoa fraca, necessitando de um acompanhamento médico. Mas essa doença não pega só de falar com as pessoas, o contágio só vai acontecer se a pessoa que estiver com o sangue doente por acaso se cortar e o sangue dela entrar num ferimento de alguém que esteja bem, se ela doar o sangue dela..." e fui concluindo por aí. "Entendeu?" perguntei.
"Tudinho, mãe. " Será que eu dei a explicação certa?

Não sei. O que verdadeiramente sei é que eu não fugi da responsabilidade de tentar responder e de passar para ela fatos que são verdadeiros (sem os termos técnicos) para que ela não ficasse com dúvidas. Eu acredito que agindo assim consigo participar e acompanhar mais de perto os pontos de interrogação que certamente rodeiam nossas crianças.

Lidar com a sexualidade das crianças, confesso, não é tarefa fácil, mas fingir que nada acontece contribui para conflitos futuros.

É muito importante informar para a criança o que está acontecendo com seu corpo e com seu mundo. A escola pode ajudar muito neste momento, tendo um papel fundamental na educação e socialização de seus alunos.

Juntos, pais e escola poderão favorecer este processo para a criança, fazendo com que seu conhecimento fique mais completo e integral. Se a escola e os pais dão uma oportunidade à criança de ser bem informada sobre esses temas, sem tabus, preconceitos e medos, isso resultará em escolhas mais sensatas, relacionamentos mais duráveis e afetivos, prevenção de doenças, respeito, percepção corporal como algo integrado, e que o corpo deve ser amado e respeitado.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tchau Fraudinha!!!!

Por Luciana Alcover

Fonte: Revista Baby & Cia/ed.8

Na última noite do ano de 2008, em meio a abraços, foguetório, champanhe, sete ondas, resoluções bem intencionadas e definitivas, Carolina, mãe atenta e observadora, só pensava em uma coisa – na hora de tirar as fraldas da Bruninha, a essas alturas com quase dois anos de idade. Quem a visse circulando pela casa, entre familiares, com uma taça flûte na mão, erguendo brindes, certamente pensaria que ela traçava planos mirabolantes para o futuro e, no entanto, Carolina estava totalmente fixada na filhota e em como ajudá-la no delicado momento da vida que se avizinhava. Já que o dia seguinte ao réveillon seria feriado, um compromisso maior teria que esperar até o dia 2 de janeiro.

Enquanto a turma se refestelava ao sol, enforcando a sexta-feira, Carolina abdicou da companhia de todos, entrou no carro, foi direto ao shopping mais próximo e lá fez a primeira compra do ano: um penico musical!

Na volta para casa, ainda no carro, um filme passava na cabeça da mãe: o da filha reagindo diante da novidade. Educar tem dessas coisas, pensava ela numa virada de esquina. Disposta a não abandonar os seus planos, coração acelerado, chegou em casa carregando o precioso embrulho e o que Bruna nem de longe poderia imaginar era que por baixo daquele papel rosa laminado estava o começo de uma incrível transformação na sua vida. Ela estava crescendo e aquele seria um verão diferente. Um verão repleto de sol, praia, banho de mar, castelo de areia, família unida e muito aprendizado. Um verão livre das fraldas. O verão que Bruna aprenderia a usar o peniquinho. Um verão com trilha sonora a cada xixi e coco.

Carolina, alertada pela sua sensibilidade materna, estava certa de que era chegada a hora de tirar as fraldas da filhota, mas como responder às demais mamães que entre aflitas e angustiadas indagam: “qual é mesmo o momento correto?”, ai..ai...ai ...Será que está na hora?Não são raras as conversas entre as mães-coruja na saída das creches, nos aniversários, nos encontros em parques, em passeios despretensiosos, a respeito das façanhas dos seus filhos. Mãe por mãe, tia por tia, avós por avós, escutam de outras mães, de outras tias, de outros avós, as manifestações de brilho e talento das suas crianças e debatem de maneira acalorada sobre a escolha do melhor período para retirada das fraldas.

Quando se deve tirar a fralda?
Para auxiliar nessa empreitada, escutamos o depoimento de pessoas experientes no assunto. Elas nos alertaram que geralmente aos 2 anos a criança está pronta para iniciar o processo, embora exista alguma variação entre uma e outra e esta deve ser respeitada. Esse momento não deve ser uma decisão única e exclusiva dos pais baseado no fator idade, mas sim no resultado de uma observação dos pequenos sinais emitidos pela criança. São estes sinais que vão possibilitar que os pais percebam os indícios de que a hora do desfralde chegou:

- A criança tem consciência e informa de alguma maneira a vontade de ir ao banheiro. Pode ser através de gestos ou expressões ou manifestações vocais.- Torna evidente o quanto se incomoda em usar as fraldas. Pede para ficar sem elas ou tenta tirá-las.- Sinaliza que a fralda está molhada ou suja e evidencia o seu desgosto com essa sensação.- Demonstra a vontade de ir ao banheiro com alguém próximo: pai, mãe, irmão. Normalmente, a menina gosta da companhia de uma figura feminina, na maioria dos casos da mãe. Assim como o menino, do pai. Querem ver e imitar o que os mais velhos fazem.

O que fazer quando a hora chegar?
A fralda nunca deve ser retirada à força e de forma abrupta. A criança, acima de tudo, deve ter a sua vontade respeitada e obedecida em um processo gradual, a fim de que a adaptação se dê sem traumas. Antes de qualquer decisão, os pais devem conversar com os seus filhos sobre essa nova fase através de uma linguagem que seja clara ao seu entendimento. A mudança deve ser feita respeitando o ritmo e a individualidade de cada um.

Decidido o momento, muita paciência. Certamente, muitos “acidentes” vão acontecer durante todo o processo de aprendizagem, sendo necessário, muitas vezes, uma dose extra de persistência. Por isso, muitos pais acabam escolhendo os meses mais quentes e as férias para fazer a experiência.Parece um processo simples, mas são muitas as novidades para os pequenos. Acima de tudo, a criança precisa se sentir amada e respeitada

Tome nota e facilite a transição da fralda para o penico
- As crianças precisam se familiarizar com as sensações que indicam a vontade de ir ao banheiro.- A criança necessita aprender a controlar os seus esfíncteres para segurar ou eliminar o xixi e o coco.- No começo, utilizar a fralda durante a noite para evitar que o pipi escape e a cama fique molhada. Com o tempo, se a fralda permanecer seca durante algumas noites seguidas, ela pode ser retirada.- Durante o dia, oferecer várias vezes à criança o banheiro, para incentivar o xixi no banheiro e evitar que ele escape.

Fazer isso principalmente logo após a criança ingerir uma quantidade grande de líquidos.- Se estiver frequentando uma escolinha, avise a professora responsável sobre a nova fase. Mande troca de roupas extra na mochila do seu filho.- A higiene da criança é fundamental.- Associe a ida ao banheiro como uma coisa boa e não com expressões e coisas ruins como nojento, fedido, caca, eca...- Faça com que o seu filho comece a tirar a sua própria roupa para ir ao banheiro.- O tempo de aprendizagem do xixi é diferente do coco.

Então, nessas horas, os hábitos são excelentes aliados para o controle da hora em que seu filho deve sentir a vontade de evacuar. Ofereça o banheiro a ele.- Deixe a porta do banheiro aberta para que a criança não se sinta isolada e perceba que esse é um ato comum.- Comemore com o seu filho sempre que ele for ao banheiro na hora certa e toda vez que ele avisar que tem vontade de ir.- Deixe a criança puxar a descarga ou deixe ouvir a música do penico quando fizer xixi ou coco. Essas ações também fazem parte do treinamento.- Nunca retarde a ida de uma criança ao banheiro. Faça com que seu pedido seja atendido imediatamente.- Meninos e meninas aprendem a fazer xixi sentados. Só depois de adquirido o controle é que os meninos aprendem a fazer xixi em pé.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Consulta médica online - GRATIS!?!?

Para obter a consulta gratuíta, basta clicar na imagem abaixo e você será encaminhado ao site do dr. Luís Pinheiro.
Lembramos que as consultas são somente para crianças, realizadas através de textos enviados para o dr. e analizados pelo mesmo.
Lembramos que a Escola Exata não tem vínculo nenhum com o médico, servindo somente como veículo de divulgação sem fins lucrativos, de modo a informar, somente, aos queridos leitores de nosso blog.


O Dr. Luís Pinheiro - Médico Pediatra



Pediatra e Neonatalogista, nasceu em Santiago de Figueiró, uma pequena aldeia perto de Amarante, em 1953.

Fez o curso dos liceus no Colégio Militar e licenciou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em 1976. Concluiu a especialidade de Pediatria em 1987 no Hospital de Santa Maria.

Desde essa altura e durante 11 anos, integrou a equipa de Neonatalogia do Serviço de Pediatria do Hospital de S. Francisco Xavier.

Em 1998 ingressou no Centro Hospitalar de Cascais, onde é Chefe de Serviço de Pediatria e responsável pela Unidade de Neonatalogia.

Dedicado desde sempre à Neonatalogia, foi no ambulatório pediátrico que cimentou a sua experiência.

Nos tempos livres dedica-se à fotografia e ao golfe, e à sua verdadeira paixão, o neto Tomás.

Escritor do livro mais vendido de todos os tempos o livro em sua área "Manual de Primeira Viagem" e também o "Manual para Pais".

Agora é também o portador de um projéto inovador acesse o site:
http://www.lpinheiro.com/default.asp

E navegue a vontade, você pode saciar as suas dúvidas e conversar diretavente com doutor Luís Pinheiro.

domingo, 8 de novembro de 2009

Sexualidade Infantil _ parte I

Desde os primeiros meses de vida o bebê percebe que certas partes do corpo, ao serem tocadas, proporcionam sensações prazerosas.

A masturbação é normal e freqüente a partir dos 3 ou 4 anos, ou até um pouco antes. Ela nada mais é do que o emprego de um recurso natural para a satisfação e, conseqüentemente, contra a frustração e a raiva, o ódio e o medo que se segue a isso. Na verdade, faz parte da auto descoberta da criança e da verificação de que a estimulação dos genitais provoca sensações agradáveis.

Uma vez descoberta, ela pode ser continuada e costuma ser mais freqüente em épocas de tensão, stress, tédio, monotonia ou para induzir ao sono. A masturbação pode ser considerada normal se ela se constitui apenas da estimulação da genitália, se é ocasional, discreta, em caráter privado, e se não impede nem substitui as atividades e brincadeiras habituais da criança.

Quando a masturbação é exagerada, passa a ser um sinal de alerta para problemas emocionais. Normalmente indica que as angústias a serem enfrentadas pelas crianças são excessivas. Talvez o que elas estejam precisando seja de maiores cuidados maternos, ou de um meio para saber que alguém está sempre por perto, enfim, de mais segurança.

Deve-se fazer uma investigação sobre o que pode estar angustiando tanto a criança. Nesse caso, é importante não haver proibição, desaprovação ou censura de tais atos, pois, sobretudo, essas atitudes a obrigam a dar importância a gestos que, para ela, ainda não têm o significado do mundo adulto, sendo apenas algo que faz parte da vida instintual.

A curiosidade a respeito das diferenças anatômicas é evidente desde muito cedo na vida das crianças, na hora do banho ou ao olhar o pipi do outro. Esses jogos sexuais ocorrem devido à curiosidade que a criança tem a respeito dos adultos, de como eles diferem das crianças e de como são feitos os bebês. Aos 6 anos ou até mais cedo, as crianças farão explorações mais sérias dos corpos umas das outras.

Brincar de "médico ou enfermeira" é sempre uma forma útil de satisfazer essa curiosidade, ou ainda uma brincadeira de "pegar no pipi". Uma certa dose de tais atividades é normal. O preocupante é a compulsão, crianças que fazem isso o tempo todo.

E importante uma investigação mais detalhada porque existem maneiras, que não chegam a se configurar como abuso sexual, de estimular exageradamente as crianças. As que tiverem contato com filmes para adultos ou com atividades sexuais dos adultos ficam excitadas e desnorteadas e acabam encenando isso com freqüência.

Elas precisam ser notadas, porque precisam de atenção e possivelmente de proteção. Os pais muitas vezes não sabem o que contar quando seus filhos fazem perguntas sobre esse assunto Segundo a psicóloga Nina Eiras Dias de Oliveira, a "educação sexual” acontece primordialmente no contexto da família onde a criança está inserida." Muitos pais preferem nem tocar no assunto. Outros superestimulam as crianças, achando engraçadinho ver crianças de 1, 2 ou 3 anos beijarem na boca, ao som de frenéticas risadinhas, ou indagações do tipo: "Quem é seu namorado?" As meninas vestem microsaias, ou microshorts, os meninos são estimulados a desejar modelos como Tiazinha, Carla Perez, Feiticeira etc.

A geração anterior era muitas vezes punida e repreendida caso mencionasse ou quisesse saber alguma coisa a respeito da sexualidade. A atual é bombardeada pela estimulação precoce à erotização.

Há os que acreditam que só estão lidando com a sexualidade a partir do momento em que ela é mencionada, seja com a solicitação de informações ou explicações a respeito. Mas onde se inicia então esta relação? Quando a mãe e o pai cuidam do bebê, brincam com este, na maneira como se relacionam com ele, ao mesmo tempo em que o casal vive uma relação afetiva, gratificante ou não, quando os limites de cada papel e relação ficam bem definidos e marcados, quando a criança pode concluir que amar é ou não possível, está recebendo educação sexual.

Quando se pensa em educação sexual na infância, autcmaticamente tem que se pensar, também, em desenvolvimento emocional, isto é, tem que se levar em conta o nível de maturidade e as necessidades emocionais da criança.

É importante que as questões da criança tenham espaço para serem colocadas e respondidas com clareza, simplicidade, na medida em que esta curiosidade vai se dando. Às vezes, alguns pais querem se livrar logo do assunto e na ansiedade disparam a falar além da necessidade da criança, na tentativa muitas vezes frustrada de que nunca mais vão precisar falar sobre o assunto.

Quando uma criança pergunta, por exemplo, como o bebê foi parar na barriga da mãe, não quer dizer que ela queira ou deva saber detalhes com relação ao ato sexual dos pais. Responder à criança de maneira simples, clara e objetiva satisfaz sua curiosidade. A satisfação dessas curiosidades contribui para que o desejo de saber seja impulsionado ao longo da vida, enquanto a não satisfação ou o excesso de informações gera ansiedade e tensão.

Quando a criança pergunta, por exemplo, como o bebê foi parar na barriga da mãe, não quer dizer que ela queira ou deva saber detalhes do ato sexual dos pais. A sexualidade infantil é diferente da sexualidade adulta, não contém os mesmos componentes e interesses. Muitas vezes, pela dramatização, a criança compreende, elabora, vivencia a realidade que vive.

Compreende papéis (mãe, pai, filho, homem, mulher etc.), embora muitas vezes já se perceba menino ou menina e já conheça seus órgãos genitais, experimenta na brincadeira sexos indiferentemente.

Quando as crianças fazem essas perguntas, elas não estão apenas atrás de informações. Eles estão buscando também se habituar com a desagradável idéia de que a mamãe e o papai possam estar fazendo essas coisas na cama.

Um bom método é explicar de maneira simples e honesta o que ocorre durante o ato sexual e parar por aí. Se, e quando a criança quiser saber mais, ela perguntará. Inundar a criança com informações demais pode causar um embaraço angustiado e levar à relutância em fazer perguntas mais tarde.

Nosso século tem assistido a importantes mudanças no que se refere aos padrões de enfoque da sexualidade e dos comportamentos sexuais. As crianças estão, desde cedo, convivendo com estas mudanças na maneira de tratar a sexualidade (entende-se por sexualidade o amor, a afetividade, a relação entre parceiros amorosos, não se restringindo apenas ao ato sexual). Na infância muitos de nós tivemos uma educação sexual confusa, recebemos poucas informações e desenvolvemos assim pouca intimida de com estas questões e até com nosso próprio corpo.

Grande parte dessa mudança de enfoque é devida à divulgação das idéias de Freud, que foi o primeiro a afirmar a existência da sexualidade na infância, correlacionando-a com as fases de desenvolvimento da criança. Suas declarações foram muito contestadas pela sociedade, que relacionava, ainda, a ausência de sexualidade à pureza e à inocência.

Nessa concepção, era virtuoso todo aquele que negasse a satisfação de seus próprios desejos, quando a razão não os autorizava. O exercício da sexualidade, trazendo os prazeres advindos do próprio corpo, enquadrava-se dentro das atividades que a razão não devia autorizar. Freud ousou declarar que todos praticávamos o sexo e que ele estava inserido na natureza humana desde o nascimento, tratando a questão não como um "pecado", mas como causa de sentimento de culpa e, portanto, de danos emocionais.

Freud entendia que a sexualidade na infância desenvolvia-se nas seguintes fases:
Fase oral: até o desmame;
Fase anal/ genital: do desmame até os 6 anos.
Fase de latência: dos 6 aos 10 anos.

Atualmente, admitimos que a sexualidade se manifesta desde o início da vida e que se desenvolve, acompanhando o desenvolvimento geral do indivíduo. A primeira fonte de prazer corporal está na região oral. A amamentação, sem dúvida, deve ser uma fonte de expressivo prazer para o recém-nascido. Com o desenvolvimento e manutenção do sistema nervoso central, e com a gradual aquisição da coordenação motora, a criança se lança à descoberta do corpo e dos prazeres que este lhe proporciona.

O momento do desenvolvimento da sexualidade, que compreende o conhecimento dos órgãos sexuais, coincidindo com a retirada das fraldas, sofre importante interferência da educação repressora. A família se encarrega de comunicar à criança todo o pecado que há nesta parte do corpo e que o prazer desta região não é aceito pelos adultos. O reforço é dado pela vergonha que o adulto demonstra em relação aos seus próprios órgãos genitais.

O desenvolvimento da sexualidade tem como fase seguinte o descobrimento do controle dos esfíncteres. Nessa fase, é novamente exercida a repressão com a demonstração de nojo e desagrado às fezes e a urina. As regras sociais vigentes para as funções fisiológicas de evacuar e urinar sempre foram muito rigorosas. Atualmente, com as constatações científicas de que este comportamento repressivo não é benéfico para a criança, a comunicação oral vem sendo substituída pela comunicação corporal.

Terminado o processo de controle dos esfíncteres, a criança já é capaz de caminhar e de falar. Com a conquista destas capacidades, seu objetivo passa, agora, a ser o de conhecer o ambiente; no campo da sexualidade, fixa se em conhecer o corpo do outro e os prazeres que este outro corpo pode lhe oferecer.

sábado, 31 de outubro de 2009

Limites, Chantagem: Consumismo infantil

Durante toda a vida, os desafios do mundo são constantes. Com a educação não é diferente. À medida que a criança vai crescendo, vai ampliando seus contatos, participando ativamente do meio em que vive. Essa participação vai exigindo da criança normas a serem cumpridas, pois espontaneamente a criança delimita um espaço físico para satisfazer suas necessidades, o que nem sempre é aceito pelo adulto, que vai interferir no seu mundo, protegendo-a dos perigos e das coisas frágeis que estão sob sua ação.

As primeiras reações às ordens e interdições são de obediência e devem ser repetidas constantemente, para que a criança perceba o que é possível ou não. Logo no segundo ano de vida, as reações de desagrado e desobediência aumentam. Em cada família, existe um código de regras sobre o que se pode ou não fazer.

Por esta razão, é necessário que a criança consiga aceitar certos limites para que se tome um ser social. Conforme os anos vão passando, estamos sempre buscando um modelo ideal para educar nossas crianças. A realidade atual tem mostrado que a conscientização de pais e filhos, no que diz respeito ao limite, diverge em muitos sentidos. Não é para menos, pois algumas décadas atrás a criança era tratada como um ser que necessitava ser civilizado.

A educação era rígida e o poder absoluto estava na figura do pai, a quem a criança devia total obediência, sem qualquer tipo de questionamento. Raramente o pai demonstrava amor pela criança. Depois veio a liberdade de expressão, os valores se viram ameaçados diante de tanta permissividade. A geração que teve uma educação rígida optou por criar os filhos livres de qualquer opressão.

A noção do limite foi esquecida e a sociedade atual se depara com jovens inseguros, totalmente despreparados para um mundo onde o mercado de trabalho busca jovens eficientes, audaciosos, seguros do que querem. Os anos 90 mostraram que cada vez mais os pais querem encontrar o equilíbrio entre autoridade e liberdade. Desejam estimular os filhos de maneira que saibam se virar no mundo, sem se esquecer do respeito ao limite.

É comum ouvirmos depoimentos de pais de adolescentes que questionam a educação recebida e tentam oferecer aos filhos o resultado encontrado entre a educação autoritária dos avós e a liberal que tiveram dos pais, para que a próxima geração possa crescer num ambiente diferente, com respeito, coerência e harmonia.

As regras sobre o que se pode ou não fazer são cada vez mais utilizadas pelos pais. O diálogo esclarecedor e o bom senso vêm ocupando espaços significativos, unidos à compreensão, ao amor e ao carinho. Aprender a dizer não, sem ficar se culpando, não é tarefa fácil para quem está acostumado a sempre ceder. Geralmente, cedemos desde que a criança é um bebê. Ao menor sinal de desconforto, estamos lá totalmente à disposição da criança, realizando tudo e mais um pouco, além do que ela necessita.

Se quer dormir na cama dos pais, a princípio negamos, depois acabamos permitindo e assim a criança vai Conseguindo seus objetivos. Quando dizemos não, é um verdadeiro desastre, com birras, choros, chantagem etc.

Surge então a famosa culpa. Os pais acham que a criança pode ficar doente, receiam a imposição da autoridade a qual têm direito, criando-a totalmente sem limites. Quando a criança ingressa na escola, geralmente Os problemas de ordem emocional aparecem. Afinal de contas, ela podia tudo, tinha tudo, mandava em tudo. Na escola, ela deve aprender a dividir tudo, tudo é de todos e as regras são estabelecidas por todos. Logo, o caos é geral.

A escola então precisa realizar um trabalho de conscientização com toda a família, esclarecendo e gradativamente introduzindo noções de limites; Isso quando os pais não tiram a criança da escola, pois alguns acreditam que a escola não se adaptou ao jeitinho de ser da criança. Na maioria das vezes, esse julgamento precipitado retarda o trabalho que pode ser iniciado tão logo o educador ou responsáveis percebam que o desempenho e o comportamento da criança diferem do esperado.

É comum nos depararmos numa negociação com os filhos em troca de algo. Até nos casos em que a criança está em adaptação escolar, costumamos presenciar os pais Inocentemente recompensando os filhos por terem permanecido na escola. O que fazer diante dessas situações de constantes promessas em troca de presentes, recompensas ou guloseimas?

Algumas crianças abusam da manha para conseguir o que desejam: fazem escândalos, choram, jogam-se ao chão, arremessam objetos longe etc. A criança aprende depressa que a chantagem é uma aliada muito eficaz.

Quando os pais toleram o não cumprimento das regras e normas, a educação tende a seguir por um caminho muito perigoso, às vezes irreversível. Os anos 90 mostraram que cada vez mais os pais querem encontrar o equilíbrio entre autoridade e liberdade.

Chantagens para que a criança se alimente, tome banho, vista o uniforme etc. em troca de doces ou presentes geralmente começam em casa. Por esta razão, os pais devem permanecer "sempre alertas" para não incentivar essas condutas. Pais que não agüentam ver uma carinha triste, julgando que a criança está sofrendo, perdem a noção do que é melhor para a criança.

Mais uma vez o limite precisa ficar bem esclarecido, como nesse exemplo: o alimento é necessário para a saúde e quem não se alimentar poderá ficar doente (não simplesmente almoçar em troca de um programa de TV).

Diante da satisfação de todas suas vontades, a criança chantagista pede cada vez mais... A relação com os pais, na base de trocas, torna-se um vício. Dependendo da intensidade e do tipo de relacionamento que os pais mantêm com os filhos, "combinações" para determinadas situações são saudáveis e não causam danos sérios: se você terminar de arrumar o quarto, daremos uma volta pelo parque (é importante cumprir).

Caso contrário, podemos encontrar no futuro crianças com dificuldades para se adaptar a regras, leis e valores da sociedade. A convivência com os amigos torna-se insuportável, pois convenhamos que não é fácil interagir com um chantagista que não aprendeu a conviver com a frustração.
O melhor caminho é sempre o esclarecimento de determinadas situações desde que a criança é bem pequena (diálogo), pois assim ela cresce num ambiente seguro, real e consciente de que um NÃO, dito com firmeza, mas com amor e carinho, é ideal para o seu desenvolvimento e para despertar o senso de responsabilidade e o exercício da cidadania.

Mas devemos sempre nos lembrar dos excessos de nãos. Se só há proibições no mundo da criança, ela não dará nenhuma atenção a elas. É necessário estabelecer as prioridades tratando de um aspecto de cada vez. É importante deixar claro para a criança tudo o que se refere a riscos ou alertar para ações que podem causar danos materiais. Conflitos associados à comida e à escolha de roupas muitas vezes não valem o esforço.

A criança, quando está cansada, não responderá às expectativas dos pais com relação à disciplina. Os pais certamente obterão sucesso se suprirem a necessidade momentânea da criança, dando-lhe um abraço, permitindo que ela durma, recupere as energias lanchando. Poderão tentar um novo diálogo mais tarde. Nessas situações, os pais também podem estar cansados e certamente não conseguirão ensinar nada de produtivo à criança.

A calma precisa falar mais alto, pois a criança logo entende, pela expressão facial, tom de voz e reações, que os pais estão perdendo o controle. Ambos poderão assustar-se diante de reações exageradas, provavelmente se arrependendo do que disseram ou fizeram.

Às vezes os pais esperam demais de seus filhos, dando instruções muito genéricas, exigindo comportamentos que não significam muito: "seja bonzinho", "comporte-se". Esses pedidos são muito complicados para a criança.

Pouquíssimas crianças entendem o que quer dizer "arrume o quarto". Crianças reagem melhor quando somos específicos sobre o que desejamos delas e utilizamos frases que deixam claro o que necessitamos. Assim estimulamos a criança a concluir a tarefa com sucesso: "Pare de gritar", "Leonardo, esse carrinho é do Lucas, devolva para ele", "guarde os brinquedos", "coloque o pijama no cesto".

Conflitos por controle são comuns e normais, mais é importante estimular a independência da criança, que se sente mais segura quando conhece seus limites. Por outro lado, torna-se ansiosa se as regras mudam ou pare cem ser negociáveis.

Sabemos que a mídia tem poder de influenciar as pessoas, principalmente as crianças. Os lançamentos de produtos infantis veiculados na TV, especialmente em datas como Páscoa, férias, Dia das Crianças e Natal exercem atração exagerada nos pequenos. Não é nada tranqüilo educar crianças neste século!

Conhecer os limites que a vida naturalmente nos impõe é fundamental para criança. Assim ela entende que o consumismo infantil é uma epidemia difícil de ser combatida. Em nossa sociedade o TER foi sendo valorizado de tal maneira que são poucas as famílias que conseguem fugir da febre do consumismo. Os pais saem para dar uma volta no shopping e de repente são surpreendidos pelos filhos puxando-os pelas mãos ou pelas calças, desejando guloseimas, tênis importados, bonecas, DVDS, aparelhos eletrônicos e mais uma infinidade de produtos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Filhos Mimados = Pais preguiçosos

Você já deve ter visto ou vivenciado a seguinte cena: no supermercado, uma criança se debate no chão, chora, berra, enquanto a mãe, em geral, costuma ficar bastante envergonhada com todos os olhares que se voltam para ela e para aquele pequeno ser tão sonoro, cuja vontade não foi prontamente atendida. O comportamento é típico de filhos mimados, encarados como um problemão. Mas como fazer para evitá-los? Boa parte da origem - e da solução - está nas mãos dos próprios pais.

O fato de um pai, uma mãe (ou ambos) mimar os filhos passa por diversos fatores e vai desde a superproteção até uma certa negligência. "Em vez de impor os limites e gastar energia discutindo com a criança, a saída mais fácil é atender seus desejos", diz a psicóloga Patrícia Spada, da Universidade Federal de São Paulo(Unifesp).

Outras questões que resultam na criança mimada incluem: a mãe com um alto nível de ansiedade, ou seja, com medo de que aconteça algo muito ruim para o filho; pais que demoraram muito para engravidar, e quando vem o bebê ele é tratado como um bibelô (algo frágil, que corre o risco de quebrar a qualquer instante) e a rivalidade entre o casal, levando-os a disputar o amor do filho mimando-o. O que também pesa é a imaturidade dos adultos por achar que uma criança bem amada é aquela que vai ter tudo que os pais não tiveram e um pouco mais, entre outros motivos.

Os efeitos do mimo
O mimo é a não colocação de limites claros e passar a atender a todos os desejos do filho, antecipar-se para que ele não se frustre, protegê-lo dos sofrimentos naturais e inerentes à vida. "São atitudes familiares que podem induzir a criança a ter um comportamento de risco não só na adolescência, mas ainda quando for uma criança maior", alerta a psicóloga Patrícia Spada.

Pais de filhos mimados tendem a ser super indulgentes e procuram até adivinhar qual deverá ser o próximo desejo da criança. Quando crescer, as chances dessa criança em não respeitar regras são enormes. Afinal de contas, ela foi criada como uma pequena "dona do mundo" - tudo que deseja ela tem, tudo que quer ela consegue.

"No futuro, eles podem desenvolver até um comportamento delinquente, quando muitas vezes se tornam líderes do grupo (pois foram tratados como autoridade ou realeza a vida toda), maltratando, prejudicando ou, no mínimo, desprezando os outros que não concordam com seu jeito de pensar e agir", ressalta Patrícia.

A Influência começa cedo
Desde o seu nascimento, o bebê está suscetível ao temperamento, às vivências positivas e negativas dos pais, aos modelos afetivos que eles tiveram, entre outros fatores que irão, certamente, influenciar e interferir no relacionamento pais e filhos.

Algumas atitudes dos pais podem, de fato, atrapalhar o desenvolvimento global adequado do filho, tais como: superproteção ou quando o contato com o filho é mantido de modo intenso e contínuo, seja dormindo com eles, amamenta-os durante bem mais tempo do que o recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (é essencial até o sexto mês de vida) e, principalmente, limitando o contato da criança com outras pessoas, ou com outros bebês.

De acordo com a especialista Patrícia Spada, são hábitos que impedirão o início da percepção do bebê de que o mundo não é somente a mãe ou o pai, mas está repleto de outros interesses - fato que pode deixar os pais bastante ameaçados em relação à perda do afeto do filho.

Outra atitude dos pais, frequentemente relacionada a abandono, mas disfarçada por comportamentos de total liberação, é a super permissividade, que consiste em fazer tudo o que o filho deseja, sem nunca colocar limites e nem posicioná-lo, explicando motivos de não poder fazer determinada coisa.

"No caso de bebês, uma situação que demonstra isto é quando os pais se adiantam aos desejos do filho, e prontamente tentam satisfazê-lo, não raramente, em relação à alimentação. Assim, a criança chora ou faz menção de reclamar e os pais, imediatamente, lhe dão comida, sem nem lhe dar a chance de perceber e sentir se está mesmo com fome ou não e conhecer seu ponto de saciedade", alerta Patrícia.

O poder do "Não"
É por volta dos dois anos de idade que a criança aprende a falar "Não". É uma descoberta natural, mas que por desconhecimento, os pais a enfrentam com receio de perder a autoridade e gera-se um círculo vicioso: a criança tenta se apossar de seus desejos e palavras recém-descobertas a fim de desenvolver seu mundo mental próprio ou sua identidade e, do outro lado, os pais temerosos não aceitam e muito menos compreendem esta fase e preferem eles dizer o "Não" a ficarem com a palavra final. É aí que começam os ataques dos pequenos. "A criança passa a ter verdadeiros ataques coléricos para se afirmar, cujo limite para a birra é uma tênue e frágil linha", acrescenta a especialista da Unifesp.

A idade crítica
Quando os pais não têm suas próprias questões emocionais bem elaboradas, é mais fácil que elas se confundam com as emoções do filho e, dessa forma, projetem nele seus desejos não realizados e suas frustrações. Por essa ótica, toda e qualquer idade é uma idade de risco para deseducar os filhos. "Cada uma das fases da vida exige dos pais atitudes firmes, afetuosas, e limites bem colocados evitando - ao máximo futuros transtornos de comportamento", alerta Spada.

O comportamento dos pais de não imporem limites para se livrarem do problema é uma situação mais comum do que se pensa. Em geral, os pais permitem que o filho faça tudo o que quiser com a condição de não incomodá-los. "É o que chamamos de superpermissividade e uma das consequências é a indisciplina da criança , diz a especialista.

Tem cura!
A reeducação sempre é possível, contanto que os pais realmente a desejem e estejam dispostos a arcar com as consequencias inevitáveis em função da mudança de atitudes, bem como com a resistência do filho em perder o trono (falso e prejudicial) no qual sempre viveu.

Geralmente, a escola chama os pais para orientá-los a procurar ajuda profissional, pois é no ambiente social do filho onde aparecem os desvios de conduta com mais frequencia. Outras vezes, os próprios pais percebem que tudo já está fora de controle e nem eles mesmos conseguem suportar mais tal situação. E é neste momento de coragem que podem procurar um profissional da área de psicologia para ajudar a criança a se desenvolver e aproveitar todas as suas potencialidades.

Confira abaixo as dicas da especialista Patrícia Spada para evitar a criança mimada em casa:
Quando a criança não aceita comer o que há na mesa e faz birra Resorver isto parte de uma boa comunicação da criança com os pais. O problema é que os lados não estão falando a mesma linguagem e, geralmente, há grande manipulação por parte da criança.

Há, de fato, o risco de a criança ficar sem comer, enfraquecida, vir a adoecer, e ela sente e percebe a insegurança e receio da mãe quanto a isso. Se a mãe não conseguir traduzir este clima emocional, será uma guerra de foice, pois ambos tenderão a mostrar ao outro quem é o mais forte e, é claro, a criança poderá estar em situação de risco.

Nestes casos, é indicado que a mãe converse muito com a criança, respeite-a em seu gosto alimentar, faça junto com ela alguns cardápios e insista, sem forçar, para que o filho experimente a comida, mas tenha a liberdade de escolher o que quer comer, mas contanto que coma algum dos ingredientes servidos.




Com o tempo, ele se sentindo respeitado como pessoa, sem ser forçado, sem sofrer violência (física ou psicológica), vai querer comer e passará a aceitar mais facilmente, em combinação com a mãe, o que quer que seja feito para se alimentarem.

Para que os filhos saibam reconhecer o valor material e o esforço dos pais para conquistá-las
Conversar sempre demonstrando sem cobrança o quanto é necessário para um adulto se esforçar para ter dinheiro; - Ajudar o filho a administrar sua mesada ( se a receber), deixando-o decidir pela forma que quer usá-la, mas também arcando com as consequências - quando a criança gastar tudo o que tiver. O adequado será que ela possa esperar e juntar o dinheiro todo novamente, aprendendo a esperar, a lidar com a frustração e reconhecer o amor dos pais por ele. - Não é saudável dar presentes para o filho o tempo todo.

É preciso que ele saiba a importância da economia regrada (e não exagerada), bem como a importância de os pais lhe pedirem opiniões sobre o que ele pensa que poderia ajudar para melhorar o orçamento da família.

Para que os filhos entendam o valor das amizades e a importância de compartilhar
Este é um valor que certamente começa em casa. Não é a mãe obrigando o filho a emprestar seu brinquedo favorito para o amiguinho que desenvolverá nele o sentimento de solidariedade ou de partilha. É natural que as crianças passem pela fase de não querer dividir nada do que é seu com nenhum amigo e, neste caso, é importante que a mãe e o pai respeitem e compreendam a posição e a emoção de seu filho e deixem que ele aprenda a lidar com as consequências de sua atitude.

Se os adultos estiverem emocionalmente bem, tranquilos e confiantes na educação que estão dando à criança, tudo não passará de mais uma fase conturbada e turbulenta, que quando acompanhada de perto pelos responsáveis pela criança, tende a se acalmar com o tempo.


Para evitar os ataques de choro e crises dos pequenos quando algo não sai como eles querem
Muitas vezes os ataques de choro e as crises não devem ser evitadas, justamente pela importância que a elas compete. Nenhum ser humano consegue tudo que quer na hora que quer e quando os pequenos percebem que eles também não são poderosos, - pois não só as coisas não são como querem como também não conseguem com que os pais atendam a seus desejos incondicionalmente - é o momento ideal para que devagar possam ir entrando em contato com a realidade e elaborar este sentimento de onipotência , tão natural e esperado nos filhos. É interessante salientar que, em geral, as crises de choro e de birra, muitas vezes, mais deixam os pais envergonhados - pela possível opinião dos outros (que nem se quer os conhece) de que não são bons pais, do que preocupados com a saúde emocional e mental ou desenvolvimento saudável do filho.

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